Encontrei essa frase em um artigo de autoria do professor José de Souza Martins que li no Domingo passado no Caderno Aliás do Estadão. Confesso que mais do que conteúdo do artigo (muito bom, by the way), o que me chamou mesmo a atenção foi essa frase. Não por coincidência, nas últimas semanas temos sido bombardeados por informações a respeito do nível educacional no país que se por um lado mostram que nunca houve tanta gente no país estudando formalmente (para usar o termo preferido do presidente Lula), por outro mostram que os índices qualitativos de aprendizagem no Brasil continuam alcançando níveis dramáticos. É evidente que não podemos desprezar a importância da inserção de tantas pessoas nos meios formais de educação, porém, da mesma forma, cabe uma reflexão mais profunda sobre os caminhos do tema para nosso futuro. Essa é uma questão fundamental para a evolução dos negócios no país e, conseqüente, crescimento da nação. Cada vez mais a detenção de ativos físicos não garante o êxito de uma organização. Essa vantagem de outrora foi substituída por aquilo que o imortal Peter Drucker já preconizava quando estabeleceu as bases para a nova “sociedade do conhecimento”: o Capital Intelectual da organização. Ou seja, o conjunto de conhecimento presente em uma organização vale muito mais, ou tem um potencial de riqueza muito superior, do que a soma de seus ativos físicos. Isso sim garante uma vantagem competitiva sustentável nos dias atuais. Ou você acha que o Google vale o que vale devido aos servidores que possui em seu parque instalado? Assim, discutir a educação básica no Brasil não deve estar circunscrito exclusivamente a esfera pública. Quer concordemos ou não essa discussão fará cada vez mais a diferença em nossos negócios. Afinal, só conseguimos sair do truque das frases de efeito quando aprofundarmos nossa reflexão sobre o ambiente em que estamos inseridos gerando ação prática.
Arquivo do autor Sandro Magaldi
Nesse final de semana caiu em minhas mãos um texto muito interessante de Rubem Alves com o título “Escutatório”. Para quem não conhece, Rubem Alves é um dos pensadores brasileiros mais sérios quando o assunto é educação (é autor de diversos livros sobre o tema, além de ser articulista da Folha de S.Paulo).
Nesse texto o autor menciona que conhece uma série de cursos de oratória, mas que nunca conheceu nenhum sobre escutatória. Escutatória pode ser traduzido como a arte de ouvir. E ouvir não significa apenas ficar em silêncio quando o outro fala. Segundo o autor, “não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio de dentro”.
Esse texto tem tudo a ver com o mercado corporativo já que a velocidade das coisas faz com que, muitas vezes, nos esqueçamos do básico: colocar-se no lugar de nosso interlocutor respeitando suas palavras e opinião.
Vale à pena dar uma lida nesse texto (acesse aqui) e refletir sobre as nossas relações em um mundo que se caracteriza por uma profusão de estímulos que nos levam a uma velocidade às vezes descompassada com o respeito ao próximo.
