Os leitores desse blog, sabem da minha admiração ao pragmatismo de Michael Porter. Pois bem, ele se pronunciou, através de um artigo na revista Business Week, falando sobre a crise americana e como uma estratégia clara, focada nos pontos fortes americanos é a única maneira de combater a crise no longo prazo. Abaixo coloco alguns pontos levantados por ele no artigo.
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Para entender a economia americana, precisamos entender primeiro quais são seus pontos fortes:
1º um ambiente fertil para o espírito empreendedor.
2º o empreendedorismo americano vem sendo alimentado pela incrível capacidade de inovação em áreas como tecnologia e ciências. Em 2007 os EUA registraram 80.000 patentes, mais do que todos os países do mundo juntos.
3º possui as melhores instituições de ensino superior
4º é o país mais focado em competitividade e free market. Essa crença levou um aumento de produtividade, renovação e reestruturação em diversas áreas.
5º as políticas economicas são descentralizadas em diversos estados. Não existe uma “única” economia americana mas uma série economias regionais especializadas. Cada estado pode brigar por sua competitividade e resolver seus problemas específicos. A descentralização talvez seja uma das maiores vantagens competitivas dos EUA.
6º historicamente os EUA é o país onde o mercado de capitais é mais eficiente e abundante, especialmente para capital de risco.
7º os EUA continuam sendo um país dinâmico e resiliente, aceitam suas derrotas, se reestruturam e seguem em frente.
Todos esses pontos, que historicamente fizeram a economia do país crescer e se diversificar, estão se deteriorando. Falta claramente uma estratégia de longo prazo no nível federal. Enquanto vemos os investimentos em P&D aumentam em muitos países, eles declinam nos EUA, colocando em risco o espírito empreendedor.
A crença competitiva americana se enfraqueceu, deixando que conglomerados dominem alguns mercados. Além disso, existe uma pressão para uma política mais protecionista, o que colocaria ainda mais em risco a força competitiva americana.
A facilidade de fazer negócios já não é mais a mesma de tempos atrás, o crescimento da tributação e altos custos de mão de obra juntos com a ineficiência energética e custos crescentes em saúde deixa o cenário muito preocupante. Esses custos estão levando os investimentos para fora dos EUA, inclusive investimentos feitos por empresas americanas.
Quando pensamos na força de trabalho da próxima década, vemos que aqueles se aposentando hoje, muitas vezes são mais bem educados do que os novos entrantes. O problema da educação pública, precisa ser enfrentado e resolvido. A questão, muito parecida com o que acontece em saúde, não é financeira mas estrutural e só se resolve através de um ambiente competitivo mais adequado.
As eleições americanas estão ai e nenhum dos candidatos apresentou uma proposta que englobe todos os pontos necessários para uma reformulação do país a nível estratégico. Essa crise, para ser resolvida, vai exigir um foco estratégico disciplinado do país.

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