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Custo Brasil (3) x Custo Dinamarca

dina.jpegOs dois posts anteriores têm a ver com o custo imposto por instituições públicas brasileiras, mas o setor privado nacional também gera seu Custo Brasil de alguma maneira. Um amigo e eu costumamos brincar entre nós –e, assim, desabafar– sobre os funcionários ineficientes e “devagar-quase-parando” que nossos fornecedores e clientes às vezes nos impõem. Eles atrapalham o andamento do trabalho e nós não os contratamos nem podemos demiti-los. Eles são fruto de um sistema educacional (institucional) deficiente, claro, mas também de empresas que querem pagar salários baixos e/ou que têm um processo de recrutamento deficiente. O fato é que nós chamamos cada um deles carinhosamente de “nosso custo Brasil” e seguimos em frente. E os trabalhos saem.Agora vejam o caso da Dinamarca. País lindo, povo simpático, que eu adorei, onde até a moça do açougue parece top model, tudo isso. Mas, quando o sinal de pedestres está vermelho e não tem nenhum carro para passar nem a quilômetros de distância, mesmo assim ninguém atravessa a rua. E isso é um problema. Não estou dizendo que eu não queria que o Brasil fosse uma Dinamarca; queria sim, em muitos aspectos (no frio, não, por exemplo). Mas, neste redemoinho de mudanças que marca o século 21, a relação entre os custos-país pode mudar significativamente. Afinal, apesar dos pesares, a Embraer conseguiu ser uma das maiores fabricantes de aviões do mundo, a Marcia foi descansar em Porto Alegre com a filha e a família em vez de paralisar-se, e eu e meu amigo fazemos nosso trabalho todos os dias, apesar dos nossos respectivos custos Brasil. Desconfio que todos atravessamos a rua com o sinal de pedestres vermelho se isso for viável.

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