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Acho o programa apresentado ontem pelo Jorge Carvalho bem interessante (o BookMooch). Mas como editor e apaixonado por livros confesso que tenho uma certeza dificuldade em fazer o sugerido, aliás, quem vai querer os meus livros? Não porque não sejam bons, mas eu os risco, faço anotações, coloco os meus comentários sobre a leitura. Vou voltar a eles? Alguns sim, os que não valem a pena, paro de ler. Trocaria esses mais facilmente? Sim, mas que sentido faz para mim, sempre com o viés de editor, disponibilizar aos outros o que não gostei.
Ou seja, mais do que buscar algo específico, a leitura é um momento de busca de essência, algo que nem sempre encontramos, mas que passamos uma vida na procura. É um quebra-cabeças que os livros ajudam a clarear. É por isso que devem estar na estante da nossa biblioteca. Garanto que um dos momentos mais prazerosos e interessantes foi nesse ano ao trazer para minha casa uma parte do que sobrou da coleção de livros do meu avô. Fiquei imaginando o que seria diferente se eu pudesse ter discutido com ele sobre aqueles livros. Não sei os que leu, o que achou. Minha mãe não se interessou muito, mas eu coloquei com muito orgulho e com um pouco de reverência na minha estante, eles são mais velhos do que eu, tenho esperança que os meus netos comentem neles não apenas as evoluções da língua, mas principalmente como o tempo passa, as tecnologias mudam e o bicho homem é muito parecido.
Que a troca de livros seja para completar a sua biblioteca, nunca para a substituir…
