Novo luxo, design e os fatos da vida

A edição julho-agosto da HSM Management (chega às bancas em meados de julho) vai trazer uma reportagem polêmica sobre o livro “Deluxe: Como o Luxo Perdeu o Brilho”, da Dana Thomas. O livro diz basicamente que, ao se massificar, o luxo deixou de ser luxo, embora continue cobrando preço de luxo; teria virado “apenas” design. O Contardo Calligaris comentou esse livro na Folha faz pouco tempo, citando, entre outras coisas, o Gillo Dorfles, professor de estética, que explica que o design é uma das bases de nossa vida relacional e que o cuidado com a dimensão estética do mundo melhora nossa relação com as coisas, com os outros e com nós mesmos. Dorfles reconhece faz tempo como fato irreversível o declínio da produção artesanal e sua substituição pela fabricação em série, que é o que “pega” para a Dana Thomas. Assim, o novo luxo de fábrica eliminou o caráter exclusivo e excludente do velho luxo artesanal, democratizou-se. Os preços caíram relativamente, por conta disso. Claro que a Dana Thomas está certa em denunciar se há preços abusivos ou se os caras exploram a mão-de-obra indonésia para fazer um objeto de (novo) luxo, mas reclamar da falta de exclusividade me parece ser querer parar o tempo, a evolução da sociedade, os fatos da vida. O novo luxo chegou até à hotelaria, como mostra um post de hoje do Marcos Teixeira no Trippin’ –inclusive hotéis de Sampa, como o Normandie, são prova disso. Na revista, damos o outro lado, na análise do consultor Carlos Ferreirinha sobre o assunto. E, para provar a importância do design, também damos um artigo ótimo sobre o Yves Bèhar, o designer da hora, do “One Laptop Per Child”. (foto).

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