A nova “buzzword” do mundo das empresas, a palavra da moda, parece ser “perkonomics”, que os americanos traduzem como “perks and privileges”. Trata-se dos agrados que as empresas já fazem a seus clientes há anos e das preferências que dão a alguns e que, segundo o site Trendwatching, rastreador de tendências, vão se estabelecer como parte obrigatória de qualquer transação B2C (entre a empresa e o consumidor final) na economia da experiência. As companhias aéreas que proporcionam embarque antecipado para alguns clientes são exemplo pioneiro disso. Oferecer mais status, mais conveniência e maior empatia parece ser a receita básica da Perkonomics. Você se interessou pelo assunto? Leia mais aqui.
Arquivo para September, 2008
Hoje se celebra o dia mundial da conscientização sobre a importância com cuidados da saúde do coração. Mas o que significa cuidar da saúde do coração?
Esta pergunta, respondida por um cardiologista provavelmente teria como foco cuidar da alimentação, fazer algum tipo de esporte com regularidade, reduzir o estresse, evitar bebidas alcoólicas e fazer exames médicos periódicos. Se respondida por um psicólogo, provavelmente adicionaria que você deve se preocupar em cultivar sua mente sadia.
Na pratica, para mim, significa uma única coisa que engloba tudo que se lê acima: gostar de você mesmo. Gostar de você, significa manter o seu corpo e mente sadios e com isso ganhar longevidade de forma integral, ou seja, viver mais e com qualidade, porque de nada adianta viver mais tempo mas sofrendo com doenças que não te permitam desfrutar da vida.
Atualmente os efeitos mais negativos que cultivamos tem a ver com a maneira como cuidamos de nossa cabeça e que refletem nas demais coisas que fazem parte de nossas vidas. Portanto, alem de cuidar dos aspectos físicos e estéticos, não se pode descuidar de cultivar a mente sana.
Um dos maiores pesadelos vividos por significativa porção da população mais velha do mundo é o Alzheimer. Mas o que leva a desenvolver esta terrível enfermidade? Alem do implacável aspecto hereditário, a sociedade moderna tem levado o homem a reduzir dramaticamente o uso de seu cérebro e com isso desenvolver doenças como esta. Desta forma, um dos grandes desafios do homem moderno é manter a sua mente ativa e sana, mas especialmente focada naquilo que traz prazer e plena realização como ser humano.
Viver as pequenas coisas, desfrutar momentos felizes com as pessoas importantes para você, em especial sua família certamente te ajudarão muito. Para ser feliz há que se entregar para a vida de forma integral. Você não pode mudar o mundo, mas certamente pode mudar de vida, portanto se não esta bom, se questione o que está te fazendo falta. Identifique e mude, isto é tão somente uma questão de atitude.
A vida é o que temos de mais sagrado e belo, não é justo deixar de desfrutar, saborear os momentos vividos, amar e ser amado, mas para isso você precisa estar bem física e emocionalmente. Portanto, cuidar de sua saúde é fator imperativo para viver com qualidade. Se você realmente se gosta, encontrará maneiras para acalmar seu coração e sua mente e ganhar maior equilíbrio e consequentemente qualidade de vida.
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Eu já tinha lido em algum lugar, hoje deu no Mais a nova escola do autor/filósofo/limítrofe entre guru auto-ajuda e intelectual, Alain de Botton. É algo parecido com as escolas que surgiram no Brasil na esteira da Casa do Saber de São Paulo (hoje na cidade é possível estudar coisas das mais interessantes às mais esdrúxulas, com pessoas interessantes). Há tempos atrás com um amigo investiguei o mercado, um professor de grande destaque da Casa do Saber afirmou categoricamente, sem paquera não funciona, fica aqui a dica. Não sei se londrinos também buscam essa conjunção entre o conhecimento de conceitos e pessoas.
A versão inglesa parece mais focada em conteúdo, tem além dos cursos, terapia para casais, famílias e indivíduos. Criou uma nova profissão, a da biblioterapeuta, alguém que ajuda você a cumprir um programa de leitura compatível com a sua vida. Diz lá que para ler a oferta disponível na Amazon, necessários seriam 163 existências, assim, sua biblioterapeuta investiga os seus interesses, indica os livros, acompanha a leitura e faz uma discussão posterior para checar o aproveitamento, isso pode ser presencial, por telefone ou e-mail. Na loja, só são vendidos os livros selecionados.
Fica no centro de Londres, tem também um blog. Clique na ilustração da biblioterapeura acima e visite o site. Olha a leitura aí tentando se reinventar…
Li no blog ”Cansei da Cidade” sobre uma pesquisa apontando o trabalhador brasileiro como o segundo mais estressado do mundo, que perderia apenas para o japonês. Diz o post em questão que um dos grandes motivos disso é não sabermos dizer “não”. Procurei saber mais sobre o assunto e a pesquisa é da International Stress Management Association (ISMA), que tem filial brasileira, e que faz testes para medir estresse e promove cursos sobre como gerenciá-lo. Segundo a pesquisa, divulgada em junho, 70% dos trabalhadores brasileiros vivem estressados. No caso dos japoneses, o índice sobe para 85%. E 30% dos brasileiros já estão em estado de burnout, que é de depressão ou exaustão total, quase sucumbindo. Não conheço a qualidade da pesquisa, mas é bem provável que ela tenha captado bem a tendência. Não é à toa que pululam aqui blogs dedicados a discutir o estresse, como o inicialmente citado neste post, super recente: nele, as pessoas falam de como estão cansadas da vida estressante de cidade grande. Uma das blogueiras, arquiteta que mora em Curitiba (!!!), escreve em determinado momento: “Preciso de uma amiga particular, alguém faz frila disso?” Seria hilário, não fosse tão sério.
Conclusão da ópera: debaixo do tapete do estereótipo “brasileiro feliz” o que tem mesmo é estresse –ou melhor, distresse, que é o estresse negativo, do tipo que intimida e faz fugir da situação, como o pessoal do ISMA explica no site. Minha dúvida é se as empresas brasileiras estão lidando com esse quadro de modo realista ou se, na hora de planejar seus treinamentos por exemplo, ainda apostam no brasileiro feliz. Não que eu ache que resolver o estresse seja responsabilidade de empresa exatamente, mas as organizações precisam varrer o tapete de alguma maneira.
PS-1:O estresse positivo se chama “eustresse”; alguém tem aí para emprestar?
PS-2: A imagem acima faz parte de um teste de estresse. Se você achou na primeira olhada que os golfinhos aí são ligeiramente diferentes apenas, preocupe-se (e olhe que eu aumentei a foto para ajudar). Para um teste de estresse do tipo que mede o nível, vá ao site da ISMA Brasil (clique em teste). UPDATE: Soube tardiamente que o blog “Cansei da Cidade” é parte de uma ação publicitária da Renault. Escrevi sobre isso aqui.
Hoje, como não poderia ser diferente, a economia americana dominou o World Business Forum. Alguns pontos ficaram claros entre todos os speakers: a crise economica é muito grave e se o congresso americano não agir rápido para aprovar a ajuda de US$ 700 bilhões, podemos ter uma crise ainda maior afetando muitos outros países. O candidato a presidência McCain parou sua campanha e pediu para Obama fazer o mesmo, o foco segundo ele, é fazer o congresso agir. Em uma breve participação especial, o professor de economia de Wharton Jeremy Siegel falou que gostou do plano de Paulson mas alertou para o risco de cometer o mesmo erro do Japão nos anos 80, criando estagnação econômica que persiste por muitos anos.
O fundador da Carlyle David Rubenstein, foi um pouco além e declarou recessão. Para ele, os Estados Unidos enfrentam algumas das maiores dificuldades e oportunidades de todos os tempos. Ele elencou as dificuldades como sendo: novo presidente, recessão, falta de crédito e a economia do país deixando de ser dominante para ser importante.
Gosto do Jack Welch porque ele é direto e não mede as palavras. Ao ser entrevistado pelo editor do “The Wall Street Journal” ele disse: “Wall Street deve ser renomeada Main Street e o seu jornal renomeado The Journal” a platéia foi ao delírio! Uma coisa é certa, dá gosto de ver o patriotismo americano.
Como o empreendedor deve lidar com a tão falada falta de tempo ocorrida devido a longas jornadas de trabalho que incluem também o final de semana?
Em boa parte a culpa dessas longas jornadas de trabalho é a falta de foco ou baixo índice de delegação. O volume de coisas que uma empresa demanda do empresário é enorme e sem um foco definido ele acaba se perdendo em uma série de atividades urgentes e circunstanciais, mas sem importância.
Para lidar com isso é preciso definir um foco de atuação para a semana, que deve estar conectado as metas da empresa. Deve-se dedicar pelo menos 2hs/diárias para planejar e executar esse objetivo. Pode-se envolver a equipe nesse processo também. Quanto maior o foco no importante, menor o volume de urgências e perda de tempo em atividades circunstanciais.
Outra dica importante é a delegação. O empreendedor precisa ter a consciência de que outras pessoas podem realizar o trabalho que ele faz. Ninguém é insubstituível. Isso não tira a sua responsabilidade, mas liberta-o para focar em outras atividades mais importantes. Se não é possível delegar, o crescimento da empresa estará diretamente ligado ao tempo do empreendedor, e ele pode ser bem limitado.

Publicamos recentemente na HSM Management Update um excelente artigo (“Sabão em pó é Omo, cerveja é Skol”) da Carla Barros, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) do Rio de Janeiro, sobre o perfil de consumo da classe baixa no Brasil, fruto de uma pesquisa etnográfica. Hoje vi uma ótima entrevista dela ao IDGNow sobre o uso das lan houses pela “base da pirâmide socioeconômica” (para empregar uma expressão bem em voga). Ela conta da familiaridade surpreendentemente grande com a vida digital que há na comunidade pobre que ela estuda, Vila Canoas, vizinha da Rocinha, no Rio de Janeiro. Familiaridade particularmente com as redes sociais (presença total do Orkut), o MSN, os jogos. Carla diz que os meninos ficam jogando o World of Warcraft (WOW), que é em inglês, o que torna a lan house um ambiente de aprendizado coletivo muito grande. Observa que os telecentros têm estratégia equivocada ao negar as redes sociais. Explica como as lan houses alimentam a economia local: “Um dono de LAN house, por exemplo, ‘empresta’ seu cartão de crédito para que clientes façam compras pela internet, como a de uma passagem de avião. O dono pode dividir em várias prestações, algo incrível para o aquecimento de comércio local”. E não é só isso, diz Carla: “Há casos também de pizzarias que não têm site, mas o dono da LAN house recebe pedidos por e-mail, anota e os repassa para o restaurante, que faz a entrega”. Vale a pena ler na íntegra a matéria do IDGNow; é só expandir. Continue reading ‘A força das lan houses ao lado da Rocinha’
Ao contrário do ambiente de tensão que invade os Estados Unidos após o pedido de concordata do Lehman Brothers e do socorro do tesouro americano à AIG, no Brasil não há, pelo menos por enquanto, indícios de que a crise vá causar grandes estragos. Parece, inclusive, que a crise continua bem distante de nós. Enquanto lá fora pude ver o desespero estampado no rosto de muitos americanos, aqui seus reflexos não chegaram à vida dos brasileiros. Mas causa calafrios.
Parte da população continua inebriada ao atravessar um momento de euforia, com recordes de investimento. Eu disse parte, porque algumas pessoas começam a questionar se enfrentaremos um furacão ou apenas uma forte tempestade. Claro que nada perto do clima de pânico que já nos acometeu no passado. A perspectiva de uma volta da inflação, da eventual queda nos preços internacionais das commodities ou da falta de crédito, gera incertezas.
Mal desembarquei em São Paulo vindo de Nova York e ouvi gente perguntando: “Com as oscilações da Bolsa, devo continuar mantendo meu dinheiro nela?” ou “Estava querendo trocar de carro, será essa a hora de fazer um financiamento?”. Até mesmo questões como a viabilidade de comprar dólar agora ou não para a viagem de fim de ano têm provocado dúvidas e angústias.
Mesmo diante dos poucos sinais de retração em nossa economia, é preciso cautela. O melhor agora é esperar. No início da semana li uma entrevista do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na Folha de São Paulo, afirmando que a economia brasileira construiu uma “resistência” à crise atual. Apesar de ainda estarmos imunes a toda essa turbulência global, ainda é cedo para sabermos se seremos ou não atingidos, e de que forma poderemos ser afetados.
Nos últimos 13 meses, revivemos o fantasma da grande crise de 1929 – considerada uma das piores tragédias econômicas da história - que tem assombrado o mercado financeiro mundial. Ignorar os fatos é uma atitude arriscada e perigosa. Os economistas não prevêem uma onda de demissões no país, mas não dá para a população continuar saindo por aí e se endividando irresponsavelmente em financiamentos da casa própria e do carro novo.
Recuo que, certamente, afetará o consumo interno. O varejo já refez suas estimativas de vendas para o Natal deste ano. Embora otimistas, com uma previsão de aumento em torno de 6%, o setor teme que se a Selic (taxa básica de juros) continuar subindo, as vendas sejam mais fracas em comparação a 2007, segundo matéria do jornal O Estado de São Paulo, publicada domingo último.
Por mais que estejamos “blindados” até agora e cruzemos os dedos para que o socorro do governo Bush, estimado em US$ 700 bilhões, de fato aconteça, todo cuidado é pouco. E que nos sirva de lição, acima de tudo. Mesmo porque ninguém soube até agora explicar direito o que está acontecendo. Muito menos fazer qualquer tipo de previsão sobre o que vai acontecer nos próximos meses.
Mas é cedo ainda para sabermos de que forma seremos atingidos. De uma forma ou de outra, o mercado não será mais o mesmo daqui para frente. Bush chamou a cavalaria, mas por aqui não dá pro Lula chamar os Dragões da Independência e “salvar a Pátria”!
Michael Porter não cansa de falar de suas 5 forças. Eu tenho que admitir, também não me canso de ouvir. Já vi ele fazer a mesma palestra umas 4 vezes mas sempre tiro alguma coisa nova e útil. Sei que o fundador e dono da Amil, Edson Bueno é fã do professor e também compartilha do meu pensamento.
Falando sobre a atual crise no mercado financeiro, Porter não hesitou: “o valor da ação não tem nada a ver com valor da empresa. Acionistas seguram suas ações na média por menos de um ano, o objetivo de toda e qualquer empresa deve ser de longo prazo. Conheço a maioria dos analistas de Wall Street, foram meus alunos e aparentemente ainda precisam aprender bastante. O foco deve ser nos fundamentos econômicos e estratégia”.
Fazendo um link com os posts anteriores: muita gente fala de “novos” modelos de negócio. Para Porter, tudo acaba voltando para a Cadeia de Valor (Value Chain), que ele define como: atividades que definem o custo e diferenciação. Sua cadeia de valor deve ser única, dificultando aos seus competidores de copiar sua empresa. Lembram-se dos encontros via Telepresença da Cisco? E dos projetos non-stop da Infosys?
Na minha conversa com o Clay Shirky, ele já havia levantado a bola da facilidade que temos hoje em formar grupos. É difícil imaginar, mas a 15 anos atrás, poucas pessoas tinham e-mail e aparelho celular era coisa de rico. Obviamente, essa facilidade pode ser usada para o mal, alguns exemplos são os grupos pró-anorexia e a tensão eminente de um novo ataque terrorista. Olhando para os exemplos positivos, o fundador da Infosys Narayana Murthy, disse que seus projetos saem mais rápido por terem pessoas trabalhando 24 horas non-stop. Existem projetos sendo trabalhados em 12 países ao mesmo tempo (!). Já John Chambers, CEO da Cisco mostrou o incremento em produtividade que os 150.000 “encontros” por ano via telepresença, que a empresa implementou nos últimos 7 meses, trouxeram. Após mostrar um slide que ele usou em 1997 sobre a tendência de crescimento da Internet ele falou, “não adiantou mostrar esses números em 1997, será que agora vamos acordar?”. Volto com o Colin Powell com mais do mesmo.
Aqui, uma matéria da Business Week sobre a palestra do John Chambers
Primeiro dia no World Business Forum e o momento que eu mais aguardava era o bate papo entre Colin Powell e Madeleine Albright. Talvez não existem duas pessoas que saibam mais sobre as questões internas dos Estados Unidos e sobre como liderar essa nação tão complexa, como essas duas figuras históricas. O que mais me chamou a atenção foi a clareza de pensamento sobre o mundo atual e a humildade que emanava a casa palavra. Quando a pergunta foi “o que eles gostariam de ver no próximo Presidente americano?” Powell foi enfático: “precisamos de um Presidente confiante mas que não seja cheio de verdades”. O vovô Powell ainda falou sobre o poder transformador das novas tecnologias nas novas gerações, veja o vídeo abaixo.
Este post de autoria do Neto, via UoD, é super útil para traduzir o que o Walter Longo disse na entrevista que deu à HSM Management, na edição setembro-outubro, sobre a publicidade/o marketing encontrar os formatos adequados para a internet. Profissionais de marketing e executivos seniores: não deixem de conferir (vocês têm de esperar um pouco, não podem sair logo da página, ok?).
Confira aqui a ação do jogo Wario Land Shake it para Wii no YouTube. Não digo mais nada para não estragar a surpresa.
via @fseixas
O momento é interessante aqui em NY. As eleições estão pegando fogo com Obama pouco a frente nas pesquisas. A economia derreteu e alguns dizem que ainda não chegamos ao final da crise. Nos noticiários, é normal ver o pessoal do mercado financeiro saindo de Wall Street com caixotes nas mãos após terem perdido o emprego. Ontem, enquanto o Gilberto Gil tocava no pequeno Joe’s Pub, a cidade estava infestada de policiais por causa da presença do presidente do Iran.
Hoje teremos também a HSM com o World Business Forum sold out no legendário Radio City Music Hall. O line-up é de primeira: Colin Powell, Rudy Giuliani, Tony Blair, Jack Welch, Mohammad Yunus, entre outros. Trarei notícias em breve…
Vivemos em dois mundos distintos: um dominado pelas normas sociais e outro em que as normas do mercado ditam as leis. As normas sociais estão ligadas a nossa necessidade de viver em comunidade cordialmente e não incluem necessidade de retribuição imediata. Já as de mercado envolvem preços, relação custo-benefício, juros etc., implicando benefícios comparáveis e pagamentos imediatos. Introduzir normas de mercado na vida social fere os relacionamentos. E introduzir normas sociais no universo das empresas representa um risco para estas (um risco que talvez não seja consciente, o que o torna maior ainda).
Quem diz isso é Dan Ariely, grande especialista em economia comportamental do famoso Media Lab do MIT, em seu novo livro, “Previsivelmente Irracional”: segundo ele, as empresas que vêm divulgando seus trabalhos de responsabilidade social, feitos em parceria com a sociedade, estão introduzindo normas sociais no universo do mercado, querendo nos fazer pensar que somos uma família (ou amigos, pelo menos) e obter vantagens a partir de uma lealdade familiar. De fato, com isso, o consumidor pode se tornar mais complacente com elas –com seus erros e até com seus aumentos de preços. Mas se, quando um banco qualquer devolve um cheque sem fundos e cobra uma multa, o cliente paga a multa e pronto, o mesmo pode não acontecer com um banco que alardeia seu companheirismo social. Se, em vez de um telefonema do gerente, o banco impuser uma multa, o correntista que é “da família” pode se sentir traído porque o banco quebrou as normas da transação social. E nem mesmo os biscoitinhos na agência ou os comerciais singelos irão fazê-lo mudar de idéia, já que a relação social é rompida para sempre.
“Não é possível tratar os clientes como membros da família em um momento e, depois, voltar a tratá-los de maneira impessoal”, diz Ariely. A recomendação do especialista do Media Lab às empresas é muito séria na minha opinião e acho que deveria ser seguida à risca: as empresas não devem trafegar entre os mundos das normas sociais e das de mercado se não puderem realmente corresponder às expectativas que serão geradas. Importante: o mesmo raciocínio, de acordo com o expert do Media Lab, vale para os relacionamentos das empresas com fornecedores e colaboradores. Ou seja, se você prometer normas sociais além das de mercado, cumpra a promessa.
PS: Ariely fez este livro para nos lembrar da nossa irracionalidade e o fez com base em vários experimentos. Escrevi mais sobre isso aqui.
“I love you but I don’t like you all the time.” (Traduzindo: eu amo você mas não gosto de você o tempo todo.) Essa consciência absurdamente lúcida vem de um garoto de uns 2 ou 3 anos de idade (confiram aqui) e, para mim, ele resumiu um dos grandes segredos da vida. Se nós realmente entendêssemos isso, saberíamos encarar –e superar– os conflitos mais naturalmente. Tudo a ver com um artigo que demos na HSM Management Update, O Conflito Saudável Deve Ser Encorajado, com Michael Feiner, professor da Columbia Business School e autor do livro “The Feiner Points of Leadership”. Feiner diz que os gestores e as empresas precisam tratar o conflito destrutivo e o produtivo assim como as pessoas tratam o colesterol ruim e o bom. Explicando as diferenças entre os conflitos (o ruim está relacionado com busca de poder e inveja; o bom, com troca de idéias), ele sugere como desestimular o ruim e incentivar o bom. O incentivo deve passar a mensagem “Eu quero suas idéias. Eu quero discordância. Eu quero ser desafiado”, como se propõem a fazer as quatro medidas a seguir:
Em suma, se você, gestor, quer de verdade ter inovação na sua empresa, precisa querer conflito também. Mesmo isso indo contra a essência da brasilidade cordial que todos herdamos. Mas basta se lembrar do que o menino falou.

