A agenda das empresas a partir de agora começa a entrar em ritmo de balanço para o novo ano que virá, certo? Errado. Apesar do cenário adverso, como o atual, estamos assistindo a uma surpreendente onda de fusões e aquisições. Primeiro, tivemos a inesperada união entre Itaú e Unibanco, resultando no primeiro banco brasileiro com porte global e antecipando a consolidação do sistema financeiro no país.
Depois, foi a vez do Banco do Brasil (BB), semana passada, anunciar a compra da Nossa Caixa. Enquanto nos bastidores continuam fortes as nuvens de fumaça apontando para uma nova compra da estatal. Dessa vez, os rumores envolvem o Banco Votorantim. Saiu, inclusive, na revista Exame desta quinzena. Muito embora arrisque palpite sobre uma provável fusão do BB com a Caixa Econômica Federal, que faria todo sentido.
Aqueles que têm caixa neste momento, provavelmente vão enxergar inúmeras oportunidades no meio do caminho. Essa é a hora de esbarrar com ativos de preços bem menores e negócios para lá de atraentes. Entretanto, quero alertar para a necessidade de cautela frente aos riscos inerentes a todo processo de fusão e aquisição.
Algumas transações, por exemplo, há pouco tempo acabaram sendo desfeitas como prova de que é preciso muita atenção. Sobretudo diante das incertezas provocadas pela desaceleração da economia mundial. Foi o caso da Cyrela que voltou atrás na compra da rival Agra; da Votorantim que adiou o aumento de sua participação no controle da Aracruz e da Renner que desistiu de abocanhar a rede carioca de varejo Leader.
Antes de dar um passo errado, vejo a importância de se ter muito sangue frio, paciência e disciplina. Não dá para seguir a maré de otimismo exagerado sem ponderar a viabilidade do negócio. É preciso ter um olhar crítico para saber como aumentar as chances de travar o negócio certo, na hora certa. Uma empresa precisa conhecer bem a fundo a outra antes de fechar negócio.
Questões primordiais não podem ser esquecidas, como procedimentos jurídicos e de “due diligence”, passivos ocultos (pagamento de impostos e caixa dois), passivos ambientais (se a empresa está cumprindo ou não a lei) e passivos atuariais dos planos de aposentadoria). Aspectos que estarei abordando, em conjunto com alguns dos mais respeitados especialistas do mercado, nesta quarta-feira 26, em São Paulo, durante evento promovido pela Julio Sergio Cardozo & Associados, a Lobo & De Rizzo Advogados e a Maix Institutus, sobre as armadilhas e os cuidados envolvendo operações de fusão e aquisição.
Acima de uma grande chance, vale ressaltar, podemos nos deparar com mudanças inesperadas de percurso. Vejam o que a própria crise já vem provocando àqueles que não se preparam. Por isso, bem-vindos ao clube dos que não perdem uma oportunidade sequer, porque sabemos que só os visionários sobreviverão no futuro. E com passos bem calçados. Claro, com assessores qualificados ao seu lado.