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Peter Senge: “Inovar ou morrer”

Como já disse aqui antes, um dos prazeres de trabalhar na HSM é ter a oportunidade de estar perto dos grandes pensadores mundiais nos mais diversos assuntos. Fiz uma entrevista com um dos meus ídolos, o prof. do MIT Peter Senge que foi o criador do conceito de Learning Organization e que escreveu “A quinta disciplina”. Deixo vocês com uma prévia dessa conversa. Estávamos falando da transformação que a gestão irá sofrer e acabamos tocando no assunto das escolas.

Mas as escolas não evoluem muito…
Não. A escola é uma instituição bastante conservadora por natureza.
No mundo dos negócios, em algum nível, você tem de inovar ou morre. Algumas inovações são burras, como novos instrumentos financeiros.
Mas as escolas gealmente não vivem a pressão para experimentar novas coisas. O que é ironico, pois ninguém está mais aberto para tentar novas coisas do que as crianças. As escolas têm potencial para ser incrivelmente inovadoras, mas continuam a fazer as mesmas coisas por trinta ou quarenta anos. Eles têm esse modelo mental de que escola deve funcionar como na época em que eram crianças. Trata-se de um sistema muito conservador, no sentido de que continuam fazendo as mesmas coisa, somente pela razão de que é a forma como fazem.
O que vemos em todo o mundo são as escolas fracassando. No Brasil muitas crianças não aprendem a ler e escrever. Em outros países como nos Estados Unidos eles aprendem a ler e escrever mas com um nível muito baixo; não estão interessados; não estão envolvidos. As crianças provalvelmente estão aprendendo mais jogando video game.
Há realmente a urgência de começar a criar um espaço para a inovação. Não é o caso de criar um novo modelo: todas as escolas devem ser assim. Isso é o que temos hoje, um modelo fixo, com um professor na frente e 30 alunos que vão da primeira série para segunda série e assim por diante. Esse é o modelo em todo o mundo, criado pela Era Industrial.
Não precisamos de um novo modelo único; precisamos de espaço para a inovação. As crianças são diferentes, então, deveria haver maior variedade de tipos de escolas. Algumas crianças conseguem aprender quietas pois são bons ouvintes. Essas crianças se saem muito bem na escola. Mas há outras crianças que tem de estar se mexendo o tempo todo, não conseguem aprender ouvindo, precisam estar ativas fisicamente. Outras crianças precisam ser envolvidas pela música e pelas artes. As pessoas são realmente diferentes.
Para mim, o sistema ideal de educação seria aquele que oferecesse uma grande variedade de escolas que atendesse a grande variedade de crianças. Esse é o desafio.

3 Responses to “Peter Senge: “Inovar ou morrer””


  1. Gravatar Icon 1 Leo Bragança

    Já passou da hora das escolas quebrarem completamente o sistema de ensino vigente, especialmente o público, voltado às classes que não se alfabetizam completamente. Existe sim uma variedade de crianças, portanto é preciso que a demanda seja também variada.

    Senge sugere novos e bons modelos não é de hoje. Pena que esbarram nos desinteresses dos Estados, ainda mais os subdesenvolvidos como o nosso.

  2. Gravatar Icon 2 Igor Morais

    Primeiro é necessário mudar a cabeça dos professores.

  3. Gravatar Icon 3 Leonardo Fernandes

    Excelente post Jorge.
    Acredito que aqui no Brasil, até mesmo as Universidade possuem um modelo de ensino muito atrasado. Pelo menos na área que atuo (TI).
    Tanto que temos um déficit de emprego não por falta de pessoas formadas, mas por falta de pessoas qualificadas, que muitas vezes já saem da faculdade defasados.
    Um blog que leio mostra uns números superficiais(sem pesquisa de fato)[1], mas acredito estarem próximos da realidade.
    [1]-http://www.kumpera.net/blog/

    No mínimo preocupante.

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