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Ser politiqueiro ou ser político na empresa? Eis a questão

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Quem nunca ouviu a frase “quem não é político na empresa, não sobe na carreira”? Outro dia, um velho amigo, executivo de um grande grupo multinacional, estava frustrado por ser demitido após 20 anos de casa. Acredita ter sido retaliado ao discordar dos acionistas. Postura nada diplomática, reconhece.
    
É fato que quem não sabe travar alianças internamente certamente ficará fora do jogo.  O dom de ser político pode levar ao sucesso, da mesma forma que a inabilidade em sê-lo acabará jogando-o ao ostracismo. Não há problema algum em defender um ponto de vista. A diferença está na forma como sua posição é defendida.

Outro aspecto que muita gente esquece é a maneira de se mostrar diante dos outros. Não basta apenas ser o melhor, mas sim ser visto como tal. Ser o primeiro a chegar e o último a sair não significa que alguém está vendo seu trabalho. Muito pelo contrário. Ficar escondido atrás do computador é um dos maiores erros que você pode cometer. Tem que circular e sempre com um sorriso discreto, ar de vencedor, de felicidade.

Acho essencial saber articular-se dentro da empresa, fazer seu chefe enxergá-lo - mas não apenas como um número. Não falo de sair gritando pelos corredores sobre seus feitos, como fazem os incompetentes e inseguros. É saber a hora certa de mostrar que você faz a diferença, que você dá resultados e sabe questionar com o que não concorda. Com polidez, educação, mas com convicção.

Muitos ao esconderem-se sem coragem de dar as caras acabam justificando sua estagnação pela politicagem que há nas empresas. Aí, muito cuidado. Existe um abismo entre ser político e fazer politicagem, Não confundam uma coisa com a outra. Todos nós já questionamos alguma vez na vida a promoção de alguém que consideramos menos competente. Mas não dá para achar que deve usar da politicagem para crescer como se estivesse sendo político.

A politicagem é um lado da política reprovável, aquele ligado ao conceito de bajulador, puxa saco. Enquanto a habilidade de ser político consiste na capacidade de negociar, de articular grupos em torno de ideias e de persuadir. Ao contrário do que muita gente imagina, ser político não significa passar rasteira nos outros. O que não se pode é baixar a cabeça o tempo todo.

Ser político é entender as regras do jogo, dominar as relações de poder e saber transformar algo negativo em positivo. Sem dúvida, quem não sabe fazer política, dificilmente chegará ao topo nas empresas. Aliás, se você almeja o posto de número um, saiba que é pré-requisito ter jogo de cintura, ser flexível, ser político. E não pensem que para isso é preciso ter talento nato. Se você souber aprender com quem sabe, no futuro deixará de se colocar como vítima da realidade e estará na liderança como quem soube chegar lá.

Nas clínicas de preparação para o pós-carreira e no aconselhamento a CEOs este tema é recorrente, o que demonstra a dificuldade que grande parte das pessoas tem para distinguir política (sadia) da politicagem (perniciosa).

Você concorda?

8 Responses to “Ser politiqueiro ou ser político na empresa? Eis a questão”


  1. Gravatar Icon 1 Edinaldo Marques

    Edinaldo Marques - 4 de fevereiro de 2010 @ 12:01 pm · Editar

    Parabéns ao autor pelo artigo. Ser político no bom sentido faz parte da vida de qualquer pessoa, independentemente de estar na empresa, em família ou no convívio social. A questão é praticar uma política ética, respeitar os demais, ter consideração, fazer ao outro aquilo que deseja que seja feito consigo etc. Isto é difícil para muita gente. Vai depender dos valores pessoais de cada um.
    Edinaldo Marques

  2. Gravatar Icon 2 Alexandre Silva

    ótimo artigo, parabéns!
    Gostaria de publicar este artigo em meu Blog, vc permite? A autoria será destacada.
    Abs,
    Alexandre Silva

  3. Gravatar Icon 3 Jorge Carvalho

    Julio, esse é um tema muito pouco explorado na literatura sobre negócios. Me parece cruscial para a longevidade corporativa. Feliz é aquele artista solitário que tudo que toca vira ouro. Para os mortais como nós, nos resta dançar o bambolê corporativo com a tropa.

  4. Gravatar Icon 4 Dante Mantovani

    Achei muito pertinente a distinção de significados entre a politicagem manipulatória e o fazer política como forma de legitimar um merecido espaço na organizalção.

    Creio que o que separa a politicagem da política é a dose: a ambição, que quando ultrapassa a tênue fronteira definida pela ética se transforma em ganância, com suas consequências previsíveis e conhecidas de todos.

    Abraços,

    Dante

  5. Gravatar Icon 5 Julio Sergio

    Alexandre, autorização concedida. Abs

  6. Gravatar Icon 6 Julio Sergio

    Jorge, dançar o bambolê requer habilidades, jogo de cintura e ótimo “rebolado”. As corporações em que a política é critério válido (às vezes crucial) para a progressão funcional, estão fadadas ao fracasso. Pena que o fracasso não é automático e não vem rápido. Não há remédio ou tratamento intensivo a recomendar para se safar de uma situação como essa. Nas sessões de counseling esse tema é recorrente.

  7. Gravatar Icon 7 Alexandre Silva

    Julio Sergio, boa noite! Muito obrigado pela concessão, se quiser conferir, visite o Blog http://gravatasolta.com.br Deixe um comentário, vou me sentir honrado.
    Abração!
    Alexandre Silva

  1. 1 Blog da Trace Sistemas

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