Alma, imoralidade, gestão, empresas

4.jpgEste título não é um exercício de livre associação de palavras (mas bem que poderia ser). Fui assistir à peça “A Alma Imoral”, em cartaz em São Paulo no teatro Eva Herz (da Livraria Cultura) até setembro. É um monólogo da atriz carioca Clarice Niskier, baseado no livro homônimo do rabino carioca Nilton Bonder. Em primeiro lugar, recomendo fortemente a peça ou o livro, ou, se for possível, os dois (o livro é  fino). É um emaranhado de reflexões na fronteira do teológico com o filosófico-psicológico e tem grande poder de mexer com as pessoas, físicas e jurídicas. A peça/o livro “reposicionam” os conceitos milenares da nossa civilização ocidental (judaico-cristã), como diz o site da peça, numa época particularmente importante, em que o corpo está sendo redescoberto. Fala da necessidade de trair as tradições para sobreviver, dilema que estamos vivendo a todo momento hoje na vida pessoal e profissional. Nesse contexto, o imoral é bom. Eu gostei de muitos momentos, cito alguns aqui:

  •  O Mar Vermelho não se abriu para o povo judaico passar. Segundo o Midrash (comentário alegórico dos rabinos), um dos homens do grupo, Nachson ben Aminadav, começou a marchar e, quando estava com água pelo nariz, Deus se impressionou com sua coragem e fez o mar abrir.
  • Não foi Deus exatamente que mandou Abraão matar o próprio filho, como também não foi Deus que o liberou da missão. Naquela região havia a tradição do sacrifício do primogênito (Deus era a tradição) e Abraão resolveu trair a tradição atribuindo isso a um desígnio divino e criando nova tradição (Deus foi a traição). Abraão foi imoral, pois legitimou uma nova moral, , necessária à sobrevivência e evolução da espécie humana (ou pelo menos dos judeus).
  • Assim foi a imoralidade de Eva no paraíso, que oferecendo a maçã a Adão criou uma nova moral também, necessária à sobrevivência e evolução da espécie humana. E segundo o rabino (não sou eu que digo), as mulheres (algumas, pelo menos) continuam hoje plantando essa semente de imoralidade tão necessária a todos.

Tem um trecho que resume isso de um modo super interessante: fala que a preservação da lei é obtida, muitas vezes, pelo rompimento da lei. Ou seja, preserva-se o espírito da lei desobedecendo-a. Tudo a ver com este momento extraordinário que vivemos, que pede rupturas e inovações em nossas vidas pessoais e nas empresas, não? Ah, a atriz fala de um empresário caxias que não tirava férias havia anos e que, depois da peça, resolveu passar a tirá-las –esta seria sua pequena imoralidade. (Acho que cada um comete a imoralidade que aguenta cometer.)

3 Responses to “Alma, imoralidade, gestão, empresas”

  1. Plus dangereux que la blanche colombienne « HSM Says:

    […] HSM B-Blog « Alma, imoralidade, gestão, empresas […]

  2. VANESSA Says:

    gostaria de sempre receber noticis sobre gestão de negocios e sobre o mercado de trabalho e atualidade do muundo envolvendo todos os aspectos

  3. Adriana Salles Says:

    Vanessa, mande seu e-mail para lhe enviarmos nossas newsletters. Vc pode enviar para jcarvalho@hsmglobal.com

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