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Arquivo para December, 2008

Confiança, a palavra-chave de 2009

poppins.jpg“A confiança, como mostrou Francis Fukuyama em livro de 1995 (“Confiança”), é a pedra angular da sociedade moderna, o que faz com que a convivência social seja minimamente harmônica, próspera e capaz de garantir o bem-estar (não só econômico) dos que vivem sob um mesmo céu. Confiança no quê? A confiança recíproca entre os cidadãos alimenta a confiança de todos na existência de uma coletividade.”
Foi o Contardo Calligaris que escreveu isso no dia 18 de dezembro último, a propósito de uma decisão da Justiça italiana de obrigar uma clínica médica a indenizar a sociedade pela quebra de confiança que provocou ao realizar procedimentos desnecessários, e vocês podem conferir a história no blog dele. Eu acrescentaria que o filme Mary Poppins é quase tão pedagógico quanto o Fukuyama ou a Justiça italiana ao tratar do assunto, quando mostra a corrida das pessoas ao banco do sr. Banks por pura quebra de confiança.
Pior é que confiança é bicho sutil, contraditório, tão volúvel quanto mulher com TPM. No mesmo dia (18/12) que foi divulgada pesquisa da Fiesp mostrando que 36% dos empresários estão confiantes na economia brasileira em 2009, indicador que sobe para 66% se somarmos os satisfeitos e otimistas declarados (os pessimistas eram 29%), a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) soltou pesquisa de confiança com os consumidores mostrando queda de 5% em relação ao trimestre anterior e apostas lúgubres em inflação e desemprego em 2009 (embora, registre-se, 48% dos consumidores achem que tudo vai ficar como está). Se, nas nossas relações pessoais, às vezes basta um e-mail não respondido para que o vínculo de confiança se rompa, imaginem as marés da confiança coletiva.
O que está por trás de toda essa crise global, no fundo, é a quebra de confiança. Portanto, não importam os discursos, acredito que a palavra-chave em 2009 não será crescimento, nem paz, nem educação, mas confiança –daí este post. Mas sabem qual é meu medo? Que essa falta de confiança já tenha virado predesconfiança generalizada, assim como conceitos viram preconceitos. Porque aí fica bem mais difícil de recuperar. Querem ver exemplos de predesconfiança para sentirem o drama? A predesconfiança em relação à classe política no Brasil. Ou em relação ao Gilmar Mendes (STF). Eu sei que peguei emprestada uma predesconfiança do veterinário dos meus cachorros e não consigo eliminá-la: se uma mesma pessoa não gosta nem de animais de estimação, nem de plantas, nem de crianças, não consigo confiar nela. Também percebi que não confio em quem é indiferente a música.

E vocês? Em quem vocês não confiam? Vocês estão dispostos a voltar a confiar no mundo em 2009? Tomara que sim. Feliz Ano Novo!

Israel, Faixa de Gaza e o Caminho de Abraão

pic-500-1203388.jpgHoje foi o terceiro dia de ataques aéreos de Israel à Faixa de Gaza, um ataque terrestre não está descartado e essa ação militar já é considerada a pior desde a Guerra dos Seis Dias (1967). Os últimos números que eu vi foram 327 (mortos), 1.400 (feridos) e 7.000 (iranianos que se apresentaram como voluntários para ataques suicidas a Israel). Será que isso terá fim algum dia? Desconfio que não; pelo menos não enquanto o Ocidente ficar tomando partido (qualquer que seja o partido) e enquanto os ocidentais olharem para aquele pedaço do mundo como se estivesse no degrau mais baixo da escada civilizatória e nós no mais alto.

Mas é um bom momento para falar da única iniciativa mais pé no chão que surgiu até agora para estabelecer paz por lá, promovendo o convívio –a “experiência comum”– entre os dois povos e, assim, dando cara ao inimigo para que deixe de sê-lo, e reforçando o ancestral comum, Abraão: o Caminho de Abraão (Abraham Path –tem versão do site em português). Trata-se da construção de um caminho para peregrinos no Oriente Médio, na linha do de Santiago de Compostela, com 1.200 km de extensão. Trabalho de formiguinha, demoradíssimo, mas tem outro jeito? Eles estão no momento tentando mapear e demarcar 150 km em quatro países. A iniciativa tem pouco mais de dois anos e foi do William Ury, um super especialista em negociações internacionais de Harvard, com quem a gente convive aqui na HSM, e provavelmente uma das pessoas mais gente-boa que existem neste mundo. (Curiosidade: o Ury é casado com uma brasileira.) Ury envolveu nessa história dois brasileiros muito bacanas também: um judeu (o rabino Nilton Bonder, que escreveu um livro sobre a experiência de percorrer o trajeto proposto de ônibus em 2006, “Tirando os Sapatos”) e um árabe (Paulo Farah, diretor do Centro de Estudos Árabes da Universidade de São Paulo, que participou da mesma experiência). A iniciativa Caminho de Abraão precisa muito de doações, já que temos falado de doações aqui no UoD (vejam o site). Empresários brasileiros, segundo a revista Veja deu há algum tempo, comprometeram-se a doar Us$ 1,5 milhão entre 2006 e 2010.

Para fechar, escrevi um pouco mais sobre a co-autoria dessa história pelo Ocidente depois do break, se alguém se interessar, só para não acharmos que somos meros espectadores no degrau mais alto da escada. Tive um professor na faculdade que dizia que era tudo culpa dos ingleses. Segundo ele, judeus e árabes conviviam pacificamente até que, na retirada inglesa da região, por volta de 1940, os ingleses (lembrando que o mundo “era” da Inglaterra até a 2ª Guerra; depois é que “passou a ser” dos Estados Unidos) promoveram uma distribuição de domínios que entortou de vez as relações. Não lembro direito, mas era algo como entregarem um pedaço de terra para um e a delegacia que mandava nesse pedaço para outro.

E os ingleses já teriam aprontado antes, na verdade, pelo que ensinam os historiadores. Durante a 1ª Guerra, para expulsar os turcos do Oriente Médio, fizeram promessas para árabes e judeus que criaram expectativas contraditórias e não foram cumpridas. Para os árabes disseram que, estes lutando contra os turcos, ganhariam uma “grande nação árabe independente”. Para os judeus, fizeram a tal Declaração de Balfour, em que aprovavam um “lar nacional judeu na Palestina”. Detalhe: antes de prometer essas duas coisas, em 1915, Londres já tinha fechado secretamente com Paris a divisão do Oriente Médio entre Inglaterra e França. Além disso, dividir os árabes/estimular conflitos entre os árabes tem sido a principal tática dos ocidentais desde então. Simplifiquei muito, claro. Artigo do Le Monde Diplomatique fala um pouco disso também. Não que seja hora de buscar culpados. Buscar culpados é que estraga tudo, aliás.

Design traduzindo as mudanças para você

capaplanob3×56.jpg John Thackara é um inglês que mora na França e deixou de ser jornalista e virou um especialista em design, liderando a importante Bienal de Saint Etiene e atuando na Holanda e Estados Unidos.

Em Plano B, as principais mudanças que acontecem e vão acontecer no mundo são analisadas de uma maneira prática e capazes de tradução para às suas atividades do dia-a-dia. O livro visa a sustentabilidade, mas o faz de uma maneira pragmática, não politicamente correta. Os capítulos são: Sustentabilidade, leveza, velocidade, mobilidade, presença, local, situação, alimento, assistência, aprendizado, percepção, inteligência, desenvolvimento e fluxo. Como diz a curadora de design do MoMa, Paola Antonelli, Thackara tem um sistema digestivo invejável, uma capacidade de processar e resumir o modo como o mundo funciona, apresentando parábolas que deixam a leitura rica. Leitura indicada para quem precisa fazer ou rever planos na empresa.

Todos os detalhes na página do livro no site da Virgília, clique aqui. Você também pode comprar nas principais livrarias virtuais.

Memória Curta

topo.jpgA sociedade está habituada a viver ciclos de dificuldade e prosperidade, e talvez por isso, também tenha adquirido um modelo de proteção que ouso chamar de memória curta, ou seja, para seguir em frente nada melhor do que esquecer o passado. A crise financeira que anda apavorando os mercados mundiais não representa nenhuma novidade, dado que situações similares já estiveram presentes em nossas agendas, tanto é que logo no início desta crise se perguntava se não seria um novo crash parecido ao de 1929.

Quem não se lembra da bolha da Internet? Naquela época lancei alguns questionamentos sobre a insana valorização da Priceline, uma empresa de venda de passagens aéreas através do conceito de melhor oferta. Como poderia uma empresa, sem nenhum ativo, valer mais do que a Delta Airlines? Pois bem, foi isto que aconteceu.

Clique aqui e leia o artigo completo.

Clay Shirky: “a idéia de vídeos que não sejam on-demand passou a ser ridícula”

Fiquei feliz com a notícia que saiu hoje no Estadão dizendo que a TVA e a NET lançarão em Janeiro de 2009 seus serviços de VOD (vídeo on demand). Desde que comprei meu Apple TV, tenho tido a experiência de assistir, vídeos baixados pela internet, no momento que EU estou disponível. Uma das vantagens, é ter a disposição uma infinidade de conteúdo de diversas fontes que podem ser comprados ou baixados gratuitamente. Quem ainda não conhece os conteúdos gratuitos do TED, Pop!Tech e Fast Company TV, não sabem o que estão perdendo.  Quando conto isso por ai, vejo os olhares das pessoas imaginando (ou torcendo) “ainda vai demorar muito para chegar no Brasil”. Na edição atual da HSM Management, fiz uma entrevista com o Clay Shirky, professor de novas mídia da NYU. Como já tinha visto uma palestra dele, que por sinal foi baixada pela internet, falando sobre “vídeos online”, fiz a seguinte pergunta pra ele: Tem mais uma coisa que, desconfio, as empresas ainda não compreenderam: o poder dos vídeos na internet. Qual é sua opinião sobre isso? Eles vão impor mudanças à TV convencional?

Shirky respondeu:

“Eles estão mudando, sim, a televisão, porque estão revolucionando a demografia mundial. Dos anos 50 até muito recentemente, as pessoas de cada grupo demográfico assistiam mais à televisão do que no ano anterior. Pela primeira vez, estamos testemunhando uma mudança entre os jovens, que agora passam mais tempo plugados na internet interagindo. Quando eles distribuem suas horas entre as mídias, a TV fica com a menor fatia e a internet com a maior. Parte dessa fatia maior são os vídeos, parte não, mas uma das coisas que esses vídeos estão fazendo com a televisão tradicional é minar quase qualquer coisa que ela faz no que se refere a formato –com seus programas divididos em unidades de meia hora, atrações que vão ao ar em horários determinados e o espectador tendo de ligar a TV quando o programa está sendo transmitido.
O setor de TV estava se preparando para vender vídeos on-demand, como se fosse um serviço, mas a internet mostrou que todos os vídeos têm de ser on-demand. A idéia de vídeos que não sejam on-demand passou a ser ridícula. Agora queremos poder assistir a eles quando quisermos. O YouTube definiu o paradigma. De repente, a idéia de oferecer esse tipo de serviço de alto preço para que as pessoas tenham controle sobre seu tempo soa ridícula. Eu penso que grande parte do mercado ainda não compreendeu a dimensão dessa mudança de expectativas das pessoas que estão assistindo aos vídeos on-line. ”

Quem quiser ler a entrevista completa, baixe o pdf aqui.

“A Web é um playground para inovação” Chris Anderson

Pense duas vezes antes de escrever um prefácio ou recomendação…

alan-greenspan.jpgmadoff.jpg Se você ainda não leu o livro do Alan Greenspan, A era da turbulência, ainda não leia, espere a próxima edição, ele já lançou uma segunda, tentando explicar um pouco toda essa crise, coisas que não viu ou não pode ver. Agora, ele deve lançar uma terceira, se a faixa da segunda foi vermelha, com esquema de corrente, não sei que cor terá a faixa da terceira.

Na primeira edição a apresentação à edição brasileira é do Pedro Malan, a quarta capa é do Arminio Fraga e começa assim: “Quem estiver interessado em entender o mundo que nos cerca não pode deixar de ler …” Ainda bem que Fraga não cometeu tamanho erro da condução do Banco Central, não que eu tenha sabido, nada que se aproxime do que aconteceu com a empresa de Bernard Madoff, o sorridente e sério senhor ao lado do “maestro” aí em cima.

Eu confesso que não li o livro, pedi para a editora para fazer uma resenha, mas logo de início desisti. Tinha ficado com um certo peso na consciência, mas senti-me vingado depois de todos os escândalos antigos. A atitude de Greenspan querendo se justificar já não me convenceu, mas agora ter sobre sua biografia um golpe tão antigo e primário como pirâmide, acho sinceramente demais. O pior é ler que havia 10 anos que denúncias chegavam. Pouco foi feito, preferiu-se conduzir o que estava dando certo, postergando para o futuro. Pense duas vezes antes de fazer uma recomendação, mas pense ainda mais duas vezes antes de não investigar os fundamentos e acreditar que o pior não acontece. Será que nos Estados Unidos há muitos anos não se lê a Lei de Murphy?

Se você não está trabalhando em uma tarefa, você está enrolando!

spam2 A única exceção a essa frase é quando você está em uma reunião (se bem que as vezes você enrola na reunião).

O ser humano executa suas ações diárias a partir de uma Tríade de possibilidades: reuniões, tarefas ou conhecimento.

Reuniões são bem óbvias, são as ações com hora para começar e terminar (pelo menos deveriam ter hora pra terminar).

Tarefas são muita vezes mal entendidas, mas qualquer atividade que precise de seu trabalho durante o dia é uma tarefa. Ligar para alguém, fazer um relatório, escrever um e-mail, escrever esse post, etc enfim tudo é uma tarefa!

Isso significa que se você não está fazendo uma tarefa, você está enrolando! Cruel? Não, apenas realista. Quando você fica navegando na Internet sem motivo, quando você fica jogando paciência, quando você fica olhando para o nada, etc você está simplesmente enrolando e não fazendo uma tarefa que gere um resultado!

Por isso, para que seu foco não se perca, crie sua lista de tarefas, tudo que deve ser feito ao longo dos dias da semana. Qualquer atividade nova, deve virar tarefa. Priorize a sequência de execução e foque! Constantemente se pergunte: O que eu estou fazendo é uma tarefa? Se não for, você está enrolando!

 www.maistempo.com.br

Saem os executivos, voltam os donos

executivo-caindo.jpgPouco mais de uma semana, a família Schincariol anunciava que estava reassumindo o comando da empresa. O executivo Fernando Terni, que ocupou a presidência no período de um ano e dez meses, era substituído por Adriano Schincariol. Fala-se que a medida nada mais é do que uma reação aos efeitos da crise que teria levado ainda o empresário Abílio Diniz a retomar funções executivas no grupo Pão de Açúcar e a WTorre ter demitido Marco Antônio Bolonha recentemente, há apenas nove meses de sua contratação para o posto de Chief Executive Officer (CEO). 

Dias depois era a vez dos jornais noticiarem a volta dos herdeiros da editora Martins Fontes à administração do negócio. Curiosamente, dois anos após a profissionalização da companhia e a contratação de um executivo do mercado. Neste caso, a decisão não estaria associada ao cenário de turbulências econômicas. E sim a falhas no modelo, segundo afirmação do filho  mais novo, Evandro Martins Fontes, em entrevista ao jornal Valor Econômico.  

Ambas as situações refletem não apenas a difícil missão que as empresas familiares enfrentam  para sobreviver. Mas abre discussões sobre a opção que alguns executivos fazem ao trocar o emprego em multinacionais de peso por grupos que têm seu capital concentrado nas mãos de famílias.   

Embora muitas delas já estejam a caminho da profissionalização e outras, como Votorantim, Itaú e Gerdau, destaquem-se pelo patamar que alcançaram, não podemos esquecer que todas continuam enfrentando o problema da sucessão e o papel de seus herdeiros na perpetuação do negócio.  

É preciso muito jogo de cintura para lidar com as interferências dos herdeiros, disputas pelo poder e ao mesmo tempo driblar as situações adversas que o mercado impõe. Mais ainda. Entender que por trás de uma aparente oportunidade, não se deixa de estar vulnerável a decisões que podem mudar o curso da história.  

Terni, quando deixou o comando da Nokia no Brasil para aceitar o convite da Schincariol, certamente não imaginava que fosse ter uma passagem tão rápida e meteórica pela fabricante de bebidas. Seduzido pelo desafio de transformar o cenário de uma empresa que teve sua imagem arranhada em 2005 – época em que a família Schincariol ficou detida na Polícia Federal, alvo de denúncias de sonegação fiscal - submeteu-se ao componente risco, inerente a trajetória daqueles que buscam uma carreira de sucesso. 

Não podemos esquecer que o risco faz parte do jogo e só os vencedores sabem o quanto enfrentá-lo durante o caminho acaba sendo um fator fundamental para se chegar ao pódio. Mas vale aqui lembrar que nem sempre apostar no escuro é sinônimo de vitória. Será que realmente vale a pena? Essa é uma pergunta que deve ser feita antes de qualquer decisão. Mesmo porque há riscos e riscos.  O executivo Antônio Maciel Neto deu mais sorte – ou, talvez, tenha conseguido acertar em sua escolha -, ao trocar a presidência da Ford para América do Sul pelo comando da Suzano Papel e Celulose, controlada pela família Feffer. 

Com ou sem crise, atuar em um negócio familiar exige muita visão, talento e capacidade de ultrapassar obstáculos. Reconheço que não é tarefa fácil, embora hoje os processos de gestão estejam mais bem delineados. Tanto que assistimos a uma nova geração de executivos ocuparem uma posição que por muito tempo era destinada quase exclusivamente a controladores e seus herdeiros: a presidência de empresas brasileiras.  

Trata-se de uma classe emergente no país. Segundo pesquisa da Fundação Dom Cabral, que envolveu companhias nacionais de grande e médio porte, 30% já possuem presidentes não acionistas. Apesar de vivermos um intenso momento de transição e maturidade dentro das empresas, ainda há no sangue de muitas famílias o ranço do controle e poder.  

Vejam a postura de Adriano Schincariol e Abílio Diniz que diante da crise resolveram voltar ao dia a dia de suas companhias. A grande volatilidade do mercado, que os levaram à decisão de entrar em cena novamente como afirmam, não impacta tão somente os negócios familiares. Mas a trajetória profissional daqueles que decidiram apostar numa mudança de rota. E aí, é a sua carreira que está em jogo.

Bill George sobre liderança

bill-george.jpgParte dos leitores deste blog já deve conhecer o Bill George. Foi o super CEO da Medtronic (fabricante de marca-passos), é um super especialista em liderança da Harvard Business School e é um dos meus pensadores favoritos na área de liderança. Ele escreveu o livro “True North”, falando sobre a liderança autêntica, em que conta sua descoberta baseada em pesquisas de que infâncias sofridas/problemáticas levam a líderes autênticos, que servem os outros em vez de quererem brilhar etc. Tem aquela coisa da superação, porém vai além.

Bom, o Bill tem um website feio que dói, talvez o mais feio da lista dos top-ten-plus mais feios, mas lá vocês podem ler um pouco do que ele escreve para publicações como Wall Street Journal e Business Week ou em seu blog. E podem assinar para receber os updates (vale a pena!). Bill vem lançando temas como a “We generation” (geração Nós) de liderança simbolizada pelo Barack Obama (em contraponto à “Me generation” que ainda prevalece) ou a interpretação da crise global atual como, principalmente, uma crise de liderança empresarial. E, nos últimos dias, por exemplo, ele propôs uma solução prática para a crise da General Motors.

Como não escrevi os post-its dominicais essa semana (vou retomar em janeiro, agora é época de festa!), queria deixar a dica do site do Bill George, que merece mesmo atenção. Apesar da feiúra! (E eu que dizia que conteúdo e forma deviam ser duas metades da mesma laranja…vi que no caso do site do Bill esse objetivo está muito longe de ser alcançado…) Sugiro especialmente que os leitores baixem os pdfs com exercícios e testes de liderança.

A ascensão dos “jorno-gurus”

Como nada acontece por acaso, estava eu surfando pela internet quando encontrei uma crítica sobre “livros de negócio escritos por jornalistas”. O autor, que chamou esses escritores de “journo-gurus”, fala da ascensão desse  tipo de publicação, que segue a fórmula: simplificar ou exagerar. A idéia é pegar um tema e ilustrá-lo com inúmeros exemplos sem ir muito a fundo em suas complicações. Pelo que me contou o Wagner Brenner, o novo livro do Gladwell “Outliers” segue exatamente esse modelo. Quem leu “O Mundo é Plano” sabe que a idéia central do livro é simples, e o autor fica dando exemplo após exemplo. Recentemente, li outro livro desse tipo “The Numerati”, escrito pelo editor da Business Week, que também segue a fórmula descrita: “o mundo gira em torno da matemática e aqui estão alguns exemplos”.
O artigo a que me refiro nesse post é da Intelligent Life, revista-irmã da The Economist  e coloca os jornalistas lá em cima e desdenha o que ele chama de “indústria da teoria de gestão de bilhões de dólares”. Não sei o que escolher, livros rasos com samba (estilo Blink, do Gladwell) ou livros pesados sem ritmo (estilo On Competition, do Porter). Um paralelo que eu faço é dos palestrantes com conteúdo mas sem entrega com aqueles que dão show mas não dizem nada. Na maioria das vezes, as pessoas preferem o samba…
Prefiro pensar que ambos possuem um papel importante, um vai a fundo, analisa os dados e faz o trabalho sujo e o outro simplifica e entrega tudo mastigado e com as notas nos lugares certos. A solução talvez seja o que muitos “autores” já fazem, pegam um jornalista, entregam o draft e pedem para que eles apliquem sua mágica editorial.

Guy Kawasaki e seu amor ao Twitter

Guy Kawasaki acaba de lançar um novo livro chamado Reality Check, com o melhor do seu pensamento sobre empreendedorismo. Nessa entrevista (19 min.) para a FastCompanyTV ele fala sobre o livro, Steve Jobs, dicas para empreendedores e o seu amor ao Twitter. Segundo ele, a ferramenta de microblog é uma arma e é mais importante pra ele do que o celular!

Quem quiser pode fazer o download do arquivo aqui.

Acaso ou necessidade?

patos.jpgNada melhor do que uma situação de crise para provocar profundas reflexões sobre suas conseqüências, especialmente o que poderia ser evitado. Claro que o passado nos ensina a ver o futuro, mas acima de tudo nos ajuda a estar preparados para nao cometer os mesmos erros. Pois então, estamos vivendo agora o momento da reflexão da atual crise financeira que assola o mundo, ou seja, olhar para trás para entender o que aconteceu, e planejar melhor o futuro.

Muitas empresas estão se antecipando e fazendo uma limpeza em seus quadros através da eliminação de gente – em muitos casos não de posições – para acomodar-se a nova realidade. Ha uma confusão, talvez premeditada, entre crise financeira e crise na empresa, ou seja, muitas empresas estão aproveitando a situação da crise de mercado para redefinir seus quadros de pessoal.

Clique aqui e leia o artigo completo.

Como evitar/melhorar a reunião para decidir a festa de fim de ano

São 15hs da última quarta-feira de novembro, sete pessoas reunidas para definir a festa de fim de ano da empresa. A gerente de RH começa dizendo da necessidade de pensar na festa de fim com algo diferente e que integre toda a equipe, pede sugestões de lugares e atividades. Cada um começa falar de um lugar, depois alguns começam a falar de comes & bebes, de sugestão de palestrantes ou DJs, começam a lembrar das festas anteriores e algumas horas depois todos saem com a missão de pensar em algo diferente para a próxima reunião.

Esse é o tipo de reufogos nião que pode ser extinta da empresa! Reuniões assim só servem para marcar uma próxima reunião e gastar dinheiro a toa da empresa.

A sugestão nesse caso é transformar a reunião em uma lista de tarefas previamente distribuídas antes da reunião. Assim os participantes já vão trazer os assuntos pré-executados e a reunião flui mais fácil e em menos tempo. Um e-mail como o abaixo, poderia economizar boas horas:

Prezados Colegas,

Precisamos definir a festa de fim de ano ainda esta semana. Para adiantar os assuntos, peço que já tragam para discussão:

A) 3 sugestões de datas para serem votadas

B) 2 sugestões de lugares de festa (com sites e telefones de contato)

C) 2 sugestões de atividades diferentes e que integrem a equipe

D) Sugestões de cardápio

A reunião definirá os itens acima e estabeleceremos próximas atividades com as decisões efetivadas.

Shelfari, a comunidade dos livros

(Por Arthur Soares via UoD)

Esse é mais um aplicativo web que me despertou uma certa curiosidade hoje. Ele deve ser baseado em cima do Delicious Library - que permite você catalogar uma infinidade de coisas, até sua coleção private de pulgas albinas - porém é restrito à livros e tem um toque de colaboração com outros usuários.

Resumidão: Parece uma mistura de Last.fm com user ratings do Amazon.com.Basta adicionar os livros que você: pretende ler, está lendo ou já leu. Existem vários grupos de bookworms dentro do site. Acho que a ferramenta promete, a interface é super fácil de usar e dá um panorama legal do que você lê (BTW, shame on me.), mas ainda falta amadurecer bastante para chegar na coletividade do Last.fm.

Aqui o link e meu profile lá.