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Que exemplo de líderes teremos após Dantas?

Nas últimas semanas, os escândalos envolvendo o “banqueiro” Daniel Dantas têm sido o assunto mais comentado no país. E continua presente ao ganhar a cada dia um capítulo novo no noticiário nacional. Não quero aqui entrar no mérito sobre a polêmica atuação da Polícia Federal ou de suas idas e vindas na prisão. Entretanto, não poderia deixar passar ileso o fato de que há muito tempo Dantas transformou-se em protagonista de incontáveis episódios – desde as privatizações no governo FHC até o mensalão na gestão de Lula – que colocam em dúvida a imagem ética dos empresários brasileiros.

Queria entender como Dantas, suspeito agora de ilegalidade na venda de ações da Brasil Telecom para o grupo Oi Telemar, chegou a despontar como personalidade do mundo empresarial. Sobretudo, quando especulou-se por diversas vezes na mídia, que suas empreitadas aconteceram em meio a privilégios públicos. Mas me questiono: será este o exemplo que queremos dar a nova geração de jovens, a qual não só estará à frente das organizações nos próximos anos, mas será responsável por construir o futuro de nossa nação?

Os problemas que culminaram na ruína da Enron e Worldcom nos deram provas de que era imprescindível repensar as formas de atuação dos executivos e das empresas. O que levou, inclusive, à criação de modelos rígidos de governança corporativa. Mas parece que o Brasil ainda não acordou para a necessidade de acabar com essa imagem de que só é possível fazer carreira e fortuna por meios ilícitos. Ainda mais, nesse momento em que vemos aumentar o interesse de investidores estrangeiros nos negócios locais.

O capítulo Eike Batista também nos serve de alerta. Até bem pouco, ele era considerado pela imprensa um dos homens mais influentes do cenário atual. Ao ter uma de suas operações alvo de investigações, de herói passou a vilão. É surpreendente ver as notícias que hoje estampam as primeiras páginas dos jornais. Bem diferentes daquelas publicadas há alguns meses. Nem precisamos ir longe. Só em junho, ele foi capa das principais revistas do país. Não terá algo errado nisso?

Precisamos nos espelhar nas lições inspiradoras de tantos outros líderes brasileiros que conseguiram, inclusive, destaque lá fora. Vejamos os exemplos de Carlos Ghosn responsável por revolucionar a japonesa Nissan e, mais recentemente, do carioca Carlos Brito que, com a compra da cervejaria americana Anheuser-Busch pela InBev, comandará a quarta maior empresa de produtos de consumo do mundo, atrás apenas das gigantes Nestlé e Coca-Cola.

“Liderar é a arte de influenciar pessoas”, já dizia John C. Maxwell, referência mundial em liderança executiva e autor de best-sellers. Mais do que isso, está nas mãos do líder o sucesso ou fracasso de uma companhia. Sua reputação junto ao mercado depende exclusivamente de quem controla o jogo. Ambições à parte, nada justifica uma ação que foge a ética. Em minha biografia “Você não tem de ceder”, publicada pela editora Campus, retrato situações em que não sucumbi a nenhuma ação duvidosa, mesmo que para isso o preço fosse ganhar adversários.  Precisamos dar um basta a estes poucos maus exemplos que contaminam o mundo dos negócios. É algo realmente a se refletir.

2 Respostas para “Que exemplo de líderes teremos após Dantas?”


  1. Icone Gravatar 1 Adriana Salles Gomes

    Julio, acho que, se a repercussão do caso Dantas tiver no Brasil a duração e o impacto (gerando novos comportamentos, regras e cuidados) que o caso Enron teve nos Estados Unidos, terá valido a pena, porque será extremamente didático. Acho mesmo que Enron foi bom pros EUA (e pro mundo em certa medida) por isso, o tal negócio de se escrever certo por linhas tortas…Só que, para o episódio Dantas ser bom pro Brasil, vai depender muito da imprensa e da Justiça.

  2. Icone Gravatar 2 Julio Sergio

    Adriana, com uma Polícia Federal mais cuidadosa, juízes com menos ego e mais eficientes, eleitores mais cuidadosos e exigentes, certamente, teremos um país melhor e mais justo.

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