Achei curiosa essa pesquisa, e todo o debate, sobre filhas que se sentem ofuscadas pelas mães. Sei de vários casos em que isso não aconteceu, como o da Ana Luiza Trajano, chef e dona do bárbaro restaurante Brasil A Gosto, em São Paulo, que é filha da sensacional empresária Luiza Trajano, que comanda a rede varejista Magazine Luiza –quem conhece o trabalho das duas sabe que meus elogios são até contidos. Mas quando a filha não é tão talentosa quanto a Ana Luiza e tem ambição, a coisa deve complicar mesmo. De qualquer modo, eu queria aproveitar a bola para levantar outro assunto que não me sai da cabeça: o de que as empresas de hoje precisam mais e mais de mães, ou seja, das características maternais das mulheres (que podem estar até em homens, não importa). Minha teoria é de que as empresas precisam com urgência do estilo maternal de gerenciar e estão começando a se dar conta disso. Elas tiveram primeiro a fase paternalista, do patrão-pai, e pularam logo para a fase “o bicho vai pegar”. Acho que precisam dar um passo atrás e atravessar a fase maternalista (os funcionários talentosos precisam ser educados e cuidados, como fazem as mães, para não ficarem mais pulando de galho em galho) até o dia em que conseguirem ser parecidas com fraternidades. Empresárias como Luíza Helena Trajano e Chieko Aoki (Blue Tree Hotels) falam muito na utilidade das qualidades maternais nas organizações. Pesquisas como a da Caliper, publicada em HSM Management, também identificam o fenômeno. Sem falar no que a pesquisadora Cecília Troiano descobriu ao colher material para seu livro “Vida de Equilibrista”: que nenhuma gestora sequer da Philips do Brasil manifestou ter ambição de carreira de chegar à presidência, porque todas buscam o equilíbrio entre o pessoal e o profissional acima de tudo. Um tipo de atitude (de mulher-mãe) que pode ensinar muito para os executivos e as equipes em geral e, de quebra, fazer muito pela sociedade. Não que elas não devam chegar lá –apenas não têm isso como objetivo primordial (e os melhores líderes são os que não desejam o poder, já disse Albus Dumbledore sobre Harry Potter).

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