Goswami, Deus e nossos paradigmas

Escrevi sobre física quântica aqui há algum tempo, confesso que o assunto me fascina. Pois um dos ícones da física quântica, Amit Goswami, esteve no Brasil semana passada para a Conferência Internacional Ethos 2008 (já tinha sido entrevistado no programa Roda Viva em 2004). No livro “O Universo Autoconsciente”, Goswami diz que, se os estudos atuais nessa área se desenvolverem, logo no início do terceiro milênio Deus será objeto de ciência e não mais de religião (mas não é um Deus parecido com um imperador). Imaginem como isso pode mudar totalmente os paradigmas! Queria trazer aqui algumas idéias desse físico :

  •  Nem o mundo está determinado (como sugerem as religiões), uma vez que a física quântica descobriu o princípio da incerteza e a onda de possibilidades, nem existe o livre-arbítrio de que tanto se fala por aí, pois experimentos já cansaram de provar que estamos condicionados demais para isso.
  • Deus é uma espécie de consciência cósmica.  Há movimentos descontínuos no mundo para os quais não existe explicação matemática ou lógica, mas, mesmo assim, tudo é totalmente objetivo, não arbitrário. Daí a idéia da existência de Deus e de que Ele age de forma objetiva, bem definida.  
  • Estamos começando a entender a natureza (e a importância) da criatividade. Einstein disse “Não descobri a Teoria da Relatividade apenas com o pensamento racional”, porque ele já sabia que a criatividade era importante. Agora, quase cem anos de pesquisas sobre criatividade estão mostrando que os cientistas também dependem da intuição. 
  •  Galileu definiu os dois princípios da ciência: ela deve ser verificável e deve ser útil. O último princípio é o mais importante, mas alguns parecem achar que é o menos importante. Assim, é importantíssimo o efeito placebo, por exemplo, e toda a medicina mental, que faz a mente influir no corpo. Deepak Chopra começou a fazer uma revolução nesse sentido, com seu livro “Cura Quântica”, há dez anos. 
  • Nossa sociedade está em grande perigo nestes tempos, porque os indivíduos se tornaram objetos. As pessoas perseguem o sentido no mundo material e não há lugar para o sentido na matéria. E a transformação de indivíduos (sem sentido) em objetos significa sua permanência apenas como possibilidades. 

Para um pouco mais dessa loucura, clique na transcrição integral do Roda Viva (de 2004).

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