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Arquivo para November, 2008

O conhecimento está ficando mais ou menos democrático?

O físico norte-americano Robert Laughlin, professor de Stanford, acaba de lançar um livro que traz uma discussão interessante e fundamental. Temos mais ou menos acesso ao conhecimento que está sendo gerado? Se você respondeu mais, talvez esteja na hora de rever os seus conceitos sobre física ou mesmo sobre a internet. Para Laughlin, temos cada vez mais acesso a coisas poucos úteis. O que de fato interessa está cada vez mais restrito aos detentores de condições para investir. O autor inclusive desafia os leitores a apontar inventores que tenham ficado ricos ultimamente, para eles, tudo está centrado na mãos das empresas que empregam esses gênios. É verdade que o livro foi escrito antes desse caos financeiro, onde ele ainda poderia ficar desanimado em ver um medíocre de Wall Street ganhar milhões de dólares como bônus anual, ao mesmo tempo que seus colegas cientistas quase passavam algumas dificuldades…

Para ele, ao invés de Era da Informação, podemos estar é vivendo a Era da Amnésia, tamanho é nosso afastamento do conhecimento realmente importante. Esse afastamento fica maior ao se considerar o tempo desperdiçado com tantas “diversões” na internet. Não sei o que ele acharia desse blog…

Como Evitar Reuniões Inúteis

Na Exame desta quinzena vi uma frase fantástica da vice presidente de operações do Mc Donald´s, Jan Fields:quatrocorpos

Reuniões fazem com que as pessoas percam o foco no trabalho. Sempre que estão numa reunião, não estão fazendo aquilo que deveriam fazer."

Eu concordo muito com essa frase, mas não 100%. Reuniões são necessárias no mundo colaborativo que vivemos, mas elas devem ser exceção e não a regra da empresa.

Precisamos fazer uma dieta de reuniões nas empresas e evitar ao máximo esses encontros que em geral são péssimamente conduzidos e levam ao grande desperdício de tempo.

Veja algumas dicas para evitar reuniões na empresa:

  1. Vai decidir? Senão, cancele! - Se a reunião não tem poder de decidir nada, é melhor cancelar e usar o tempo para outra coisa. Pessoas que vão apenas para discutir a cor da chuva sem nada de efetivo para alterá-la, estão jogando tempo no lixo!
  2. Existe outra forma de resolver a questão? - Que tal antes de convocar a reunião pensar em alguma alternativa para resolver o assunto sem precisar da reunião?
  3. Conversa individual - Ao invés de usar a reunião será que uma pequena conversa particular com os membros da equipe e depois um e-mail com a resolução não ajudaria? Pode parecer que se ganha tempo falando para 5 de uma vez só, mas na prática isso é contraditório.
  4. Proponha uma solução - Que tal você enviar uma possivel solução para a pessoa que convocou a reunião e assim evitar todo o processo de discussão? Em muitos casos a solução já está pronta previamente a reunião.

Post-its de domingo: Oblong, BringIt, Seth Godin

Ainda não soaram as 12 badaladas nem eu virei abóbora, portanto dá tempo de escrever os post-its de fim de noite com as preparações que o Peter Drucker tanto recomendava aos gestores, a fim de tornar a semana que se inicia mais produtiva. Só lembrando, eu fiz uma adaptação em relação ao conselho original do Drucker quando pus o foco em preparações que tenham a ver com a internet – porque a internet é fundamental para a inovação hoje em dia e, ao mesmo, é especialmente dinâmica e difícil de monitorar.

  • Antes de mais nada, vocês precisam conhecer a empresa Oblong e a plataforma G-speak que ela criou, uma espécie de ambiente espacial operacional. Se viram o filme “Minority Report”, vocês já têm algum registro visual das possibilidades disso. Não é coincidência: um dos sócios da empresa foi consultor do filme. A dica é da Cris Gorissen, do UoD, e é tecnologia na veia. Se for esse o nosso futuro (e pode ser), preparem-se!
  • Autodefinindo-se como “the Ultimate Gaming Experience” o site BringIt é uma comunidade para games on-line onde o pessoal joga por dinheiro. São múltiplas plataformas e dá para disputar um contra um, em grupo ou participando de torneios. Isso até me assusta um pouco, mas, com certeza, merece acompanhamento, porque pode mudar o comportamento em relação ao universo dos games. Esse post foi meu mesmo, publicado no UoD.
  • Para terminar, o blog dele – o pai da idéia-vírus (e de tudo que se seguiu com o termo “viral”), do marketing de permissão, da vaca púrpura ou roxa etc., Mr. Seth Godin. O Wagner Brenner, do UoD, escreveu um post sobre um post do Godin, que põe os pingos nos iis no território dos blogs. Diz que o blog individual não morreu, mas que os blogs coletivos são cada vez mais fortes. E explica: o xis da questão é o conteúdo, como sempre foi, e, por isso, o foco tem de ser no leitor, não no autor –e já que, em blogs coletivos (como este que vocês estão lendo por sinal), os autores se “diluem” e até concorrem por atenção, a chance de os leitores saírem ganhando conteúdo é maior.

Você tem tempo para você?

Você tem tempo para você? É impressionante o poder que essa simples pergunta tem para constranger as pessoas e deixá-las refletindo sobre suas vidas. Parece que o mundo se acostumou com uma correria sem tamanho, na qual focamos demais nas urgências do dia-a-dia e nos esquecemos de dedicar tempo para a pessoa mais importante de nossa vida: “EU”!

     É interessante ver que quando estamos totalmente sem tempo, a primeira coisa que deixamos de fazer são as atividades pessoais, como um curso de idiomas, um esporte, um tratamento, etc. Focamos em terceiros e esquecemos do “primeiro” na relação do tempo, e acabamos em um círculo vicioso que nos deixa ainda mais sem tempo para nada.

 

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Documentário: Us Now

Us Now é um documentário sobre a era da colaboração em massa. Pela primeira vez, temos as ferramentas que podem ampliar o poder da formação de grupos e impactar os negócios, a política e a sociedade. O documentário segue a vida de algumas pessoas que redefiniram o conceito de “Instituição”.  Os exemplos são de diversas áreas, tem até um time de futebol que é dirigido pelos próprios fãs, imaginem isso no Brasil. Para ajudar a contar a estória, o diretor Ivo Gormley adicionou depoimentos de alguns especialistas no tema como: Clay Shirky (autor de Here Comes Everybody) e Don Tapscott (autor de Wikinomics).  Abaixo o trailer:

Mais clips aqui.

A Web TV da Peugeot

Continuando o tema da proliferação de vídeos na internet, influenciadas pela tendência de empresas criando e divulgando seus próprios conteúdos, trago o exemplo da Peugeot. A montadora, criou na Espanha uma Web TV com diversos vídeos em tópicos como: design, produto, meio-ambiente, Salão do Automóvel, etc. O objetivo parece ser fortificar a comunicação direta com seus clientes e distribuidores.

Revolucionando a propaganda em vídeos online

 (Por Arthur Soares via UoD)

Os pesquisadores de Inteligência artificial de Stanford desenvolveram um software que vai revolucionar a propaganda em vídeos.

A premissa é da possibilidade de inserção de uma maneira super prática e descomplicada de imagens no seu vídeo. A tecnologia só era então acessível para pessoas com know-how de pós-produção de vídeo.

O novo software promete popularizar essa inserção. (leia: inclusão digital)

Não é preciso pensar muito longe para imaginar os desdobramentos disso. Daqui a pouco o Google compra a tecnologia e faz AdImages dentro dos vídeos.

’nuff said, vai o vídeo:

SP vai virar Lyon com luzes e holografia

Bom, já mergulhei no espírito natalino, montamos a árvore ontem em casa e neste fim de semana começo o tour dos presentes. Mas inspirada por outro tour, o do post da Paula Rizzo no UoD, descobri que São Paulo vai virar Lyon este ano e teremos um Natal holográfico! É a marca SÃO PAULO que está em jogo! O turismo! Os negócios! Vejam só esta informação do site da Prefeitura (mais detalhes lá):

A inovação em 2008 fica por conta do circuito Luzes de São Paulo. O projeto consiste em transformar importantes edificações paulistanas em telões, onde serão projetadas imagens em alta definição, mesclando temas paulistanos com propostas natalinas. Espetáculos noturnos com holografias e intervenções artísticas também serão possíveis de ver pela Cidade, graças ao uso de equipamentos de ponta, disponíveis pela primeira vez no Brasil.

As projeções ocorrerão no Masp, na sede da Prefeitura (Edifício Matarazzo) e no Teatro Municipal, de 12 a 28 de dezembro, das 20h às 0h – exceção feita ao Masp, cuja programação se estende até o Ano Novo e cujas apresentações seguem até às 3h. O Luzes de São Paulo é inspirado na Festa da Luz de Lyon, na França, que atrai cerca de 4 milhões de turistas todo ano.

Thanksgiving: um modo 2 de dizer obrigado?

A gente aprende a dizer obrigado(a) desde cedo, por polidez e bons modos. Mas, e o agradecimento sincero, do fundo d’alma, nos ensinam? Às vezes acho que, por aqui, esses obrigados autênticos só surgem quando há grandes graças alcançadas, milagres operados por santos como Expedito e Judas Tadeu. As coisas pequenas parecem não merecer muita gratidão na nossa cultura.

O Thanksgiving é comemorado hoje nos Estados Unidos. Eu sempre achei interessante o hábito deles de, nessa data, agradecer sinceramente pelas coisas boas que acontecem, grandes ou pequenas. Não falta gente rotulando como bobagem esse modo 2 de agradecimento, com a alegação de que seria muito americano, muito coisa de “founding father”, muito religioso. Mas não precisa ser. Você pode agradecer ao universo. Às coincidências. Às pessoas!

O Richard Teerlink, por exemplo, já me falou do costume de agradecer como um dos segredos do sucesso na vida dele – e ele foi o CEO que comandou a virada da Harley-Davidson. O Marshall Goldsmith diz que agradecer é uma arma simples, poderosa e subutilizadíssima para liderar equipes – o Goldsmith é o coach de 1 em cada 5 líderes das empresas Fortune 500 praticamente. E o Ursinho Pooh ensina que obrigado(a) é a palavra mais mágica que a gente pode usar (o Pooh dispensa apresentações, né?! rsrs).

Just in case, como o ano de 2008 foi particularmente difícil para mim e está terminando bem, eu agradeço de coração! E, mesmo sem feriado, aqui em casa o cardápio é peru.

As armadilhas por trás dos processos de fusão

A agenda das empresas a partir de agora começa a entrar em ritmo de balanço para o novo ano que virá, certo? Errado. Apesar do cenário adverso, como o atual, estamos assistindo a uma surpreendente onda de fusões e aquisições. Primeiro, tivemos a inesperada união entre Itaú e Unibanco, resultando no primeiro banco brasileiro com porte global e antecipando a consolidação do sistema financeiro no país.

Depois, foi a vez do Banco do Brasil (BB), semana passada, anunciar a compra da Nossa Caixa. Enquanto nos bastidores continuam fortes as nuvens de fumaça apontando para uma nova compra da estatal. Dessa vez, os rumores envolvem o Banco Votorantim. Saiu, inclusive, na revista Exame desta quinzena. Muito embora arrisque palpite sobre uma provável fusão do BB com a Caixa Econômica Federal, que faria todo sentido.

Aqueles que têm caixa neste momento, provavelmente vão enxergar inúmeras oportunidades no meio do caminho. Essa é a hora de esbarrar com ativos de preços bem menores e negócios para lá de atraentes. Entretanto, quero alertar para a necessidade de cautela frente aos riscos inerentes a todo processo de fusão e aquisição.

Algumas transações, por exemplo, há pouco tempo acabaram sendo desfeitas como prova de que é preciso muita atenção. Sobretudo diante das incertezas provocadas pela desaceleração da economia mundial. Foi o caso da Cyrela que voltou atrás na compra da rival Agra; da Votorantim que adiou o aumento de sua participação no controle da Aracruz e da Renner que desistiu de abocanhar a rede carioca de varejo Leader.

Antes de dar um passo errado, vejo a importância de se ter muito sangue frio, paciência e disciplina. Não dá para seguir a maré de otimismo exagerado sem ponderar a viabilidade do negócio. É preciso ter um olhar crítico para saber como aumentar as chances de travar o negócio certo, na hora certa. Uma empresa precisa conhecer bem a fundo a outra antes de fechar negócio. 

Questões primordiais não podem ser esquecidas, como procedimentos jurídicos e de “due diligence”, passivos ocultos (pagamento de impostos e caixa dois), passivos ambientais (se a empresa está cumprindo ou não a lei) e passivos atuariais dos planos de aposentadoria). Aspectos que estarei abordando, em conjunto com alguns dos mais respeitados especialistas do mercado, nesta quarta-feira 26, em São Paulo, durante evento promovido pela Julio Sergio Cardozo & Associados, a Lobo & De Rizzo Advogados e a Maix Institutus, sobre as armadilhas e os cuidados envolvendo operações de fusão e aquisição.

Acima de uma grande chance, vale ressaltar, podemos nos deparar com mudanças inesperadas de percurso. Vejam o que a própria crise já vem provocando àqueles que não se preparam. Por isso, bem-vindos ao clube dos que não perdem uma oportunidade sequer, porque sabemos que só os visionários sobreviverão no futuro. E com passos bem calçados.  Claro, com assessores qualificados ao seu lado. 

Conversas ao pé do fogo

Acabo de ler o post da Adriana sobre essa nova era que se anuncia e sobre a necessária troca de alguns paradigmas e não resisto a meter minha colher de pau.

Pessoalmente sinto falta das conversas. Aquelas meio sem fim, onde saltávamos de um assunto a outro, divagando sem pressa. Fazendo por vezes, discursos inflamados para não concluir coisa alguma.

Anseio pelo retorno a esse tempo no qual como diz o I Ching podíamos “olhar, não para as coisas, mas para os movimentos que elas fazem”

Naquele tempo aprendíamos uns com os outros, talvez porque tínhamos tempo de reparar nos outros.

Kevin Kelly e suas pérolas

Kevin Kelly é um daqueles pensadores que estão muito à frente de seu tempo. De tão à frente que suas idéias podem parecer filosóficas e pouco práticas. Pessoalmente tento não confundir sua profundidade com minha incapacidade de compreendê-la. A web nos trás essa possibilidade, estar próximo dessas mentes no momento que elas soltam suas pérolas. Recentemente, li um artigo onde ele fala sobre a proliferação das telas e quais os desafios e mudanças que elas trazem. O artigo, da revista do NY Times, que ele gostaria que tivesse o título de Screen Fluency, mostra como estamos nos transformando de “pessoas dos livros” em “pessoas das telas”. Continuo sendo dos livros, mas cada vez mais aparecem telas na minha vida. Imagino que nas suas vidas também, certo?!

Abaixo, Kelly joga mais algumas pérolas, desta vez sobre: socialismo 2.0, colaboração, perigos da tecnologia, evolução, genética e o que a tecnologia quer do ser humano. Pérolas raras, mas que a internet e as telas, colocam à nossa frente.

5 razões porque as listas de "algum dia" não funcionam

 to_do_listRecebi um e-mail perguntando minha opinião sobre a técnica do GTD e da antiga TimePlanning, da lista que podemos fazer quando não queremos esquecer de algo e colocamos em uma lista de "algum dia" para fazer.

Eu já tentei usar essa abordagem e já vi pessoas tentarem usar e simplesmente não funciona na maioria do casos. Aqui as principais razões para você evitar essa prática:

1 - Lista de procrastinação - Esse é o nome correto da lista de "algum dia". Você colocar coisas ali que acha legal e nunca acaba fazendo, ai passam os prazos, a coisa perde o sentido ou simplesmente não é mais possível de fazer.

2 - Sem prazo, sem ação - É muito provável que tarefas que ficam soltas nessa lista nunca sejam feitas, pois não há um prazo que você deseja executá-las. No mundo sem tempo que muitos vivem é quase uma utopia encaixar algo que não foi programado não é verdade?

3 - Pouca revisão - Se você não criar o hábito de revisar essa lista frequentemente, acaba não servindo para nada! E a tendência natural a esse tipo de lista é apenas crescer e raramente esvaziar.

4 - Não há associação com itens relevantes - Se uma tarefa qualquer na sua vida não estiver associada a algo que irá trazer um benefício na sua vida, você não a realizará espontaneamente. Por isso uma lista de atividades apenas fica sem relevância e por consequência sem execução.

5 - Não é para coisas práticas - Tudo que parece legal é colocado nessa lista e acaba tendo coisas na lista que você nunca realmente fará, se torna uma lista de sonhos distantes. Tipo aquele curso de apicultura que você acha interessante, mas nunca vai fazer.

Kurzweil: Oportunidades e Perigos da Tecnologia

Em entrevista para o silicom.com, o futurólogo Ray Kurzweil continua fazendo suas projeções exponenciais, ou como ele costuma falar “lei dos retornos acelerados…”. Abaixo alguns pontos da entrevista. Se quiser, leia na íntegra em inglês aqui.

“Não será possível entrar em uma sala e distinguir entre humanos  e máquinas, todos estarão mixados.”

“Um dos fatos mais interessantes que vi nos últimos tempos, é ver  Saúde e Medicina  se transformarem em tecnologia da informação”

“O computador irá passar o Turing Test em 2029. Grandes mudanças não acontecerão imediatamente, mas não podemos esquecer que eles continuarão a evoluir de maneira exponencial.”

“A inteligência não biológica será muito mais poderosa do que a inteligência biológica humana, mas não será uma invasão de máquinas inteligentes de Marte, virá da nossa própria civilização.”

“O grande volume de informação que temos hoje, não está de maneira nenhuma arruinando nossa capacidade de concentração. O que temos hoje, é uma capacidade enorme de nos concentrarmos na resoluções de problemas de forma criativa. Estamos aumentando a criatividade humana.”

“A sabedoria das massas é algo muito interessante. Se pegarmos a blogosphera, um blog pode não ser muito confiável mas se juntarmos todos os blogs, teremos a capacidade de chegar a verdade dos fatos de maneira bastante rápida. A massa é mais inteligênte do que qualquer indivíduo.”

“Um ponto preocupante a respeito da internet é a capacidade de formação de grupos destrutivos e a proliferação do ódio. Talvez o ponto mais perigoso seria o abuso da biotecnologia”

Kurzweil está preparando um filme sobre seu livro “The Singularity is Near” e possui uma equipe de filmagem (foto) que o acompanha por todos os lados.

Capitu, os Mil Casmurros e a TV Globo na Web

(Por Alexandre Inagaki via UoD)

O romance Dom Casmurro, uma das muitas obras-primas de Machado de Assis, vem despertando paixões, discussões e polêmicas desde a publicação de sua primeira edição, em 1899. Dentre tantos motivos, por ter legado a fascinante figura de Capitu, a personagem dos “olhos de ressaca” que recentemente motivou a publicação de um livro, Quem é Capitu, composto por ensaios, crônicas e contos escritos por nomes como Millôr Fernandes, Lygia Fagundes Telles e Luis Fernando Veríssimo instigados pela dúvida mais conhecida da literatura brasileira: houve ou não a traição a Bentinho?

Luiz Fernando Carvalho, diretor da minissérie Capitu, que será exibida de 9 a 13 de dezembro na rede Globo, também é autor de um dos textos desse livro, publicado pela editora Nova Fronteira. E, a fim de divulgar essa adaptação para a TV, que trará as atrizes Letícia Persiles e Maria Fernanda Cândido personificando Capitu, duas ações foram criadas pela agência LiveAD, com desenvolvimento da Simple Brasil e design da Sant.a. A primeira, Capitucrossing, deixou cerca de dois mil DVDs com imagens da minissérie em locais públicos de 5 cidades - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Brasília -, com instruções para repassar o material a outras pessoas e compartilhar suas impressões no site.

Uma leitura coletiva de Dom Casmurro na WebA segunda ação é o projeto Mil Casmurros, a maior leitura coletiva já promovida de Machado de Assis. Dom Casmurro foi dividido em mil trechos, disponibilizados na Web para que internautas de todo o país possam lê-los e gravá-los, por meio de webcams e câmeras digitais.  Nomes como Tony Ramos, Camila Pitanga, Regina Duarte, Ferreira Gullar, Elke Maravilha e Fernanda Lima já deixaram seus vídeos de leituras no site. De minha parte, já tratei de gravar o meu vídeo; outro updater que deixou sua leitura por lá foi o Neto.

Conforme já havia sido relatado por Daniel Castro em sua coluna na Folha de S. Paulo de 21 de novembro, a Globo pretende multiplicar suas ações de divulgação na internet. Uma nova sessão, “Por Dentro da Globo”, trazendo informações em tempo real sobre todos os seus programas, e novas ações utilizando ferramentas como o Twitter estão programadas. Os sites Capitucrossing e Mil Casmurros prometem ser apenas o começo de uma nova era para a TV Globo na internet.