Uma vez escrevi uma matéria sobre mulheres empreendedoras e fiz um paralelo (realista) que agradou as leitoras. Expliquei que o primeiro cliente de uma empresa era mais ou menos como o primeiro namorado. Até uma menina ter o primeiro namorado, ela não é muito valorizada no “mercado”. Mas bastou aparecer o primeiro para que outros a desejem. Com cliente é parecido. Tem a ver com a lógica da humanidade, que deseja a grama do vizinho, e tem a ver com a autoconfiança que um cliente (ou parceiro amoroso) nos faz desenvolver. Essa relevância do cliente vem aumentando e não só do primeiro. Isso é confirmado tanto pelas empresas que recuam em seus atendimentos ao cliente automatizados, frios, chatos e impessoais, como por declarações como a do Kevin Roberts, CEO mundial da Saatchi & Saatchi, de que os consumidores morreram e foram substituídos por gente. “E gente não quer marketing; quer compromisso, atenção, conexão (leia-se namoro)”, diz ele. Mas agora a novidade é outra: parece que algumas empresas estão incorporando para valer o papel de namoradas. Levei um susto outro dia numa experiência de compra no site MercadoLivre, visto por alguns como uma bússola do futuro do marketing. Lá compradores opinam sobre os vendedores (muitos, pessoas jurídicas) e vice-versa. Então: o que tem de vendedor reclamando de comprador (com bem pouca cerimônia às vezes) não é brincadeira! Sem essa de “o cliente é o rei”. É relação em pé de igualdade. Do tipo: “eu preciso dele, mas ele precisa de mim também”. (Você pode dar uma olhada nas avaliações cadastrando-se.) Não sei no que vai dar isso, mas talvez estejamos diante de padrões comerciais bem diferentes. E talvez os namorados prefiram assim. Será?

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