Há cerca de seis anos iniciei minhas observações sobre o comportamento do jovem no mercado de trabalho, e creio que este assunto merece maior atenção por parte dos dirigentes das empresas em geral.
Entre 2007 e 2008 fui presidente de uma companhia de Call Center na Argentina, que naquela época tinha mais de 1.200 funcionários, predominantemente jovens com menos de 20 anos de idade. Quando cheguei, a companhia tinha um índice de absenteísmo que beirava a insanidade, ao redor de 22%. Isto mesmo, de cada quatro empregados um não vinha trabalhar todos os dias.
Conversando com os gestores perguntei qual era a opinião deles, e todos foram unânimes em me dizer que era falta de fidelização e de compromisso, porque as regras disciplinares eram meio frouxas e que deveríamos colocar regras e sansões mais duras. Não concordei porque o discurso me pareceu vazio e com pouco embasamento.
Percebi que nenhum deles sabia exatamente o que estava se passando, embora todos tivessem palpites de como melhorar o absenteísmo. Passei a observá-los mais atentamente e minha conclusão foi que os parâmetros de gestão eram ultrapassados para aquela comunidade de jovens trabalhadores. Tratei então de incentivá-los a entender quais eram os anseios de nossa comunidade de empregados, de maneira a dirigir nossos esforços no sentido de melhorar o desempenho geral da empresa.
Depois de muito esforço alguns reagiram e finalmente puderam entender um pouco mais o comportamento de nossos empregados, enquanto outros não conseguiam evoluir por absoluta inflexibilidade para mudar paradigmas totalmente arraigados. Por isso, não restou outra ação que não fosse substituí-los. Um programa de treinamento também foi ministrado com foco nos gerentes de nível médio.
