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No filme do diretor Nicolas Klotz , A questão humana, um executivo de RH que até então se orgulhava da participação no enxugamento da empresa recebe uma missão quase secreta: checar a sanidade mental do presidente.
Isso poderia ter sido explorado de várias maneiras. Mas o filme é francês, a empresa é uma multinacional alemã com importante atuação na França e ele ganhou o prêmio de crítica da Mostra de São Paulo de 2007. O que isso quer dizer? Que está longe dos enredos caminho do sucesso, ou queda e recuperação dos heróis do cinema americano. Vale assistir? Só para os mais acostumados a cinema europeu. Se você só gosta de Hollywood, não perca seu tempo, mas também não desconsidere que quem vos fala acha uma perda de tempo se concentrar nos filmes de Hollywood, por uma questão muito simples. A vida fora do escurinho do cinema é um pouco mais complexa e menos conto de fadas do que geralmente lá relatados.
O filme mostra algumas cenas dos executivos participando de festas raves, mas o que mais ele mostra é não só o jogo de poder numa corporação, mas também como os executivos, por mais poderosos que sejam, não estão imunes as lembranças e outras questões da condição humana. A comparação é propositalmente forte: os critérios de seleção e treinamentos de superação de limites dos Rhs são aproximados de práticas nazistas. O diretor vai mostrando o drama do narrador e vai passando para o expectador o incômodo de uma resposta muito utilizada no dia-a-dia corporativo: “eu estava apenas cumprindo ordens”. Klotz mostra que era essa a desculpa dos oficiais da SS Nazista. Só para quem tem estômago.
