Alguém me explica o telemarketing?
Para mim, marketing e vendas funcionam mais ou menos como naquela música do Chico Buarque, Terezinha de Jesus, em que o primeiro (pretendente) vem do florista e lhe dá um broche de ametista, o segundo vasculha sua gaveta e cheira sua comida, mas é o terceiro, chegando sorrateiro, que ganha a mulher: “Antes que eu dissesse não, se instalou feito um posseiro dentro do meu coração”. O sorrateiro chega no boca a boca, na boa publicidade etc.Por isso, não consigo entender como tem sucesso o telemarketing ativo, que invariavelmente usa a estratégia de um dos dois primeiros pretendentes da música (a invasão gentil ou a invasão hostil). (A invasão hostil é a fase 2 da estratégia do telemarketing, na verdade: quando eles ficam insistindo sem deixar a gente desligar.)Todos os meus amigos e parentes têm a mesma ojeriza que eu, ou até maior –não é incomum, por exemplo, as pessoas compartilharem táticas para se livrar dos operadores. A de um conhecido meu é bem inusitada (e eficaz). Ele diz ao operador: “Agora não posso falar; te ligo de volta. Até que horas você fica aí? Ah, só posso depois disso. Me dê o telefone da sua casa que eu te ligo, várias vezes se for preciso, fique tranquilo”. (Todos os operadores desligam rapidinho.)Alguém de marketing/vendas pode me explicar por que insistem tanto nessa ferramenta? Não entendo! Eis algumas perguntas:
- Essa estratégia MST de invasão dá resultado mesmo?
- O resultado compensa até a rejeição gerada no processo, inclusive rejeição à marca?
- Por que as empresas, no momento em que o alvo diz que não compra nada por telemarketing por princípio (nem uma BMW a US$ 1), não o deletam do mailing automaticamente?
- Por que eu recebo três ou quatro ligações na mesma semana da mesma empresa oferecendo o mesmo produto?
- Não ia ter uma lei proibindo as empresas de fazer isso?
- De quem foi a idéia brilhante de usar telemarketing ativo para “relacionamento”, que nesse caso significa tentar empurrar mais produtos para alguém que já é cliente?
Importante: Minha crítica não se aplica ao marketing direto por correio (convencional ou eletrônico), em que temos a opção de simplesmente jogar fora a mensagem ou de lê-la na hora que tivermos disposição. As centrais de atendimento receptivas também são muito úteis e não têm nada a ver com minhas reclamações.PS1: Escrevo depois de receber uma ligação de telemarketing dessas… PS2: Fiz um google Eu odeio telemarketing, deu várias páginas. Vejam.
June 16th, 2008 at 9:16 am
Eu odeio telemarketing! Minha técnica é perdir educadamente para me tirarem do mailing
As vezes não funciona, ai vou pra briga. Voltando a um “antigo” post do Castelar, telemarketing seria o marketing direto usando o telefone como meio!? Deve funcionar se a mensagem tiver pertinência para quem estiver recebendo.
June 16th, 2008 at 10:53 am
Polite demais o seu estilo, Jorge, pela minha experiência isso só funciona com telemarketing da Amex. Com os outros…Agora, fica a questão: dá tanto resultado que compensa o desgaste da marca?
June 16th, 2008 at 1:04 pm
Adriana,
Felizmente esse jeito de vender está saindo de moda e sairá ainda mais rápido, conforme for deixando de dar resultado. Deveria se chamar televendas e não telemarketing, porque nem atrai e nem mantém clientes, não é?
Na minha opinião o modelo se baseia num antigo paradigma de vendas:” o bom vendedor vende a quem não quer comprar”.
Mário Castelar
June 16th, 2008 at 6:02 pm
Taí, agora entendi, Castelar: como está revestido de tecnologia, esse tipo de abordagem parece moderno, mas, na verdade, é uma coisa antiquada, ultrapassada, “a venda a quem não quer comprar”, e ocorre apenas que algumas empresas demoram mais que outras para perceber isso…E você me deu a melhor notícia do mês: está saindo de moda!!! Proibição da moda é muito mais eficaz do que proibição de lei.
June 17th, 2008 at 4:09 pm
Dri, você me fez lembrar um episódio de um seriado que eu adorava!
http://youtube.com/watch?v=ABv4MokNJbo
June 17th, 2008 at 6:28 pm
Ai, Seinfeld, maravilhoso e saudoso…Eu lembro desse! Adorei!
August 22nd, 2008 at 4:25 pm
[…] tanto do assunto nos últimos tempos aqui, vejam esse post do Neto… (por Neto, do UoD) Você pode dizer que […]