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Que crise? Pergunte ao Lula!

5291721_206352361.jpgAo contrário do ambiente de tensão que invade os Estados Unidos após o pedido de concordata do Lehman Brothers e do socorro do tesouro americano à AIG, no Brasil não há, pelo menos por enquanto, indícios de que a crise vá causar grandes estragos. Parece, inclusive, que a crise continua bem distante de nós. Enquanto lá fora pude ver o desespero estampado no rosto de muitos americanos, aqui seus reflexos não chegaram à vida dos brasileiros.   Mas causa calafrios.

Parte da população continua inebriada ao atravessar um momento de euforia, com recordes de investimento. Eu disse parte, porque algumas pessoas começam a questionar se enfrentaremos um furacão ou apenas uma forte tempestade. Claro que nada perto do clima de pânico que já nos acometeu no passado. A perspectiva de uma volta da inflação, da eventual queda nos preços internacionais das commodities ou da falta de crédito, gera incertezas.

Mal desembarquei em São Paulo vindo de Nova York e ouvi gente perguntando:  “Com as oscilações da Bolsa, devo continuar mantendo meu dinheiro nela?” ou “Estava querendo trocar de carro, será essa a hora de fazer um financiamento?”.  Até mesmo questões como a viabilidade de comprar dólar agora ou não para a viagem de fim de ano têm provocado dúvidas e angústias.

Mesmo diante dos poucos sinais de retração em nossa economia, é preciso cautela. O melhor agora é esperar. No início da semana li uma entrevista do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na Folha de São Paulo, afirmando que a economia brasileira construiu uma “resistência” à crise atual. Apesar de ainda estarmos imunes a toda essa turbulência global, ainda é cedo para sabermos se seremos ou não atingidos, e de que forma poderemos ser afetados.

Nos últimos 13 meses, revivemos o fantasma da grande crise de 1929 – considerada uma das piores tragédias econômicas da história - que tem assombrado o mercado financeiro mundial.  Ignorar os fatos é uma atitude arriscada e perigosa. Os economistas não prevêem uma onda de demissões no país, mas não dá para a população continuar saindo por aí e se endividando irresponsavelmente em financiamentos da casa própria e do carro novo.

Recuo que, certamente, afetará o consumo interno. O varejo já refez suas estimativas de vendas para o Natal deste ano.  Embora otimistas, com uma previsão de aumento em torno de 6%, o setor teme que se a Selic (taxa básica de juros) continuar subindo, as vendas sejam mais fracas em comparação a 2007, segundo matéria do jornal O Estado de São Paulo, publicada domingo último. 

Por mais que estejamos “blindados” até agora e cruzemos os dedos para que o socorro do governo Bush, estimado em US$ 700 bilhões, de fato aconteça, todo cuidado é pouco. E que nos sirva de lição, acima de tudo. Mesmo porque ninguém soube até agora explicar direito o que está acontecendo. Muito menos fazer qualquer tipo de previsão sobre o que vai acontecer nos próximos meses.

Mas é cedo ainda para sabermos de que forma seremos atingidos. De uma forma ou de outra, o mercado não será mais o mesmo daqui para frente.    Bush chamou a cavalaria, mas por aqui não dá pro Lula chamar os Dragões da Independência e “salvar a Pátria”!

3 Respostas para “Que crise? Pergunte ao Lula!”


  1. Icone Gravatar 1 Adriana Salles Gomes

    É, já estão reduzindo as previsões de investimentos nos países emergentes. De algum modo isso nos afetará, sim. Mas acho que não dá para ter pânico, porque pânico gera pânico, e toda crise tem um forte componente emocional. Agora, tem uma boa notícia (aparentemente) disso tudo: parece que a crise torna a eleição mais favorável para o Obama, segundo as pesquisas. O que me causa profundo alívio depois que o McCain escolheu a Sarah Palin de vice.

  2. Icone Gravatar 2 Jorge Carvalho

    O pessoal aqui tem outra opinião Adri. Mesmo com a economia sendo atribuida aos republicans, essa crise favorece o McCain. O Obama não tem experiência para lidar com uma crise dessa magnitude e ela é ceríssima! Fora isso, uma das propostas do Obama é aumentar os impostos para pequenas empresas, o que certamente cortaria empregos e causa temor no eleitorado. Vamos ver, qualquer um que ganhar vai ter alguns anos muito difíceis.

  3. Icone Gravatar 3 Adriana Salles Gomes

    Mas hoje saíram duas pesquisas de opinião em que o Obama aparece como o mais capacitado. Deu nos jornais daqui pelo menos.

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