Conhece essa história? Muita gente acha que é lenda urbana, mas não é. Em 1967, o psicólogo social norte-americano Stanley Milgram fez um experimento. Pediu que 60 pessoas moradoras de Kansas City, no centro dos EUA, tentassem enviar uma carta para destinatários desconhecidos em Boston, na parte norte da costa leste. Mas não pelo Correio. Elas tinham de enviar a carta para algum conhecido de qualquer cidade, que então remeteria a carta para outra pessoa, até que o destinatário final, em Boston, fosse encontrado. Em média, houve cinco intermediários para que as cartas chegassem a seu destino. Mais tarde, isso foi comprovado matematicamente. Um professor de gestão brasileiro, Sérgio Lazzarini, do Ibmec São Paulo, descobriu que esse fenômeno do mundo pequeno se aplica também aos proprietários de empresas no Brasil. Ele estudou 640 empresas e viu que, de um modo ou de outro, a maioria está ligada a estes acionistas: os fundos de pensão Previ, Centrus, Petros e Sistel; o governo federal (incluindo BNDES) e os grupos empresariais Bradesco, Itaú, Oportunity, Suzano (família Max Feffer), Aliança da Bahia, Unibanco (família Moreira Salles) e Camargo Côrrea. Entre os estrangeiros, só a JP Morgan Corporation. Foi bom para acalmar os xenófobos. Leia a entrevista com o Sérgio na HSM Management Update nº 41. Ah! E nos eventos da HSM que têm o Bill Clinton como palestrante, a gente encurta os caminhos até personalidades e líderes do mundo inteiro.
Update: Saiu na revista Discover um artigo de uma professora que disse ter havido fraude na pesquisa do Stanley Milgram. Aí perguntei para o prof. Sérgio Lazzarini sobre isso. Vejam o que ele me escreveu: ”A pesquisa dessa professora me pareceu bem interessante. Fiquei também surpreso ao ver que o estudo do Milgram estava incorreto. (Já vi, entretanto, isso acontecer outras vezes na academia… É mais comum do que parece…) Mas isso, como o próprio artigo coloca, não invalida a análise de “small worlds”. De fato, diversos estudos empíricos têm encontrado que, em situações gerenciais e em outras situações mais genéricas, redes se comportam como “small worlds”. Uma boa revisão de diversos resultados empíricos pode ser encontrada no seguinte artigo: UZZI, B., L. A. N. AMARAL e F. REED-TSOCHAS. “Small-world networks and management science research: a review.” European Management Review, v.4, p.77-91. 2007.”
