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A difícil arte de decidir quando se está diante do desconhecido

apebw.jpgO desfecho trágico do seqüestro da estudante Eloá Pimentel, não só comoveu o país inteiro como abriu discussões sobre a atuação da Polícia Militar no caso. Cenas que me despertaram para uma realidade bem parecida com a vivida por executivos em uma corporação.

Em momentos de crise ou em situações de extrema tensão no mundo dos negócios, cada líder é exigido por decisões. Este, aliás, sempre foi e continua sendo o dilema número 1 para quem está na linha de frente. Não é exagero dizer que da mesma forma que a vida de Eloá, 15 anos, e de sua amiga Nayara Rodrigues, de também 15, estavam nas mãos da Polícia, a sobrevivência de uma empresa e das famílias de seus funcionários depende das ações de seus principais executivos.

Um erro pode ser fatal, levar a bancarrota de impérios e promover demissões desenfreadas que, em alguns casos, chega a destruir lares e vidas. O matemático Isaac Newton nos ensinou que toda ação gera uma reação. E o grande desafio está, acima de tudo, em saber o momento certo de entrar e sair de cena.

Na maioria das vezes, é em meio às adversidades que os executivos são forçados a tomar decisões. E de forma rápida. Prever o que pode estar por vir, sem sequer ter intuição sobre o que não pode ser previsto. Veja a crise que para outros tantos foram pegos de surpresa. Mas, infelizmente, o mundo dos negócios nem sempre admite o imprevisível. Aliás, quase nunca.

Hoje, quem dá a palavra final sobre os passos mais importantes na vida de uma empresa precisa considerar as expectativas não só de acionistas, mas também dos “stakeholders”. Como num jogo de xadrez, é preciso se antecipar a jogada do adversário, mesmo sem ter as informações necessárias para arriscar dar um passo à frente, para os lados ou até mesmo recuar.

A difícil arte da decisão em muito se assemelha a roleta russa e é necessário contar com uma dose extra de sorte. Ironicamente, a mesma sorte que por outro lado não deve ser fator decisivo em ações de extrema tensão. É por isso que comparo os dilemas da polícia no caso do seqüestro de Eloá com as dúvidas que permeiam aqueles hoje no comando de grandes corporações.

Sem tempo e pressionados, os executivos precisam encontrar um caminho que os abasteça de informações rápidas, objetivas e, sobretudo, confiáveis. Da mesma maneira que os policiais necessitam de subsídios para escolher quando devem fechar o cerco contra um seqüestrador ou esperar a hora certa para ter o controle da situação.

Será mesmo que os policiais deviam ter entrado no apartamento naquele momento? Ou a melhor saída seria esperar um deslize do ex-namorado da jovem Eloá? Muito se especula em cima de hipóteses, quando sabemos que a teoria é bem diferente da realidade.

Mas o episódio nos permite repensar os desafios que continuarão a existir, sobretudo no meio executivo. Ações precipitadas, mal planejadas ou desastradas podem não ter volta. Por isso, precisamos refletir se estamos realmente preparados para decidir. Escolhas existem de sobra, só nos resta saber que caminho seguir. E um único fracasso pode apagar um histórico de sucessos.

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