Ainda sobre páginas e telas

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O caderno Mais da Folha publicou uma entrevista com Philip Roth no último domingo. Roth é um dos principais escritores vivos da atualidade, sempre discutindo o que é a vida, sempre retratando de maneira profunda a espécie, ele, do alto dos seus 75 anos é pessimista, acredita que as páginas perderam para as telas. Hoje o Valor reproduz entrevista de Jeffrey Bezos, fundador e CEO da Amazon sobre o Kindle, o livro eletrônico deles.

Essa operação é uma mudança de modelo de negócios da Amazon, uma verticalização. Está dando certo? Parece que ainda não. Perguntado sobre os números, responde de forma evasiva e coloca percentual 6% sobre as vendas totais. No mesmo período Steve Jobs anuncia o iPhone 2.0 e a cota de vendas de 10 milhões de unidades em 2008. Acho que enquanto a Apple não aderir no mercado de livros, enquanto não trocar MacBooks por iBooks, os ebooks não decolarão. No mínimo, o design de ambos é ainda muito diferente… E a cota de vendas também…

8 Respostas para “Ainda sobre páginas e telas”


  1. Icone Gravatar 1 Jorge Carvalho

    Marcelo, concordo com você que ainda não decolou e ainda vai demorar um pouco. No caso da Amazon, 6% sobre as vendas totais com um produto que foi lançado a menos de 1 ano e que ficou em falta por meses acho um resultado interessante. Vale olhar o que eles estão fazendo em cloud computing para entender melhor a estratégia do Kindle. Sem falar no fato de parte das receitas da Amazon virem de vendas de livros usados.
    Vale a pena acompanharmos esse assunto!

  2. Icone Gravatar 2 Adriana Salles Gomes

    O que é cloud computing, Jorge?

  3. Icone Gravatar 3 Jorge Carvalho

    Explicando em linhas gerais, seria um paralelo entre eletricidade e capacidade de computação. Isso é um dos pilares da estratégia do Google e da Amazon. A Microsoft acordou e está correndo atrás! Capacidade de computação nas núvens feita através de datacenters espalhados pelo mundo. Você faz uma busca por ex, toda a parte analítica acontece nos servidores do Google e Amazon, nada roda no seu computador. O Mac Air e o MobileMe começam a mostrar que a Apple também vê isso como um fato. Fiz um post sobre um livro que explica muito melhor:
    http://hsm.updateordie.com/empresas/2008/06/the-big-switch/

  4. Icone Gravatar 4 Adriana Salles Gomes

    Ah, sei o que é isso, não sabia que tinha nome…

  5. Icone Gravatar 5 Jorge Carvalho

    Olha que interessante esse artigo “How the book publishing industry should reinvent itself” postado no site da Harvard hoje:
    http://conversationstarter.hbsp.com/2008/06/an_open_letter_to_the_book_pub.html

  6. Icone Gravatar 6 Adriana Salles Gomes

    Interessante a reinvenção proposta, Jorge, mas não sei se ela funcionaria bem fora de um mercado maduro como o americano. Por exemplo, o conceito de packager quase inexiste no Brasil. Minha empresa foi uma packager, mas as editoras pagam tão pouco que só se viabilizaria o negócio trabalhando com profissionais bem baratos, ultrajuniores, o que não rola no publishing (ou não rola comigo). Então, como um autor contratará packagers aqui? Outra dúvida é essa de deixar a decisão de lançamento depender da repercussão na internet. Não há no Brasil o costume de experimentar novos autores, porque se lê mais por obrigação de formação, e formação é sempre algo retroativo. Será que não acabariam sendo vendidos só os best-sellers estrangeiros e os consagrados nacionais? Também não sei qual é a solução, mas essa eu questiono…

  7. Icone Gravatar 7 Jorge Carvalho

    É algo bastante novo com certeza mas que já deve estar no nosso horizonte se quisermos continuar relevantes no longo prazo. Nos Estado Unidos já está aparecendo. Quando e se chegará por aqui, é discutível. Conhecem o lulu.com?

  8. Icone Gravatar 8 Marcelo Melo, Virgília

    Jorge
    Como vê eu respondo devagar. Eu não conhecia o lulu, vou avaliar o modelo e ler o artigo da Harvard.

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