Ao contrário do que se esperava, a onda de IPOs (da sigla em inglês para oferta pública inicial), deu lugar às operações de fusões e aquisições no Brasil em 2008. Segundo dados da Thomson Reuters Markets, publicado no jornal Valor Econômico, semana passada, as transações envolvendo companhias brasileiras somaram US$ 46,6 bilhões de janeiro a maio. Um aumento de 128% em relação ao mesmo período de 2007.
Com a conquista do grau de investimento, a expectativa é de que o mercado de capitais continue em forte efervescência e atraia novos recursos. Outra boa notícia: os investidores estrangeiros despertaram para o fato de que as maiores oportunidades de negócios estão em economias emergentes e não mais em mercados maduros, já consolidados. É por essa razão que vemos um aumento crescente na quantidade de fusões e aquisições, sobretudo por aqui.
O que, na minha opinião, é resultado de quatro importantes fatores: o crescimento econômico da região, a estabilidade política, o Real forte e o espírito empreendedor. Cenário que considero extremamente propício para entrada de um número maior de investimentos. Não restam dúvidas de que o Brasil vive outro patamar, ao vislumbrar um futuro aporte de fundos de “private equity”, munidos de muito dinheiro em caixa e com apetite voraz por aquisições.
No entanto, pouca gente vem aproveitando esse mar de possibilidades. Ainda há muito o que ser feito em relação ao enorme potencial de mercado que existe. Em meio às previsões para lá de otimistas de alguns especialistas sobre um recorde no volume de operações de fusões e aquisições este ano, destaco a importância da figura do “advisor”, na busca por alternativas e formas eficientes de condução dos negócios, bem como no desenvolvimento de estratégias.
Numa transação de fusões e aquisições, para o comprador, há três pontos importantes a observar. O primeiro refere-se à validação do significado estratégico daquela operação. Se ela faz sentido ou não. O segundo, quanto à precificação do negócio. E aqui o “advisor” dá uma contribuição enorme ao encontrar a melhor relação entre o preço pago e o valor justo para o negócio. Além, é claro, de identificar os riscos potenciais, visando minimizá-los, o terceiro aspecto importante a observar. Enquanto do lado da empresa que está vendendo o negócio, é papel do “advisor” otimizar o preço obtido com a transação por meio da identificação de valores não percebidos pelos proprietários. Sem esquecer de criar estratégias que convençam os candidatos à aquisição sobre os benefícios da transação.

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