Ser impiedoso, uma lição de Vicente Falconi

falconi.jpgHá umas expressões absolutamente geniais. Uma delas, para mim, é “cair a ficha”. Você tem lá aqueles problemas, sabe de velho quais são suas raízes, é capaz de recitá-las de trás para frente para o terapeuta, mas, mudar que é bom, neca. Aí, um belo dia, a ficha cai. No orelhão, a moeda entra no compartimento certo. Em nós, a questão sai da cabeça e vai para o corpo –ou vai do ego para o self, sei lá. (Nas empresas, integra a cultura?) E você muda.Outra expressão assim, na minha opinião, está na entrevista do Vicente Falconi na HSM Management de julho-agosto. Para começar, esse homem é impressionante: está por trás de quase todas as grandes revoluções de gestão do Brasil, no setor privado e público, e quase ninguém o conhece, discretíssimo. Bom, ele diz que os gestores têm de ser “impiedosos” e foi essa a expressão que me pegou. E que não sermos assim no Brasil é uma grande desvantagem competitiva. Reproduzo um trecho da entrevista:”As pessoas se esquecem de que uma empresa é um bem de um país –não interessa se o dono é estrangeiro ou nativo–, porque, ao pagar impostos, salários e benefícios, gera riqueza para esse país. Então, ela não pode ter condescendência [com funcionários de fraco desempenho] porque tem obrigação de construir algo de bom para o país. O funcionário não desempenhou uma vez, tem de ter uma nova oportunidade, geralmente dois anos. Se for necessário, dá-se treinamento. Mas, se a pessoa mostra não ter talento mesmo para aquela posição, deve ser afastada e, para o seu lugar, tem de ser promovida uma pessoa talentosa.” Caiu a ficha?Concordo com ele. Até escrevi um post sobre um certo custo Brasil que é reflexo exatamente dessa condescendência tropical. E me arrisco a dizer que a “impiedade” não atrapalha a humanização do trabalho e da sociedade, que é uma das minhas bandeiras. Até ajuda, porque obriga as pessoas a desenvolver habilidades, a descobrir para que “servem” etc.

2 Respostas para “Ser impiedoso, uma lição de Vicente Falconi”


  1. Icone Gravatar 1 José Ricardo Araújo

    O que me preocupa na entrevista do Sr. Falconi é que estamos, de certa forma, privatizando as políticas públicas: ele afirma que sugeriu ao Governador Aécio Neves autorizá-lo a arrecdar recursos para implantar seu projeto de gestão por resultados. Ocorre que isso tem um custo: o controle do empresariado benevolente com o Estado. Segundo Falcani, a condição imposta para a contribuição foi uma fiscalização periódica dos resultados. É preciso repensar nosso modelo de Democracia: ou colocamos nos cargos públicos pessoas capazes ou terceirizemos logo a gestão pública(…)

  2. Icone Gravatar 2 Adriana Salles

    Sua preocupação faz todo o sentido, José Ricardo, mas eu encaro isso como um período de transição e totalmente necessário, em que a gestão pública está aprendendo com a gestão privada. A gestão pública, convenhamos, é péssima em geral. O desperdício de dinheiro, sem corrupção nem nada, é gigantesco. A falta de resultados é alarmante. Precisa mudar isso. E vejo com bons olhos neste movimento uma enorme mudança de padrão, na verdade: tradicionalmente, neste país, os governos em suas várias instâncias foram colocados a serviço de interesses privados, e tudo escondido. Agora, são os agemtes privados a serviço do interesse público e tudo super aberto, à luz do dia. Temos como controlar. E estamos controlando. Promotores de Justiça, mídia etc.

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