Matéria do The Wall Street Journal traduzida hoje no Valor é interessantíssima para se discutir a postura da direção das empresas nas épocas difíceis, serve para os períodos de bonança, mas é quando a coisa aperta que uma relação sincera e azeitada com a equipe pode fazer a diferença.O título desse post é uma provocação e também menção ao artigo, 72 horas foram suficientes para destruir uma empresa que tinha 85 anos. É claro que o CEO Alan Schwartz permitiu ou não viu o risco da exposição do banco no mercado imobiliário, mas a visão não foi o seu principal defeito. Ele não soube se comunicar nem fora, nem dentro da empresa. Acuado, não sabia se fingia normalidade e mantinha os compromissos ou acelerava uma tentativa de solução e, mais boatos e saques.Talvez um dos maiores erros foi tentar a estratégia tradicional, a falsa calma. Narra o artigo que o ex-presidente, um velhinho ainda ativo de 80 anos, Alan “Ace” Greenberg, tentou utilizar seus dons de mágico, não para resolver a situação, mas para entreter os funcionários e convencê-los da normalidade. Imagine a cena, um monte de boatos, todos preocupados, muito mais com o próprio dinheiro do que com o dos clientes, e o nonsense do antigo presidente disfarçando com truques de mágica…Muito será escrito sobre essa crise, não é sempre que um banco desse porte desaparece. Já as mentiras entre chefes e subordinados são freqüentes. Algumas vezes mentiras deslavadas, muitas, situações onde o chefe fala e os subordinados fingem concordar, o contrário também acontece. Perguntar se já passou por isso na sua carreira é absurdo, a pergunta correta é: passou por isso hoje? O problema é quando o cerco aperta, aí, um faz cara de conteúdo para o outro e os dois não partem logo para uma conversa franca e sincera, preferem ficar silenciosamente colocando a culpa no outro. Quase sempre o subordinado dança, a corda estoura para o lado mais fraco, até que um dia estoura a do presidente também. Nessas horas, não há razão, formação ou remuneração capazes de substituir uma relação de confiança e cumplicidade. Essa está cada vez mais rara no mundo corporativo, cabe aos líderes o exemplo, caso contrário a incompetência vence.
3 Respostas para “72 x 85, a incompetência venceu!”
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É Marcelo, como diria o Jack Welch: honestidade faz milagres! O problema é que a maioria das pessoas não querem saber o que está realmente acontecendo e preferem adotar uma postura de culpar externalidades ou jogar tudo para debaixo do tapete. Um dia a conta chega…
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A questão toda é romper tradições, difícil difícil. A estratégia da falsa calma e a tática das caras de conteúdo realmente são duas tradições arraigadas no meio empresarial, enquanto o sentimento de confiança não é nadica de nada tradicional….
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Um executivo brilhante que eu conheci calculava que o gestor padrão passa 40% de seu tempo serrando os pés da cadeira de quem está acima, outros 40% impedindo que serrem sua cadeira e lhe sobra só 20% do tempo para trabalhar. Pela matemática, não dá pra confiar
