Todas as operações da Polícia Federal, o post do Júlio logo abaixo, o caderno de final de semana do Valor de hoje de uma maneira ou outra falam de corrupção, de valores. O estudo que dá base para a matéria do Valor é sobre um livro que irá ser lançado: A corrupção - Ensaios e Críticas, 62 capítulos mostrando visões plurais sobre o tema.
O problema que vejo é que esse é daqueles assuntos onde todo mundo, pelo menos de um nível mais escolarizado, onde escola poderia funcionar como sinônimo de hipocrisia, é contra e a recrimina. O duro, é manter-se contra quando ela bate a nossa porta, quando faz diferença no nosso interesse, pessoal, ou da empresa. Sim, da empresa. A corrupção é um problema gravíssimo no Brasil porque as empresas são as grandes corruptoras, é claro que como dizem nas melhores empresas, os recursos humanos são seus principais ativos, ou seja, pessoas é que são corruptores e corruptos. Muitos tendem a agir de forma diferente às claras e às escuras, é por isso que no meu modo de ver, você precisa escolher entre os dois senhores aí acima. Qual deles expressa melhor o que você pensa, o da esquerda ou o da direita? Thomas Hobbes ou Jean-Jacques Rousseau?
Falar de filosofia é sempre complexo, simplificações são sempre arriscadas, mas creio sim que o combate a corrupção passa pela visão do homem defendida pelos dois. Para Hobbes, o homem é o lobo do homem, ou seja, não é bom, não nasce bom e só sendo vigiado é que consegue conviver em grupo, nem que seja pelo Leviatã (para ele o Estado, se vivesse hoje em dia, quem sabe uma lei ou os diretores de auditoria). Já Rosseau tem uma visão quase oposta, o homem nasce bom e o ambiente o transforma. Essas duas visões inspiram sistemas jurídicos distintos. Outra vez li uma excelente entrevista do cientista social Bolívar Lamounier dizendo que os saxões tendem a ser mais Hobbesianos e os latinos mais Rousseaunianos, o que implica em dois tipos distintos de combate a corrupção, mas como ele mesmo admitia, não devemos nos sentir mal, a corrupção existe em todos os países, em todos os planetas. Enquanto ela não passar a ser uma indignação e uma necessidade interna, e for da sociedade, vai ficar parecida com a fome, uma vergonha, mas ainda existente, é claro, desde que eu e você não estejamos a senti-la…
Aposto que nas empresas O Monge e o executivo ainda vai continuar a ser mais discutido do que o A Corrupção: Ensaios e Críticas.
