Quem já precisou ligar para o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) de qualquer empresa sabe muito bem o que é passar pela terrível experiência de ficar horas e horas para ser atendido. E mal atendido, na maioria das vezes. Apesar de o call center ser uma das mais importantes áreas de contato com o consumidor, nos últimos anos ele passou a ser administrado fora de casa.
Um verdadeiro equívoco em minha opinião. Como as organizações podem ser eficientes e oferecer qualidade se adotam a estratégia de colocar nas mãos de outros um de seus principais ativos, o cliente? O call center é, sobretudo, a porta de entrada de uma empresa, seu cartão de visitas. Mas o que se vê é boa parte das companhias aderindo à onda da terceirização de forma indiscriminada, na busca por menores custos. Visão que precisa mudar.
Não podemos esquecer que essa corrida incessante por redução de custos, a médio prazo, pode trazer conseqüências negativas. As empresas também não enxergam que se por um lado enxugam custos, por outro perdem clientes. Pesquisa recente realizada pela Harvard Business Review constatou que 68% dos americanos abandona a marca e vai para o concorrente pela postura de indiferença ou descaso de funcionários das centrais de atendimento. Os números só comprovam o quanto um bom relacionamento com o consumidor é essencial à sobrevivência das empresas no mercado.
Ian Jacobs, analista sênior da Frost & Sullivan, em entrevista dada a publicação Inside 1 to 1, da consultoria Peppers & Rogers Group, fala que países com operações terceirizadas em amadurecimento vêm perdendo o timing justamente por enxergarem no call center a saída para cortar gastos. Tenho que concordar com Jacobs sobre o erro que as organizações cometem ao achar que terceirizar as operações de atendimento é a maneira mais rápida de atingir seu lucro trimestral.
A abertura de mercado e as pressões sobre custos forçaram as corporações a pensar mais em competitividade. Foi quando os olhares dos gestores voltaram-se para as despesas com funcionários de áreas que não eram a especialidade da empresa. Agora pergunto: será que o relacionamento com o cliente não deve ser prioridade para uma companhia?
Antes de entregar qualquer setor de uma empresa para o gerenciamento de terceiros é essencial pesar os prós e contras. O mais famoso guru da administração, Peter Drucker, já dizia que “toda organização precisa assumir a responsabilidade gerencial sobre todas as pessoas de cuja produtividade e desempenho ela dependa - sejam elas temporários empregados de meio período, funcionários da própria organização ou dos seus fornecedores”.
O que não acontece nem de longe com a área de atendimento. As organizações mais espertas perceberam isso rapidamente e para evitar problemas futuros, decidiram sair à frente de seus concorrentes. Como? Levaram para dentro de casa seus call centers. A TIM é um bom exemplo. Não foi à toa que a operadora italiana mudou a rota, já que o mercado em que atua vive uma guerra acirrada na disputa por clientes.
No setor aéreo, há o caso de sucesso mundial da American Airlines, que se destaca pelo nível de atendimento ao consumidor. No Brasil, a Gol seguiu seu exemplo ao internalizar seu call center. Essas experiências mostram que terceirizar o call center de olho apenas na redução de custos não só é um pecado mortal como pode colocar em xeque a sobrevivência da empresa no mercado.
Ainda mais quando alguns players vêm criando novos canais de comunicação com o cliente, como os blogs corporativos. Vejamos a iniciativa da Claro que anunciou no último dia 16 de julho um canal onde clientes e stakeholders terão diálogo direto com a operadora. Será que teremos um outro cenário nos próximos anos?
