A discussão sobre profissões regulamentadas acirrou os ânimos de muita gente com a decisão do STF ao acabar com a obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Sejamos sinceros, para ser jornalista não é preciso de diploma em Jornalismo. Aliás, questiono essa regulamentação indiscriminada que existe no Brasil, que só serve para fomentar a criação de conselhos de fiscalização e sindicatos que têm um único objetivo: arrecadar contribuições compulsórias e formar sinecuras.
Por curiosidade, antes de escrever esse blog tive a feliz - ou infeliz - idéia de pesquisar (com a ajuda da minha fiel assistente de tantos anos, Marly Diniz) que outras profissões são hoje regulamentadas. Eis que tomo uma grande surpresa; tamanha a bizarrice com a qual me deparei. Lavador e guardador de carro, peão de rodeio, pescador, corretor de imóveis… e por aí a lista vai. Está tudo na página do Ministério do Trabalho e Emprego, para qualquer um ver.
Não dá para acreditar que uma economia como a nossa ainda permita distorções como essas. Sem sombra de dúvida, sou extremamente favorável à regulamentação apenas de profissões ligadas à saúde e à vida, como Medicina, Odontologia e Enfermagem; ou mesmo de responsabilidade pública, a exemplo de Engenharia Civil. Deixem que o próprio mercado se encarregue de ditar as regras.
E falo isso com propriedade. Na década de 90 fui eleito conselheiro do Conselho Regional de Contabilidade no Rio de Janeiro (CRC-RJ) juntamente com um grupo de contadores reformistas. Como medidas saneadoras, acabamos com os jetons por reunião, jantares para mais de 50 talheres e carro para a diretoria.
Com a chegada do Presidente Collor, cheio de idéias inovadoras a respeito de profissões regulamentadas e respectivos conselhos para desburocratizar, tive a “ousadia” ou “petulância” de sugerir a extinção dos conselhos regionais de contabilidade. Ação que foi brutalmente repudiada. Conclusão, na eleição seguinte, o meu grupo não foi reeleito. Viva o corporativismo.
A quem cabe à fiscalização das profissões em última instância? Ao Ministério Público. O Brasil tem um dos mais abrangentes e rigorosos Código de Defesa do Consumidor e lá estão as penalidades saneadoras do mau exercício profissional. Quanto à competência individual, não há melhor julgador do que o mercado.
Profissão regulamentada é, na sua imensa maioria, reserva de mercado má disfarçada. A formação acadêmica, entretanto, é requisito básico para a preparação do futuro profissional e, como tal, deve ser mantida. A regulamentação é que é supérflua. Reconheço que o tema é polêmico, mas está na hora de acabarmos com a burocratização no Brasil ou seremos engolidos por ela.
Advogado deve ser profissão regulamentada?
