Chegar ao topo em uma organização é o sonho de quase todo executivo. Muitos, desde cedo, traçam como meta de carreira e, até de vida, ocupar o posto de número um. Seduzidos, é claro, pelo status que o cargo de CEO proporciona, além das incontáveis recompensas pessoais e profissionais. O que a maioria não se dá conta é do alto preço que terão de pagar. Se por um lado passam a conhecer diferentes pessoas e vários lugares do mundo, ganham muito dinheiro, vivem cercados por gente influente, por outro há um lado nada glamoroso.
Estar no poder exige sacrifícios e dedicação integral à companhia. Não raro um presidente fica 14, 16 horas por dia fora de casa. São reuniões atrás de reuniões, viagens internacionais, compromissos intermináveis. Vida pessoal? Nem pensar. Ainda mais agora que acabaram as fronteiras entre casa e escritório. As novas tecnologias permitem que o executivo seja encontrado a qualquer hora, inclusive nas férias e nos feriados. Basta ter um BlackBerry –celular que virou febre no ambiente corporativo – e pronto. Os e-mails e o próprio executivo podem ser acessados 24 horas.
Infelizmente, a geração atual de CEOs só respira trabalho, já que lhes sobra pouco tempo – se é que sobra algum – para o convívio com a família. Por esta razão, vemos tantos casamentos sendo desfeitos e o consumo de bebidas alcoólicas aumentar assustadoramente. Pressionados por todos os lados, sobretudo pelos acionistas, hoje ser um alto executivo transformou-se em um verdadeiro tormento. Uma pesquisa conduzida pela professora Betânia Tanure, da Fundação Dom Cabral, ao longo de dois anos, refletiu de forma ímpar o grau de insatisfação dos executivos. Dos mil entrevistados, 84% afirmaram se sentir infelizes no trabalho.
Um importante alerta para aqueles que engrossam a fila dos candidatos a “CEOs do futuro”: o tão falado equilíbrio entre vida pessoal e profissional pode continuar sendo uma utopia, distante de ser alcançado; mesmo que se definam prioridades no exercício da posição, e como gerenciar as relações com aqueles que, às vezes, passam dias ou semanas à distância. Este é o preço do poder: se entregar de corpo e alma.
A globalização, por sua vez, desponta no estudo como uma das principais vilãs responsáveis pelo aumento da tensão no mundo corporativo. Mais competitivas do que no passado, as empresas correm para aumentar a produtividade e pressionam os executivos para que dêem resultado como nunca. Será mesmo que vale a pena? Esta é uma pergunta que o próprio executivo deve refletir antes de definir qualquer plano rumo ao topo. É preciso pesar na balança as angústias, os problemas, os dilemas e os projetos de vida que deixarão para trás. Devem pensar se estão preparados para assumir o papel de eternos gladiadores, dispostos a sobreviver em um ambiente quase sempre hostil.
