21/03/2010   RSS posts: 1539comentários: 3.016 updaters: 559
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Chefes idiotas?

mau-liderÉ nos momentos de instabilidade econômica que descobrimos quem de fato são os verdadeiros líderes ou que tipo de líderes existe nas empresas. Se visionários ou ultrapassados, acomodados ou arrojados, transparentes ou dissimulados. Infelizmente, encontramos pelo caminho muitas histórias de quem não sabe dominar as fortes ondas de um tsunami e saem atropelando tudo e a todos que “ousam” cruzar seus caminhos.

Resultado: nunca assistimos a tantas pessoas insatisfeitas com seus empregos (e chefes!), aceitando qualquer nova proposta que aparecer pela frente. Há alguns meses, tenho ouvido desabafos de conhecidos que estão no mundo corporativo e sofrem com posturas tiranas, agressivas; totalmente reprováveis para quem está no topo de uma organização e que já deveria estar preparado para conduzir o barco, sobretudo em situações de adversidade.

Outro dia, uma amiga jornalista chegou em meu escritório com o livro “Como trabalhar para um idiota”, do autor americano John Hoover, ex-executivo da Walt Disney Production. Claro que o título me chamou a atenção, mas não entendia porque ela queria tanto me convencer de que eu deveria lê-lo. E rápido.

Até que ao folhear suas primeiras páginas, percebi a razão de tal esforço de persuasão. Estava diante de uma obra ímpar. Hoover conseguiu, de forma irônica e corajosa, enumerar os diversos tipos de chefes que existem por aí. Definições divertidas que muitos já tentaram fazer, mas sem sucesso. Ele retrata exatamente quanto o ambiente corporativo está cheio de chefes idiotas, medíocres. Certamente, quem leu perceberá que já foi ou é vítima de cada um dos exemplos de chefes citados no livro.

Decidi, então, compartilhar com vocês uma de suas curiosas constatações,  embora reconheça que seja uma dura realidade. “Chefes idiotas são o soluço mutante da evolução organizacional com uma imunidade semelhante à das baratas diante das calamidades que dizimam as pessoas realmente talentosas e criativas. Ainda assim, os idiotas podem servir a funções valiosas, desde que não estejam no comando. A má notícia é que, em geral, eles estão no comando”.

Bons líderes sabem compartilhar as informações de forma transparente, não agridem, nem desprezam. Entendem que não podem apenas cobrar, exigir; mas também valorizar o talento. Quantas e quantas pessoas se sentem frustradas por não terem seu trabalho reconhecido?

É comum ouvir nos corredores das empresas, funcionários reclamando de seus chefes que só sabem pressionar, apontar erros. O grande problema é que essas pessoas que se tornaram líderes não entendem que agindo assim só terão, cada vez mais, funcionários desmotivados, pouco ou nada engajados; sem paixão pelo que fazem e sempre em busca de uma nova oportunidade para cair fora.

Fico pensando se realmente se escondem por trás de ações tiranas para esconder sua falta de capacidade de comandar equipes ou insegurança de um dia terem sua mediocridade descoberta perante todos.

Discussões à parte, tenho convicção de que o verdadeiro líder não se cria, já nasce pronto. Um falso líder pode até aprender técnicas e fundamentos de gestão, colecionar MBAs em renomadas escolas de negócios, mas dificilmente aprenderá o que de fato é liderança, o que de fato é ser um líder.

O verdadeiro líder conduz o barco intuitivamente porque entende que há caminhos que não foram ensinados nos bancos da escola. Convence as pessoas com o seu exemplo, não confunde firmeza de atitude com brutalidade ou aspereza. Jamais é arrogante porque sabe o quanto a humildade é importante para unir seu grupo.

Lidera como gostaria de ser liderado. Claro que os maus líderes não chegaram lá à toa. Foram escolhidos por superiores mais medíocres ainda ou que preferem não reconhecer que foram incompetentes ao errarem na escolha.

Mas a escolha está nas mãos de quem está no poder. E como diria John Hoover, chefes idiotas não são de todo ruins. Quase todos eles são bons em alguma coisa. Só não são bons para serem chefes.

11 Responses to “Chefes idiotas?”


  1. Gravatar Icon 1 Jorge Carvalho

    Eita Julio, mais uma vez uma grande reflexão. Você realmente acredita que líderes nascem prontos? Tenho as minhas dúvidas, acho que algumas características pessoais ajudam muito a criarmos a percepção que algumas pessoas são líderes quando na verdade são apenas bons comunicadores ou políticos ou visionários. Não sei, você pode me explicar? Mais uma vez, obrigado pelo texto!

  2. Gravatar Icon 2 Julio Sergio

    Jorge, eu estava com este assunto martelando minha cabeça faz tempo. Depois de tantos anos na estrada, tendo conhecido líderes de toda espécie mundo afora - autênticos, “fakes”, fabricados - que sou confrontado com o que acredito piamente: os líderes autênticos já nascem líderes. Vão melhorando, aperfeiçoando o seu estilo único por meio do convívio com pares, com pensadores, frequentando workshops, seminários, eventos e, sobretudo, experimentando. Concordo com você em pelo menos um ponto. Os comunicadores levam nítida vantagem mesmo não sendo líderes autênticos. Os visionários geralmente não são capazes de liderar e os políticos vendem a imagem moldada com a finalidade de liderar por conluio. Não estaria aí a chave do enigma da baixa taxa de sucesso das empresas familiares com a sucessão no seio da própria família? Ademais, a liderança não é uma herança genética. Para as empresas familiares, é uma maldição. Segue a discussão e hoje teremos artigo novo das colunas bacanas do portal HSM.

  3. Gravatar Icon 3 Elson

    Julio, suas reflexões são excelentes… nos meus 25 anos de estrada encontrei vários chefes “idiotas” e uns poucos inspiradores. Pressão existe e sempre irá existir no mundo dos negócios, a diferença é que os líderes inspiradores te apontam as razões para que a equipe dê um algo a mais, que todos colherão os frutos dos esforços, que a situação é sazonal, temporária e, acima de tudo, está junto à equipe (faz parte mesmo).
    Já os idiotas… sua mediocridade fará com que passem para a história profissional das pessoas como: idiotas.
    Fazer a diferença na vida das pessoas, essa é a razão de todo e qualquer ser humano.
    Obrigado e um abraço.
    Elson

  4. Gravatar Icon 4 Leandro Ogalha

    Julio, muito boa a reflexao. Vou divulgar, eh questao de necessidade do mercado. abs!

  5. Gravatar Icon 5 Igor Santiago

    Todos os grandes líderes são extremamente problemáticos. Desafio alguém citar um que não seja/tenha sido. A solidão da liderança é algo que não está nos livros, e nenhum líder comenta abertamente. O fardo de decidir sobre outras vidas é imenso, e a autocobrança, maior ainda. Ser líder é algo que se aprende, mas a escolha de ser um grande líder poucos estão prontos para fazer. Criticar é fácil, fazer é difícil, consenso é impossível.

    “A vida é uma sequência finita de escolhas”.

  6. Gravatar Icon 6 Julio Sergio

    Elson, este último fim de semana estive em um evento com 26 CEOs de grandes organizações e conheci o Nuno, engenheiro português de 38 anos que comanda desde os 33 empresa espano-belga-indiana do setor siderúrgico e debatemos o tema. Impressionante como todos nós temos exemplos muito enfáticos a respeito da idiotice de certos chefes que fazem da empáfia, da arrogância e da intimidação ferramentas de gestão. Alías, quanto à intimidação, ela é um recurso cada vez mais usado pelos incompetentes e idiotas para firmar seus obtusos pontos de vista. Que tal iniciar um movimento do tipo “fora todos os chefges idiotas”?

  7. Gravatar Icon 7 Julio Sergio

    Leandro, divulgar e propagar as ideias é nosso dever. Boa iniciativa. abs

  8. Gravatar Icon 8 Julio Sergio

    Igor, recentemente estava em uma roda de empresários conversando sobre as diversas formas de identificação de talentos para suprir as demandas nas empresas e, lá pelas tantas, alguém mencionou a dificuldade de se encontrar líderes autênticos e como exemplo citou os líderes do mal, pessoas inteligentes acima da média que se dedicam ao crime e houve até consenso a respeito de nomes. Qual a lição? Líderes existem, são necessariamente escassos, nascem com a apetidão para liderar, sabem que têm este dom (sim, Jorge Carvalho, é um dom como você gosta, acertamente, de dizer!) e buscam meios e formas de exercer a sua influência. Ocorre que, nem sempre, a manada a liderar está nos verdes campos da ética, pois mesmo não sendo líderes, eles, membros da manada, também nasceram para o mal. O debate prossegue.

  9. Gravatar Icon 9 Elson

    Caro Julio,
    Concordo contigo. Seria uma ótima iniciativa a de convencer cúpulas de empresas e Diretores de RH que estes perfis de líderes não são os desejados pelas empresas. Veja toda a crise do subprime do ano passado - crise de ética, de busca de resultado a qualquer preço, para quê? Para os bônus do final do ano. Com que métodos? Presumivelmente com os que você citou. Será um trabalho árduo, de convencimento no dia-a-dia das organizações, mas principalmente, num trabalho de base, ou seja, nos bancos escolares.
    Abraços.
    Elson

  10. Gravatar Icon 10 Jorge Carvalho

    É, a Ética. Falta um pouco nas pessoas as vezes né? O lado negro da força é sedutor, mas tem que ter estômago. Você vê uma mudança de consciência nos nossos líderes?

  11. Gravatar Icon 11 Julio Sergio

    Muita lentamente, Jorge. É tão fácil ganhar dinheiro hoje em dia enganando os outros que a tentação é enorme. Tenho muita esperança com relação à geração Y que se parece muito com os “baby boomers”. Conversando com eles fico bastante animado com o que vem por aí. Os pensadores começarão muito brevemente a escrever sobre a influência exercerão na ética dos negócios.

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