Plus dangereux: le blanche colombienne

ingrid_betancourt.jpgVou tentar fazer agora, antes de uma semaninha de férias, um post misturando Daniel Filho com Ingrid Betancourt, a propósito de “A Alma Imoral”. E com trilha sonora, imitando o Wagner. Se eu não me perder, acho que vai ter algum nexo…Acabei de recomendar a peça A Alma Imoral, que me chamou a atenção para a importância estratégica da traição à tradição, da imoralidade que desafia a moral vigente. O que o Daniel Filho fez, como mostrou o post do Marcelo Melo, foi exatamente isso, pois abrir mão do poder é trair a tradição. E hoje ele tem outro tipo de poder, no cinema, que, para mim, é potencialmente mais poderoso (até porque aquele poder que ele tinha, convenhamos, diluiu-se com o advento da TV a cabo e o aumento da concorrência na TV aberta). 

Outro caso é o da Ingrid Betancourt, refém das Farc por seis anos e recém-libertada, numa das histórias mais emocionantes dos últimos tempos. Ela foi falar que a outra refém Clara Rojas quis afogar no rio o filho nascido na selva (fruto de um caso com um guerrilheiro) e que ela, Ingrid, é que a teria impedido de matá-lo. Isso não se diz, claro, mesmo que seja verdade, por solidariedade ao desespero da outra, porque o menino vai escutar etc. Clara veio a público desmentir, que é o que ela tinha de fazer mesmo e a coisa toda pegou mal. Assim como, para mim, pegou mal a Ingrid  logo falar que continuava querendo ser presidente da Colômbia. Saiu do cativeiro, espera-se que continue com atitude de vítima, afinal de contas! Mas isso é a tradição.

Assim como o Daniel traiu o poder, acho que a Ingrid está traindo as vítimas, o estatuto delas. Sei lá, desconfio que ainda vem muita coisa por aí dessa mulher, que parece ser a verdadeira “dangereux blanche colombienne”, da deliciosa música da primeira-dama Carla Bruni, que eu cantarolo o dia inteiro. Até a volta!

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