Neoluddistas e sua função
Ned Ludd foi o responsável por um incêndio criminoso que destruiu máquinas têxteis de uma fábrica de Nottingham, Inglaterra, durante a Revolução Industrial no início do século 19. Esse movimento antitecnologia, batizado de luddista, foi considerado uma resposta racional à ruptura causada pela nova tecnologia da época. Agora chamam-se de neoluddistas os que lutam contra a pesquisa de células-tronco, contra os organismos modificados geneticamente, logo, logo, contra nanomecanismos aplicados no ser humano, contra máquinas autônomas etc. E quem é a favor disso tudo fica com raiva deles.Porém, assim como o luddismo no passado, também é preciso entender o neoluddismo como resposta racional à ruptura tecnológica que estamos vivendo. E mais: mesmo discordando desses movimentos, temos de saber que precisamos deles. A editora Marisa Moreira Salles mostrou, dias atrás, a compreensão perfeita desse “paradoxo” quando do adiamento da decisão sobre a pesquisa com as células-tronco no Supremo Tribunal Federal: ela explicou que advoga a liberação da pesquisa mas que aceita quem defenda a proibição da pesquisa por questões de fé (e, corajosa e genialmente, completou que só não aceita a má-fé –do adiamento da decisão pelos magistrados). Em resumo, a gente tende a ter raiva de quem pensa diferente, mas não devia. A oposição é útil, mesmo que difícil de engolir. No caso em questão, o Institute for the Future já sinalizou: dos escombros do embate entre as visões da tecnologia como aliada e da tecnologia como inimiga é que surgirá uma nova identidade mundial. (E tá explicado por que ditadura não presta.)