Na última semana, o mundo inteiro acompanhou o fundador da Microsoft, Bill Gates, 52 anos, tirar o time de campo da maior empresa de softwares do mundo, a qual esteve à frente por três décadas. Figura controversa, Gates, ao se aposentar, sai de cena no momento em que a gigante luta com todas as forças para desbancar um concorrente de peso, o Google. Apesar do futuro da Microsoft ser o assunto mais comentado em conversas informais e reuniões no meio executivo, o que muitos ainda não acordaram é para uma mudança histórica vivida pelo setor de tecnologia da informação (TI).
Está chegando ao fim a era dos fundadores de grandes impérios, nascidos nos anos 70 e 80, no comando dos negócios. Movimento que tem Gates como um de seus precursores. Antes de entregar o cargo de CEO ao sócio Steve Ballmer, em 2000, outros exemplos deram início a esse cenário de transformações. Na mesma época, John Warnock e Charles Geschke, fundadores da Adobe Systems, passaram igualmente a função de CEO para Bruce Chizen. Enquanto em 2006, assistimos a renúncia de Scott McNealy à presidência da Sun Microsystems, companhia fundada por ele há 22 anos.
Todos esses casos representaram um importante marco nos processos sucessórios envolvendo as grandes empresas de TI. Principalmente, porque alguns de seus líderes transformaram-se em “celebridades” do mundo corporativo. Uma análise feita pelo professor de estudos jurídicos e de ética nos negócios da Universidade de Wharton, Kevin Werbach, retrata bem os fatores de sucesso das transições já realizadas e que servem de paradigmas aos pioneiros sobreviventes.
Para o acadêmico, “embora na indústria de tecnologia existam empreendedores que por muitos anos dominam o espetáculo, torna-se imprescindível, à medida que essas empresas começam a crescer, ter profissionais experientes, com ampla capacidade de gestão e sangue novo”. Já Peter Cappelli, professor de administração da Wharton, ressalta o fato de que quando o CEO é também o fundador da companhia, o processo de sucessão exige inúmeros cuidados. “Essas pessoas se acham bastante identificadas com a organização, portanto pode ser traumática para a empresa a saída de um líder desses. É preciso pensar com muito cuidado no tipo de pessoa que deverá substituí-lo”, alerta.
Estes são os desafios de Larry Ellison, da Oracle e Steve Jobs, da Apple. A batalha está apenas começando para eles, mas não tenho dúvidas de que mais perto do que imaginamos, eles seguirão os mesmos passos de seus concorrentes. Embora os fundadores de empresas de tecnologia estejam entre os executivos mais conhecidos, seu ego costuma ser muito menor que o dos CEOs de outras indústrias, em que hierarquias elaboradas atrelam o poder à posição. Tudo é uma questão de tempo.
Em breve, veremos uma nova geração de presidentes no comando dessas empresas. Uma renovação saudável e necessária. Mas que não deve desprezar a enorme bagagem daqueles que passaram da casa dos 50. Mesmo sendo esta uma indústria bastante nova, em que a idade parece ser um fator importante e os “velhos” não têm vez, precisamos de executivos realmente capazes e preparados para assumir o comando do show.
