É nos momentos de instabilidade econômica que descobrimos quem de fato são os verdadeiros líderes ou que tipo de líderes existe nas empresas. Se visionários ou ultrapassados, acomodados ou arrojados, transparentes ou dissimulados. Infelizmente, encontramos pelo caminho muitas histórias de quem não sabe dominar as fortes ondas de um tsunami e saem atropelando tudo e a todos que “ousam” cruzar seus caminhos.
Resultado: nunca assistimos a tantas pessoas insatisfeitas com seus empregos (e chefes!), aceitando qualquer nova proposta que aparecer pela frente. Há alguns meses, tenho ouvido desabafos de conhecidos que estão no mundo corporativo e sofrem com posturas tiranas, agressivas; totalmente reprováveis para quem está no topo de uma organização e que já deveria estar preparado para conduzir o barco, sobretudo em situações de adversidade.
Outro dia, uma amiga jornalista chegou em meu escritório com o livro “Como trabalhar para um idiota”, do autor americano John Hoover, ex-executivo da Walt Disney Production. Claro que o título me chamou a atenção, mas não entendia porque ela queria tanto me convencer de que eu deveria lê-lo. E rápido.
Até que ao folhear suas primeiras páginas, percebi a razão de tal esforço de persuasão. Estava diante de uma obra ímpar. Hoover conseguiu, de forma irônica e corajosa, enumerar os diversos tipos de chefes que existem por aí. Definições divertidas que muitos já tentaram fazer, mas sem sucesso. Ele retrata exatamente quanto o ambiente corporativo está cheio de chefes idiotas, medíocres. Certamente, quem leu perceberá que já foi ou é vítima de cada um dos exemplos de chefes citados no livro.
Decidi, então, compartilhar com vocês uma de suas curiosas constatações, embora reconheça que seja uma dura realidade. “Chefes idiotas são o soluço mutante da evolução organizacional com uma imunidade semelhante à das baratas diante das calamidades que dizimam as pessoas realmente talentosas e criativas. Ainda assim, os idiotas podem servir a funções valiosas, desde que não estejam no comando. A má notícia é que, em geral, eles estão no comando”.
Bons líderes sabem compartilhar as informações de forma transparente, não agridem, nem desprezam. Entendem que não podem apenas cobrar, exigir; mas também valorizar o talento. Quantas e quantas pessoas se sentem frustradas por não terem seu trabalho reconhecido?
É comum ouvir nos corredores das empresas, funcionários reclamando de seus chefes que só sabem pressionar, apontar erros. O grande problema é que essas pessoas que se tornaram líderes não entendem que agindo assim só terão, cada vez mais, funcionários desmotivados, pouco ou nada engajados; sem paixão pelo que fazem e sempre em busca de uma nova oportunidade para cair fora.
Fico pensando se realmente se escondem por trás de ações tiranas para esconder sua falta de capacidade de comandar equipes ou insegurança de um dia terem sua mediocridade descoberta perante todos.
Discussões à parte, tenho convicção de que o verdadeiro líder não se cria, já nasce pronto. Um falso líder pode até aprender técnicas e fundamentos de gestão, colecionar MBAs em renomadas escolas de negócios, mas dificilmente aprenderá o que de fato é liderança, o que de fato é ser um líder.
O verdadeiro líder conduz o barco intuitivamente porque entende que há caminhos que não foram ensinados nos bancos da escola. Convence as pessoas com o seu exemplo, não confunde firmeza de atitude com brutalidade ou aspereza. Jamais é arrogante porque sabe o quanto a humildade é importante para unir seu grupo.
Lidera como gostaria de ser liderado. Claro que os maus líderes não chegaram lá à toa. Foram escolhidos por superiores mais medíocres ainda ou que preferem não reconhecer que foram incompetentes ao errarem na escolha.
Mas a escolha está nas mãos de quem está no poder. E como diria John Hoover, chefes idiotas não são de todo ruins. Quase todos eles são bons em alguma coisa. Só não são bons para serem chefes.
