PAS, gestão e (eco)fascismo

roberto2.jpgA propósito do PAS, o Programa Amazônia Sustentável, eu queria reproduzir um raciocínio que reflete a essência da gestão, que tem de gerenciar pessoas com interesses diversos cotidianamente (nem tô falando em democracia…). Seu autor é o professor Roberto Guimarães, da FGV-Ebape (Rio de Janeiro), que foi chefe da seção de análise e política social da divisão da ONU que cuida das  perspectivas sociais do desenvolvimento e está envolvido no IHDP, International Human Dimensions Programme on Global Environmental Change, programa conjunto de várias instituições, incluindo a Universidade das Nações Unidas. Disse ele, em palestra na ExpoManagement 2007 (em novembro do ano passado):”Se reuníssemos vários representantes da sociedade ligados ao meio ambiente em uma sala e perguntássemos o que deveria ser feito para resolver o problema da Amazônia, o que aconteceria? O madeireiro consciente diria que é preciso plantar árvores –para cada árvore cortada, uma seria replantada. O ecologista diria que o problema não são só as árvores, mas todo o ecossistema, e que este deveria ser mantido intacto; a proposta dele seria cercar a Amazônia. Se o Chico Mendes estivesse na sala, ele perguntaria: Vocês sabem quantas pessoas vivem na Amazônia? São 23 milhões! Temos de dar condições de vida para esse povo –e sua solução seria criar uma reserva extrativista. Os indigenistas, por sua vez, diriam que a Amazônia tem a maior diversidade cultural do mundo em seus territórios indígenas, com populações que ainda tiveram pouco contato com a civilização, e que todos os de fora deveriam ser expulsos.” Quem será que estaria certo? A resposta, garantiu Guimarães, é “todos”. “Se aceitarmos uma única opinião, estamos endossando o ecofascismo. O conflito não significa que as pessoas estão em posições antagônicas, apenas que estão em posições distintas. Elas têm de se reunir e resolver juntas o problema.” (Ah! Vale a pena levar essa sabedoria, gestão pura, para os interesses contrários que você gerencia em sua empresa também. Não existem necessariamente o certo e o errado.) PS: Só pra deixar claro, respeito muuuuito a ministra Marina Silva. 

2 Respostas para “PAS, gestão e (eco)fascismo”


  1. Icone Gravatar 1 Jorge Carvalho

    Muito bom! Ele falou em algum auditório paralelo?

  2. Icone Gravatar 2 Adriana Salles Gomes

    Foi no auditório paralelo, sim. Esse cara é muito bom.

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