Zeros e uns
11.000 aplicativos disponíveis para Twitter. *
1.000.000.000 de downloads na App Store. **
100.000.000 US$ disponíveis para empresas criarem aplicativos de iPhone e iPod. *
1.000.000 de usuários brasileiros no Facebook.**
Esses números são recentes. Coletei a pouco em alguns artigos. Na verdade, não é deles que eu vou falar. Os escolhi por conterem “Zeros e Uns”, como ilustração do lógica binária que nos trouxe até aqui.
Sou da geração em que 1 mega era relevante. Embora hoje tenha um HD acima de 1 Tera. Possuo conta no twitter, mas não consigo seguir mais de 100 pessoas .Caso contrário fico confuso.Também sou hard user do Facebook e mantenho atualizado meus contatos profissionais no Linkedin. Resumindo, sou transitório, assim como muitos. Me sinto parte, não assumo isso com voz de dono, mas como quem participa. Ativamente. Apenas sei, entre esses zeros e uns, prefiro ser um. Mas também não quero ser o único.
Observo, então me torno questionador. Não como purista, ou mesmo, como um boêmio meio intelectual, daqueles que não gostam de ver gente nova no bar. Acham que é dele. Muito pelo contrário. Estou vendo como se vestem, sobre o que conversam e o que pedem esses s novos fregueses.
Os novos frequentadores, conversam rápido, não são profundos, embora de alguma forma exista comunicação. Disse a Veja desse mês, que eles estão sozinhos. Quem ali vive, diz o contrário. Que há vida, existe relacionamento. A minha parte transitória, acredita nisso. Mas aqueles que não tiveram contato, possuem um ceticismo compreensível.
No período em que vivemos. Entre os novos, os transitórios e os céticos, deve haver cautela, sim. Mas com uma pitada de ousadia. Não é de se estranhar. O que movimenta a economia real na internet, são as traduções literais dos modelos de negócios já estabelecidos. Varejistas, Bancos, Industria Automobilística, Turísmo. Resumindo - os tradicionais se adaptam e novos surgem – simples assim.
Afinal, a transição é uma via de mão dupla.
Transição de Gerações
Vamos todos para o novo. Dizem os audaciosos. Entenda audácia como coragem para alguns e aventura para outros. Um bar cheio, enche os olhos de qualquer dono. Mas esses novos frequentadores são diferentes. Esses novos clientes não costumam gastar - eles têm dessas - não gostam de pagar. Então, como fica? O bar tem funcionários, fornecedores, custos fixos. Como a conta fecha?
O proprietáro não sabe ao certo. Apenas admira o seu estabelecimento apinhado. Não está parado, já tentou propaganda. Não deu tão certo quanto esperava. Os frequentadores odeiam ser interrompidos. Testaram áreas vips. Onde para entrar deve-se pagar. Prometendo uma entrega diferenciada. De certa forma deu certo. Acesso VIP qualifica. É um valor imutável. Ninguém quer ser igual. Tudo bem, isso paga parte da fatura.
A relevância tornou-se o segredo. Circular entre as conversas. Não interromper. Essa lição quem deu foi o Google. Há tempos atrás. Dessa maneira, os bares começaram a entender quem eram os seus frequentadores, estimular debates para que surgissem grupos cada vez menores. Tão menores que beiraram o infinito. Como uma grande cauda.
Economia Real
Deixando, por um instante as metáforas e indo para os fatos. O facebook possui 225milhões *** de usuários mundo afora. Atualmente a receita do site é de US$ 500 Milhões***. Podemos supor, em uma conta rasa, que cada usuário foi capaz de gerar uma receita de US$ 2,22 ao longo do ano. US$ 0,006 por dia. Quase de graça. Nessas proporções se 20% de toda a humanidade (1,2 bilhões **** do total de 6 bilhões de pessoas) estivesse no facebook. O faturamento da rede social seria US$ 2,64 bilhões. Parece plausível. Até o final desse ano, a rede já espera superar a casa do bilhão. Relembrando que se cada usuário deixa apenas US$ 2,22, podemos considerar que qualquer centavo varia consideravelmente o resultado. E eles estão trabalhando para melhorar esse indicador. Uma vez que a expectativa deles esse ano é superar os 300 milhões de usuários. Ou seja, estão se empenhando e muito para melhorar o seu desempenho em publicidade. As expectativas são ousadas. Eles querem e estão confiantes. Esperam ser a porta de entrada na internet para a maioria das pessoas ao redor do mundo. Aliando isso a uma boa estratégia comercial, sim temos alguém fazendo frente ao Google.
Negócios estabelecidos, como o e-commerce, por exemplo, movimentam muito mais. Só no Brasil foram 8,2 Bilhões ***** de reais movimentados em nossos sites. Enquanto só a amazon, faturou US$ 19,1 bilhhões em 2008. Cito isso para a gente não esquecer as diferença entre o que ocorre na economia real e nas futuras promessas.
Porém, são modelos distintos. Alhos e bugalhos. Estamos falando, do Facebook, uma plataforma de relacionamento. Quanto valeria o maior e mais frequentado bar do mundo? Certamente uma bela quantia.Vale lembrar que em 2007 a Microsoft aportou na companhia 240 milhões de dólares, em troca de 1,6% de participação no site. Façam as contas.
Esses números não são parametros. São ilustrações exageradas. Apenas para destacar as divergencias e oportunidades nesse novo universo.
Sua marca em um novo modelo
A pergunta sobre o valor das redes sociais, em parte esta respondida. Mas a pergunta certa é, o que elas podem fazer para você? Sua marca.
Se pensarmos. O Facebook é mais capaz de gerar negócios para amazon, do que para ele mesmo. É verdade. As redes sociais possuem mais valor para quem as usa do que para elas em si. É certo afirmar, quem nem toda rede dá ou deu certo. Vide o Second Life. Mas em geral o eco-sistema que rodeia essas iniciativas é extremamente fértil.
O valor dessas plataformas, está na capacidade de transformação. Não existem regras estabelecidas, muito menos modelos tradicionais de publicidade. Ou de rentabilidade. O twitter é um só e 11.000 foram as reinvenções do seu próprio DNA. Muitos deles sequer estava no imaginário dos seus fundadores.
Um pouco mais controlado foi a Apple com o iPhone. O que faz o iPhone ser extraordinário, desconsiderando seu layout inovador, são os aplicativos que o rodeiam. São centenas de milhares.
Certamente uma dessas variações pode trazer benefícios para a sua empresa. Ou a mistura de algumas delas. A transformação e a retransformação é constante. O senso de oportunidade que dá o tom correto. Como aplicar isso ao dia-a-dia?
Modelo de gestão orientado a transformações.
Na sua companhia é importante ter gestores transitórios, que consigam captar o novo, traduzindo suas necessidades reais em oportunidades inovadoras. Na sua companhia deve haver um corpo jovem, esse provocador. A única coisa que não pode é ocorrer é distancia e descrença.
Perceba, não digo que a sua empresa tem que estar preparada para internet. Digo que ela deve estar preparada para o constante. O problema é: esse novo está cada vez mais rápido.E no inicio promete mais do que entrega. O novo possui a prerrogativa da inocência. Mas negócios são negócios.
Em momentos transitórios aliados a recessões é difícil temperar metas agressivas com inovação. Mas no mínimo elas devem ser consideradas.
Pondere
O Brasil sofre um reflexo um pouco mais lento sobre os números que tratei aqui. Vale lembrar que quando falávamos dos 300 milhões no facebook, apenas 1 milhão desses usuários são brasileiros. É coerente se preparar para o que está por vir.
A cultura do novo é uma geração sem compromisso, abandonam algo que amavam em questão de segundos. A sua marca deve acompanhar esse fluxo. E muitas vezes antecipar. Nesse caso a audácia é coerente.
Tratamos aqui sobre os ecosistemas das redes sociais, as novas oportunidades, a cultura do grátis e de gestão transitória. Vamos considerar isso no nosso dia-a-dia?
As vezes penso. Quando essa nova geração assumir a liderança das grandes corporações. O bordão de RH para contratação será: E você? Onde vai querer estar nos próximos cinco minutos.
* Wired Junho 2009-07-07
** IDG Now
*** ADNews
**** Wikipedia
***** Ebit
