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Arquivo do autor Marcelo Melo, Virgília

Parece que há espaço para produtos sinceros… Virada nas eleições no RJ

gabeira.jpgVoto em São Paulo mas estou satisfeito de ver que os cariocas mostraram que ainda há esperança na sociedade brasileira. Eles costumam brincar, só lá um casal Garotinho conseguiria ser governador, mas desta vez o deputado Fernando Gabeira deu uma virada interessante. Saiu lá de baixo, começou a crescer e venceu sem grandes malabarismos. Talvez não tenha chance no segundo turno, lutará contra a máquina estadual e federal, confesso que não sei para onde vai o atual prefeito, mas só esta ida ao segundo turno é um sinal também para o setor privado. Há espaço para produtos mais verdadeiros, sem promessas falsas, sem grandes maquiagens.

Biblioterapeuta, mais uma profissional para ajudar a sua carreira

school-of-life-2.jpgschool-of-life.jpg  Eu já tinha lido em algum lugar, hoje deu no Mais a nova escola do autor/filósofo/limítrofe entre guru auto-ajuda e intelectual, Alain de Botton. É algo parecido com as escolas que surgiram no Brasil na esteira da Casa do Saber de São Paulo (hoje na cidade é possível estudar coisas das mais interessantes às mais esdrúxulas, com pessoas interessantes). Há tempos atrás com um amigo investiguei o mercado, um professor de grande destaque da Casa do Saber afirmou categoricamente, sem paquera não funciona, fica aqui a dica. Não sei se londrinos também buscam essa conjunção entre o conhecimento de conceitos e pessoas.

A versão inglesa parece mais focada em conteúdo, tem além dos cursos, terapia para casais, famílias e indivíduos. Criou uma nova profissão, a da biblioterapeuta, alguém que ajuda você a cumprir um programa de leitura compatível com a sua vida. Diz lá que para ler a oferta disponível na Amazon, necessários seriam 163 existências, assim, sua biblioterapeuta investiga os seus interesses, indica os livros, acompanha a leitura e faz uma discussão posterior para checar o aproveitamento, isso pode ser presencial, por telefone ou e-mail. Na loja, só são vendidos os livros selecionados.

Fica no centro de Londres, tem também um blog. Clique na ilustração da biblioterapeura acima e visite o site. Olha a leitura aí tentando se reinventar…

Depois de ser pequeno, antes de ser grande: terra de ninguém

nomans.jpg Sintoma maior que este impossível: estava lendo a Inc, edição das empresas que mais crescem, e só quando fui buscar o link para esta matéria me dei conta que peguei a edição do ano passado, provavelmente ainda não lida, ao invés da de 2008… Será que tenho solução? Se olharem meu criado mudo, irão me mandar ajuda rápido… Mas lá li uma entrevista do Doug Tatum sobre um momento muito importante das empresas, a que ele chama de “Terra de Ninguém”, que ainda está muito atual. Para quem é empreendedor vale a leitura, é só clicar na imagem da capa do livro que será direcionado para a entrevista no site da revista.

Os pontos mais importantes são em relação a dificuldade de obter crédito quando se chega a um tamanho onde a empresa é bem maior que o patrimônio pessoal, mas ainda menor que o mínimo esperado pelas empresas de private equity (realidade cada vez mais presente no Brasil) e a dificuldade de fazer a transição das pessoas. Se você é empreendedor já deve ter passado ou imaginado a situação onde as pessoas que te acompanharam desde o início, aquelas que passaram pelos momentos mais difíceis, aquelas que ganharam cargo ao invés de salário, chegaram ao ponto em que podem colocar todo o seu negócio em risco. O consultor Tatum deixa claro que quando se deixa de ser pequeno, as pessoas estratégicas precisam ter vivenciado aquele novo momento, ele não pode ser novidade, como o será para aqueles que te acompanham desde o início. Ele pessoalmente passou por isso, é duro, demitir aqueles que foram fiéis é algo pessoalmente cruel para o empreendedor.

Outra dica importante para identificar o estágio “Terra de ninguém” é observar o mercado, ele dá o exemplo, quando sua empresa fatura 10 milhões e não há competidores maiores, digamos, menores do que 50 ou 100 milhões, saiba que não vai ser nada fácil atravessar essa zona, para isso é preciso estar preparado, não se está mais no estágio que o empreendedor dá conta quase que sozinho de fazer as entregas aos clientes. Preparar a empresa para esse novo desafio pode custar mais caro do que ela está preparada, por isso tantas empresas morrem ao tentar crescer, muitas vezes é melhor ficar parado num tamanho menor. Parar ou ir adiante? Veja o que Tatum tem a dizer.

Limite entre o privado e o privado - O que o presidente da Nestlé quer vender?

Matéria do Estadão de hoje fala sobre o leilão que Ivan Zurita, presidente da Nestlé (sic), vai realizar para atrair para as suas premiadas vacas os sem-fazenda. Sempre achei o nível de exposição dele, nessa atividade particular, excessivo. Se fosse uma estatal, já teria que ter sido demitido, no caso dele, os resultados devem impor à matriz uma paciência maior. As velhinhas suíças não devem se incomodar que algumas celebridades compradoras dos bois, ou de parte deles, como explica o empresário, (ou será executivo?) também apareçam em estratégias de marketing da empresa.

Existe um limite entre essas duas atividades? Não deveria o presidente de uma empresa dessas focar todo o seu tempo, energia e espaço na mídia para maximizar os resultados dos acionistas que aprovam sua remuneração? Ou então, desta desligar-se e aí focar na atividade privada?

Ainda hoje!

escravos.jpg Tem no Globo de hoje uma reportagem sobre trabalho escravo no Brasil. Não, não é uma revisão histórica, é uma denúncia e uma descrição do Pacto Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, criado em 2005 para acelerar o extermínio dessa prática no Brasil. Essa instituição acabou de expulsar duas empresas por reincidência, isso mesmo, não só se utilizavam de práticas trabalhistas escravagistas ou muito próximas a isso, como também faziam cara de conteúdo e de “boas moças” em reuniões para discutir o assunto.

Um país não pode discutir gestão, querer ser destaque no BRIC se ainda conviver com isso. De 1995 até 1 de setembro de 2008 30.687 pessoas foram libertados. Só neste ano foram 2.920. Aliás, falando em BRIC, há muito aplauso para os feitos chineses, mas com certeza, muitos aplausos de olhos fechados para essa situação. Se aqui estamos nos milhares, especulo se lá não estamos pelo menos nas centenas de milhares… Quanto vale uma bela margem de lucro?

Sucessão: tema difícil para quem sai

jobs2.jpg Quantas empresas familiares desaparecem porque o fundador ou o empresário no posto de comando tem dificuldades em formar ou escolher a hora certa de passar o bastão? Talvez esse seja o principal desafio de um empreendedor de sucesso. A mesma força interna que o fez ir muitas vezes contra tudo e contra todos, tem que ir contra aquele que nunca foi, ele mesmo. Não é fácil. Além da força há a questão do ego, para quem se acostumou com a escalada vertical, imaginar ou aceitar a descida física é sempre incomodo, no mínimo, humano.

A Apple já está longe de ser uma empresa familiar, tem uma história invejável. Sou fã de Steve Jobs, tento colocar os feitos à frente dos relatos da dificuldade de se relacionar com ele. É incrível o que fez com a Apple, mas apesar de aceitar que a saúde dele é algo que lhe diz respeito, isso deixa de ser verdade na medida em que não deixou espaço para mais ninguém crescer. É consenso, pode até não ser correto, que a Apple sem ele, terá problemas. A imagem aí acima, reprodução do Estadão, é inegável. Ontem a Bloomberg cometeu o erro de divulgar o seu obituário. Os principais veículos e agências ligados ao setor talvez já tenham uma parte do material pronta. Para Steve deve ser indigesto encarar isso, mas já passou da hora de usar a mesma estética clean de seus produtos nas ações da empresa. Que se mostre que a Apple vive sem Jobs, todos continuarão torcendo para que ele possa assistir ou colaborar com seu sucessor.

Embalagem: a dos produtos e a sua!

embalagens.jpg O caderno Vitrine da Folha de S. Paulo de ontem trouxe uma interessante discussão sobre embalagem. Mostra toda a transformação que o conceito de embalagem vem obtendo nos últimos tempos e o quanto hoje os seguintes aspectos são fundamentais: durabilidade (sim, você vai voltar a e levar a “garrafa” ao supermercado); utilidade (a tal da Gropack permite que os fungos e vegetais ainda cresçam no ponto de venda); retrô (sim, apesar de avançar a passos largos o ser humano também quer conexões com seu passado); e simplicidade (pouca cor, um aspecto de papel craft pode ajudar os produtos a se diferenciarem numa gôndola excessivamente colorida…).

Além disso, as sacolinhas já fizeram a cabeça dos formadores de opinião e devem se espalhar entre todas as classes, isso mesmo, quem já achou ridículo aquela sacolinha da avó fazer feira vai descobrir que certa mesmo era a vovó…

Tudo isso porque as pessoas começam a perceber que além da embalagem, o conteúdo dos produtos é fundamental. O mesmo vai valer para as pessoas. De nada vai adiantar você contratar um personal stylist, por mais criativos que esses possam ser, daqui a pouco vai estar todo mundo igual, não mais como nos tempos de IBM, mas variando entre 4 ou 5 modelitos. Invista no conteúdo, não só na embalagem. No produto da “firma” da qual é responsável e principalmente no seu caso.

Escolha de Sofia - Dê a sua opinião

escolha-de-sofia.jpg Estou escrevendo uma parte de um livro que discute as opções que todo o profissional precisa fazer. Gostaria da sua opinião, participe! A pergunta é : É possível conciliar sucesso e qualidade de vida? Ou é necessário optar por um dos dois? É claro que o equilíbrio seria o melhor, o ideal. É possível ou tem-se que escolher um dos dois?

Desse dilema me lembrei de um filme que ainda não tinha assistido e assisti agora: A escolha de Sofia. É um filme de 1982, baseado num livro e dirigido por Alan Pakula e conta a história de Sofia, uma polonesa vivendo nos Estados Unidos após ter sobrevivido a um campo de concentração mas sempre atormentada pelas lembranças do passado. Mas não foram só os absurdos vividos no campo de concentração que todos percebiam pelo número gravado no seu braço. Não conseguia se abrir sequer para o companheiro, o fez apenas para um amigo: ela na entrada do campo teve que fazer uma opção, qual filho viveria, qual filho seria morto. Se tentasse salvar os dois, os dois morreriam decretou o soldado nazista. Escolheu o mais velho e a filha mais nova foi sacrificada. Imaginem todos os lamentos e fantasmas que a acompanharam ao longo da vida.

O que você acha? Como executivo você consegue equilibrar sucesso e qualidade de vida ou terá sua escolha de Sofia? Mande suas idéias e comentários para mim: contato@virgilia.com.br.

Teoria x prática de consumo

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A American Apparel é um fenômeno de vendas, uma marca jovem, desejo de vários adolescentes e adultos mundo adentro. Um fenômeno que se viu diante do dilema: manter o apelo ecológico ou mudar para algo mais voltado ao sexo. O que você faria com a marca sob sua responsabilidade? Reforçaria a não utilização de trabalho forçado, o fato de produzir nos Estados Unidos ou optaria por uma linha de comunicação mais apelativa aos instintos básicos do ser humano?

Talvez seja mais produtivo ouvir profundamente o consumidor. O Journal of Industrial Ecology diz que apenas entre 10 e 12% dos consumidores desviam de sua rota em busca de produtos favoráveis ao meio ambiente. Mas o teste mais interessante tem a ver com os dois produtos acima e foi feito pelo Yale Center for Costumer Insights. No mercado, consumidores acrescentam à balança do preço, qualidade, conveniência, prazer, os inúmeros símbolos derivados dos produtos que criam racionais de compra.

Se você tivesse 50 dólares para gastar e a imposição de gastar, qual dos dois produtos acima você compraria? Isso mesmo, escolha entre uma calça jeans e um aspirador de pó. Acho que fica claro que o objetivo era contrapor algo pessoal, com um pouco de luxo a algo utilitário. Fez sua escolha? Agora compare.

As pessoas foram divididas em 2 grupos. Ao primeiro grupo foi oferecida a mesma escolha que te ofereci acima. Qual foi a preferência? 72% optaram pelo aspirador de pó. Ao segundo grupo antes de se apresentar essa mesma opção, discutiu-se  sobre trabalho voluntário, antes da decisão de compra, as pessoas escolhiam se preferiam ensinar crianças carentes ou trabalhar em atividades de proteção ao meio ambiente. Depois dessa escolha, restava optar por aspirador de pó ou calça jeans. Ali, a maioria, 57% preferiu a calça jeans.

Para as pessoas que eu apresentei o teste, a opinião foi sempre contrária, a sensação de que pessoas que fazem trabalho voluntário preocupam-se mais com os outros. Mas a explicação oficial é diferente e mais próxima da natureza humana. Quem faz algum trabalho voluntário sente-se mais livre para indulgências pessoais… Como se comporta o seu consumidor?

Corrupção: o tema

hobbes-x-rosseau.jpg Todas as operações da Polícia Federal, o post do Júlio logo abaixo, o caderno de final de semana do Valor de hoje de uma maneira ou outra falam de corrupção, de valores. O estudo que dá base para a matéria do Valor é sobre um livro que irá ser lançado: A corrupção - Ensaios e Críticas, 62 capítulos mostrando visões plurais sobre o tema.

O problema que vejo é que esse é daqueles assuntos onde todo mundo, pelo menos de um nível mais escolarizado, onde escola poderia funcionar como sinônimo de hipocrisia, é contra e a recrimina. O duro, é manter-se contra quando ela bate a nossa porta, quando faz diferença no nosso interesse, pessoal, ou da empresa. Sim, da empresa. A corrupção é um problema gravíssimo no Brasil porque as empresas são as grandes corruptoras, é claro que como dizem nas melhores empresas, os recursos humanos são seus principais ativos, ou seja, pessoas é que são corruptores e corruptos. Muitos tendem a agir de forma diferente às claras e às escuras, é por isso que no meu modo de ver, você precisa escolher entre os dois senhores aí acima. Qual deles expressa melhor o que você pensa, o da esquerda ou o da direita? Thomas Hobbes ou Jean-Jacques Rousseau?

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A cadeira, o poder, Daniel Filho e você …

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A revista Poder de julho traz uma interessante entrevista com Daniel Filho. Sim, para quem não se lembra, ele não é apenas um diretor de filmes e séries, já foi o todo poderoso da Central Globo de Produção. Além de muito dinheiro, tinha prestígio e era invejado, ou seja, dinheiro, poder e mulheres, muito do que um homem sonha. E o que ele fez? Abandonou tudo isso e hoje é capaz de falar verdadeiramente sobre o poder, reflita antes que esse poder te corrompa…

DF: Tem várias formas de poder. O primeiro, que considero, é o poder de fazer. A liberdade de poder fazer vem antes do poder mandar ou poder dominar. Quando você, por acaso, se vê num caminho, como me aconteceu, numa posição de poder, ele é embriagador, realmente tonteia, porque eu não sei quais são as pessoas preparadas para ele. É uma droga no sentido de entorpecer. E violenta.
Poder: O poder vicia?
DF: O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Então você fica num processo que pode viciar, sim. […] em determinado momento alguma coisa de lucidez aconteceu, era querido e amado por eles, e pedi demissão.
Na época, foi vista de uma forma muito estranha. […] Porque ninguém poderia imaginar, em são consciência, que eu chegasse a esse cargo e pedisse demissão. E para fazer o quê? Nada. Simplesmente sentia que a cadeira na qual me sentava era a do poder. Estava me confundindo com ela. Queria saber que era eu e qual o significado dela. Mas sabia que a cadeira era mais forte do que eu, disso tinha consciência.
Poder: Com que idade você estava?
DF: Tinha 53 anos e disse para mim: “ainda tenho tempo de rever minha vida e de me recolocar”. E foi uma experiência maravilhosa, porque ao sair da cadeira, você começa a tomar porrada. Não é a vida, é realmente a cadeira que tem o poder. Existem pessoas que têm o poder do dinheiro, são herdeiros, e com esse dinheiro ficarão ad eternum. Portanto, elas nunca irão vivenciar o barato que tive, que é tremendo: você pode se jogar nessa montanha-russa, se jogar nesse bungee jump. E pode ser que, nesse pulo, a corda arrebente, você se quebre ou morra ou, então, bata no fundo e volte.
Poder: Foi difícil?
DF: Foi difícil, sabia que ia tomar uma porrada, mas não que tomasse uma tão grande.
Poder: Por que?
DF: Porque você é totalmente abandonado, fica sozinho, some tudo à sua volta, tudo que era fácil deixa de ser. As coisas passam a não acontecer mais. Mas, puxa vida, que bom que eu pude fazer isso, porque soube depois quem é o Daniel Filho, sem a cadeira, sem ser o diretor da Central Globo de Produção. E, por livre e espontânea vontade, disse: “Se der algum chabu aqui, tenho como me recuperar de alguma forma”. E dei a sorte de produzir, fora da Globo, um programa que foi um gol certeiro: Confissões de Adolescente. Pude ver que o padrão de qualidade não pertence à emissora. Pertence, sim, a cada um dos diretores que fazem, pertence a quem é um bom profissional. E agora sei que o poder que tenho me pertence. Ele é meu. Se tenho algum poder é porque uns têm e outros não.

Dois estilos brasileiros? Qual é o seu?

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O jornalista Elio Gaspari na sua coluna de hoje na Folha ousa criar dois padrões de empresário brasileiro, Dantas x Lemann. Observa que curiosamente que um está quase ofuscando o brilho do outro, mas pela razão errada. Para Gaspari Dantas ia muito bem até que numa encruzilhada escolheu o caminho errado e deu no que deu, no que todos sabemos (aliás, ou se é muito próximo, ou se sabe pouco, muito pouco). Já para Gaspari, Lemann representa a nova face do empresariado nacional, muito mais meritocrático, independente do setor público. Admiro Lemann, confesso que não gostaria de trabalhar em “tamanha meritocracia” e torço que Gaspari esteja certo, que os caminhos foram outros, que a construção desse império cervejeiro sobreviva a qualquer investigação, da polícia federal, do FBI, de quem quer que seja.

Também invejo Lemann, não só pela conta bancária, mas principalmente  por conseguir trabalhar com coisas que não lhe impactam emocionalmente, ou seja, é o maior cervejeiro do mundo, mas não degusta as cervejas que produz…

E você, que tipo de empresário é? Para qual tipo trabalha? Em tempos de discussão no judiciário, se a sua consciência não está tão tranquila, melhor não confiar tanto no habeas corpus…

VGBL ou PGBL? Ainda a aposentadoria do Bill

aposentadoria.jpg Não deveria revelar, mas meu senso de blogueiro me impede de guardar esse segredo. Esse pequeno livrinho aí do lado foi a fonte de Bill Gates para conseguir se aposentar aos 52 anos de idade e partir para a tão falada segunda carreira. Isso, conseguindo reservar para si apenas 1% do patrimônio que amealhou. O restante fica para a fundação que criou com a mulher. O único problema é que está esgotado, já liguei na editora, talvez com esse post, eles imprimam mais.

Já que não é possível ler esse livro agora, sugiro a coluna de hoje da Ilustrada do João Pereira Coutinho. Traz muito menos dicas, é mais reflexiva e passa por uma série de pontos sobre o sistema capitalista, a vida no mundo corporativo e aposentadoria. Muita ironia, o jornalista não é do mundo corporativo, mas no final uma rendição ao trabalho de Bill Gates e ao surto de inveja que a aposentadoria dele causou em muitos de nós.

Se o mundo se divide entre seguidores do Bill x seguidores do Steve, a disputa ganhou desde ontem novas faces. Sim, eu também sou usuário do primeiro e mais admirador do segundo. O importante é que cada um deles está construindo o seu caminho. E eu? E você? Como vai ser o vídeo da nossa aposentadoria?

Filme cabeça. Para ficar na cabeça

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No filme do diretor Nicolas Klotz , A questão humana, um executivo de RH que até então se orgulhava da participação no enxugamento da empresa recebe uma missão quase secreta: checar a sanidade mental do presidente.

Isso poderia ter sido explorado de várias maneiras. Mas o filme é francês, a empresa é uma multinacional alemã com importante atuação na França e ele ganhou o prêmio de crítica da Mostra de São Paulo de 2007. O que isso quer dizer? Que está longe dos enredos caminho do sucesso, ou queda e recuperação dos heróis do cinema americano. Vale assistir? Só para os mais acostumados a cinema europeu. Se você só gosta de Hollywood, não perca seu tempo, mas também não desconsidere que quem vos fala acha uma perda de tempo se concentrar nos filmes de Hollywood, por uma questão muito simples. A vida fora do escurinho do cinema é um pouco mais complexa e menos conto de fadas do que geralmente lá relatados.

O filme mostra algumas cenas dos executivos participando de festas raves, mas o que mais ele mostra é não só o jogo de poder numa corporação, mas também como os executivos, por mais poderosos que sejam, não estão imunes as lembranças e outras questões da condição humana. A comparação é propositalmente forte: os critérios de seleção e treinamentos de superação de limites dos Rhs são aproximados de práticas nazistas. O diretor vai mostrando o drama do narrador e vai passando para o expectador o incômodo de uma resposta muito utilizada no dia-a-dia corporativo: “eu estava apenas cumprindo ordens”. Klotz mostra que era essa a desculpa dos oficiais da SS Nazista. Só para quem tem estômago.

Não dá para abrir os ouvidos apenas para música!

naomi.jpgQuem aqui lê revista Cult? Pode ser preconceito mas achei que era um número baixo de internautas, daí resolvi aprofundar a discussão dessa canadense de 38 anos. Naomi Klein conseguiu aparecer para o mundo com seu livro NoLogo, agora lança um novo livro questionando partes do sistema. Vale ler? Esqueça que ela se mostra simpática ao Chaves. Para mim nenhum dos dois Chaves que você consegue imaginar merecem respeito. Um terceiro que me veio a mente, o Juca, respeito por ser são-paulino, mas não estou aqui para falar de futebol. Queria deixar claro que se já fui socialista na juventude, assumi o capitalismo, reticente, mas assumi por não ver nada melhor, reticente por duvidar da capacidade dos homens, e portanto das empresas, de parar num nível adequado, quase sempre se continua querendo mais, indo além do limite do decente, mas isso é outra questão.A entrevista de Naomi vale pelo conceito do “Capitalismo do desastre” que quer dizer que existem sim muitas empresas se beneficiando, torcendo e até fazendo lobby pela desgraça. Aí entra desgraça num sentido amplo, natural ou causada pela incompetência ou omissão dos homens. Parece papo de esquerdista? Pode até parecer, mas não é. É vida real. Acontecendo no Iraque, até mesmo em New Orleans depois do Katrina. O Estado vai privatizando funções, deixando espaço para empresas assumirem serviços e lucrarem com a volta “à normalidade” depois de guerras, tragédias. Para não irmos muito longe, pense na indústria da segurança privada. Quanto você gasta a mais com isso? E no seu condomínio? Carro blindado? Como se comporta o presidente da sua empresa? Alguém sente-se mais seguro com isso? Claro que não, é só parar para pensar e ver que os símbolos escolhidos para mostrar o sucesso são os mesmos que atraem os excluídos. Como fechar essa equação? Também não sei, só sei que não é nada fácil, menos ainda se sequer pararmos para ouvir a tal canadense.capa-cult.jpgParte da entrevista está aberta no link abaixo. Mas deixo a sugestão da compra da revista. Como não tem nenhuma celebridade na banheira, os anúncios são poucos. Se comprar, aproveite para ler o dossiê sobre o Lacan. É provável que não entenda muito, mas quem disse que se entender é algo simples, mas vale começar.



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