(Por lschwartz via Y&R)
Prêmio Nobel da Paz de 2007, documentarista e um ex-candidato a presidente dos EUA, Al Gore falou ao jornal Folha de S.Paulo. Em entrevista ping-pong, o também “guru ambientalista” comentou sobre a democratização da mídia, conseqüência da união entre TV e internet.
Gore é fundador da Current TV , site que reúne vídeos e fomenta a distribuição de conteúdo pela Web.Confira algumas das perguntas e respostas, publicadas pelo jornal:
PERGUNTA - O sr. falou da “democratização da mídia”. É algo além de um avanço interessante?
AL GORE - O vídeo, sob a forma da televisão, é de longe a mídia mais poderosa de nossa cultura, e a internet é a mídia mais acessível. Quando ambos se juntam, coloca-se mais poder nas mãos de cidadãos que têm acesso à criação e distribuição de TV via internet. Acho que isso tem um potencial enorme.
PERGUNTA - Alguns dizem que a televisão está perdendo importância.
GORE - Em duas gerações nós, nos EUA, passamos de zero tempo assistindo TV para uma média 4,5 horas por dia. Que outra atividade ocupa tantas horas por dia, exceto dormir?
PERGUNTA - O que o sr. não gosta na televisão?
GORE - Ela é feita sobretudo por um grupinho pequeno de pessoas. Ela não tem, hoje, o efeito democratizador que exerceu a revolução da imprensa. É por isso que acredito na Current TV. Ela permite às pessoas se comunicarem pelo meio mais poderoso, por meio de uma rede que é a mais aberta. Acho que ela poderá infundir vida nova ao processo democrático. Uma parte grande demais da televisão americana é movida pelo mínimo denominador comum: comandar uma audiência de massa, sem prestar atenção suficiente à natureza e à qualidade dos programas.
PERGUNTA - O sr. disse que as emissoras de TV têm uma obsessão mórbida por um popstar que dirige seu veículo embriagado e freqüenta clubes da moda, num momento em que a questão em pauta é a das mudanças climáticas e que populações inteiras ainda estão sendo torturadas. Mas não é fato que o público quer saber tudo sobre os popstars bêbados e pouco sobre a tortura?
GORE - Não há dúvida de que há na cultura ocidental uma obsessão por notícias sobre celebridades. Um exemplos grotesco disso nos EUA foi a cobertura da autópsia de Anna Nicole Smith [ex-coelhinha da Playboy, em 2007]. Acho que é um sistema que se auto-alimenta. O ingrediente que está fazendo falta é abrir as portas e janelas. Deixar que entrem indivíduos e criem algo mais interessante.

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