Às vezes acho que não existe nada mais feio no mundo que aqueles portões de garagem “bundudos”, “com lordose”, que têm um desvio para o carro caber, sabem? Mas hoje, surpreendentemente, vi um portão desses bonito (embora não saiba se o dono teve de agradar algum fiscal para invadir a calçada): parece uma bay window. Ficou até mais bacana que os portões convencionais. Aí fiquei pensando na estética atual. Será que agora ela é um mix de harmonia com estranheza? Tem um amigo meu, designer gráfico, que costuma definir assim a beleza feminina: a fulana é perfeitinha, mas se não tiver um quê destoando, um ruído (como ele diz), não é realmente Bela, com B maiúsculo. Nos reality shows de top models você vê isso também. As moças todas perfeitas lá e os juízes ficam procurando a “atitude”, que, me parece naquele contexto, é outra palavra para designar o tal ruído. Ou seja, a estética hoje prevê equilíbrio com ruído. E isso deve valer também para design de produtos. Entre o portão de garagem bundudo, o portão reto e o portão “bay window”, o último é que ganharia, provavelmente, um concurso de beleza. Atenção, pessoal do design das empresas: se vocês ainda não pensaram nisso, pensem! E acompanhem os papas do design, como a Ideo nos EUA e os irmãos Campana aqui! Ah, melhor explicitar: esse ruído costuma ser cuidadosamente planejado/gerenciado.

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