(Por Daniel Domeneghetti via Drop Post)
“Lá, a crise é um tsunami. Aqui, se chegar, vai ser uma marolinha, que não dá nem para esquiar”
Como sabemos, marolas são ondicas despretensiosas que só assustam pequenos peixes e alguns crustacinhos. Lula definiu essa crise do subprime assim. Não é.
Não é marola porque não é pequena. Não é marola porque não estável. Não é marola porque é cíclica e pode assumir, dependendo das condições locais, proporções de tsunami.
A atual crise está mais para uma monção… aquele tipo de fenômeno climático característico da Ásia amarela, que pode se comportar ora como uma simples tempestade, ora como um tsunami. Depende das condições em que acontece.
A novidade é que a economia global será cada vez mais parecida com aquela região da Ásia. Será regida por monções cíclicas, que poderão, de tempos em tempos, e dependendo das condições, se transformarem em tsunami, como esta em que vivemos hoje tem sido para diversos países.
Estudos do SRC (Strategy Research Center) da DOM Strategy Partners apontaram para o que os analistas e pesquisadores da empresa convencionaram chamar de “Receita Infalível para a Eclosão de Crises Sistêmicas Globais”, ou, em português claro… como chegar da Marola ao Tsunami em pouco tempo. Vejamos os indícios:
• Mercados entrelaçados com hedges globais num mundo dolarizado
• Multinacionais, governo e bancos americanos operando no mundo todo
• Informação disponível instantaneamente em fluxo intermitente e interdependente a qualquer um
• Oportunidades espalhadas pelos quatro cantos do mundo
• Sistemas de Governança Global insuficientes
• E a eterna Condição Humana buscando sua Indulgência do Curto Prazo
• Surge o Dilema da Confiança Positiva:
• Há um fundo de verdade nos ganhos e sucessos de diversos players (empresas, investidores, governos, trabalhadores, etc)
• Surgem resultados aparentes e tangíveis no curto prazo (o vizinho compra um carro novo, o país recebe investment grade, o primo é promovido, as bolsas sobem e os IPOs batem récordes, etc, etc)
• A economia passa a se lastrear em percepções e “boas notícias”
• A mídia (macro, micro, oficial, oficiosa, mal-intencionada, bem-intencionada, independente, chapa branca…) incendeia o mercado dia a dia vendendo interesses, opiniões, análises
• O usuário vira mídia, o consumidor gera mídia, o investidor amplifica fatos nas redes e comunidades online e offline
• Acelera-se o efeito manada - todos buscam a melhor oportunidade, têm a melhor dica, sabem qual é “the next big thing”
• Os Espíritos Animais (lembrem de Keynes) do ser-humano correm para o ganho imediato, de curto-prazo, fácil
• A ganância e a desinformação qualificada (conhecimento e compreensão analítica são diferentes de ler notícias em home de Portais e headlights em capas de jornal) ajudam no aumento da confusão
• Vem a tragédia dos comuns (de Hayek e Von Neumann)… que defende a tese de que em realidades de recursos escassos (como qualquer mercado) todos não podem ganhar para sempre
• Alguns começam a perder. A maioria em torpor não percebe, ignora. Então muitos começam a perder e todo mundo percebe
• Vem a bipolaridade do ser-humano e a percepção de catástrofe (inversão total de expectativas)
• Os castelos de areia se tornam aparentes e desmoronam (1 dólar real gera 4 de fumaça)
• Os problemas tangíveis aparecem (o vizinho vende o carro, o crédito some, o setor de commodities deixa de exportar, você perde o emprego…)
• O tsunami se acalma e se percebe que antes não era conto de fadas, assim como agora não é inferno na terra
• O processo todo recomeça e, com o tempo, alguém encontra uma nova grande oportunidade… e…….
• as crises são e serão sempre cíclicas, só que agora, em economias interconectadas, serão globais e rápidas
Fonte: SRC - DOM Strategy Partners

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