22/03/2010   RSS posts: 1539comentários: 3.016 updaters: 559
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A volta do longo prazo

“A maioria de nós aprendeu a ter uma atitude bastante passiva em relação aos escritos: começamos lá no alto à esquerda e seguimos até lá embaixo, como numa descida para a praia pela Imigrantes.” A frase é um quote deste post sobre como ler 2.0, mas acho que funciona como metáfora também para uma transformação maior, que talvez seja ingrediente de uns 50% dos artigos que publicamos na revista HSM Management: a passagem da era industrial para uma nova “era pós-industrial” (nome mais seguro), ou “era da sabedoria” (meu nome preferido, pela razão egoísta de eu querer poder viver em tempos sábios). A era industrial se baseou em processos de produção e de consumo (de qualquer produto, serviço ou idéia) que eram lineares, padronizados e lean (enxutos – palavra de ordem desde que a Toyota virou benchmark geral)  – como a descida para a praia pela Imigrantes, com todos os seus túneis endireitadores do trajeto e garantidores de eficiência. Já esta era da sabedoria, ao que tudo indica, vai retomar a opção de chegar à praia (metáfora de objetivo) pelas curvas da Estrada de Santos, usando processos de produção e de consumo que sejam em círculos, mais “on demand” e, até ouso dizer,  mais rococós.  Alguns sinais:

  • As primeiras experiências da economia pós-industrial, na esteira da urgência da mudança climática, registradas por Peter Senge na HSM Management de novembro-dezembro – como a experiência da região norte da Suécia, que se propôs ter a “primeira economia livre de petróleo do mundo”, e as de algumas empresas que vêm promovendo inovações de base que modificam os negócios e a sociedade. Assinantes da revista podem baixar este artigo aqui.
  • A nova regra “first who, then what” (primeiro quem, depois o quê), assim verbalizada por Jim Collins, inclusive na ExpoManagement recém-encerrada, mas que vem sendo dita com palavras variadas por muitos pensadores da gestão. Isso inverte e subverte todos os paradigmas da gestão até agora, que sempre focaram em “o quê”, fosse o produto ou serviço, fosse o processo. A economia fica mais baseada nas pessoas também, em vez de apoiar-se em infra-estrutura ou matérias-primas, e, assim, re-humaniza-se (ou humaniza-se pela primeira vez…).
  • O fenômeno da migração do conceito de pós-modernidade das artes para os negócios, com sua interdisciplinaridade absurda, com a supremacia das interrupções sobre o foco e com a ânsia por inovação sistemática. É o que está chacoalhando todos os paradigmas atuais, preparando o terreno para que novos paradigmas se instalem.
  • O reconhecimento científico da irracionalidade humana, proporcionado por experimentos como os de Dan Ariely no MIT, como escrevi neste post no blog-irmão Update or Die. É só porque já estamos na aurora da re-humanização que conseguimos reconhecer isso num mundo ainda marcado pela eficiência.

Então, se vocês concordaram que esses bullets contêm sinais da mudança de era, o que vale a pena levar para casa? São vários os takeaways, mas, neste mundo mais voltado para as pessoas, consciente da irracionalidade e onde o resíduo de um precisa ser a matéria-prima do outro, arrisco-me a destacar um só: a volta do longo prazo. Se hoje a gente desce a rodovia dos Imigrantes em 40 minutos, acho que, o asfalto estando razoavelmente OK, deve levar umas três horas para descer pela Estrada Velha de Santos. E, o upside, a viagem é muito mais bonita. Agora é a hora, portanto, de vocês conhecerem melhor organizações como a Long Now Foundation, e seu relógio do ano 10.000 (protótipo na foto) – ou o computador mais lento do mundo, como o Brian Eno e seus colegas o chamam.

UPDATE: Vale a pena prestar atenção aos movimentos que começam com a palavra SLOW, como SLOW food e SLOW blogging, que mereceu um artigo dias atrás no New York Times e já foi citado aqui pelo Mário Castelar. Tem fumaça, tem fogo. Tudo a ver com a ânsia pelo longo prazo.

2 Responses to “A volta do longo prazo”


  1. Gravatar Icon 1 Mario Castelar

    Adriana,

    Eu concordo com você. Sinto que estamos no limiar dessa era onde a lógica financeira que nos trouxe até aqui, terá de dividir espaço com a lógica humanista e aí deveremos ver certos paradigmas quebrados.
    Lembra do “no pain no gain”?
    Pois é, talvez tenhamos que aprender que, no final das contas, a felicidade não dói. pelo menos não necessariamente.

  2. Gravatar Icon 2 Ulisses

    Olá Adriana, gostaria de apresentar nosso trabalho, na TV Poços o programa MÍDIA RURAL, um empreendimento pequeno que está sendo muito elogiado aqui na região ele vai ao ar todos os sábados com noticias agricolas do sul de Minas, as 14:45 caso tenha interesse pode acessar a internet e acompanhar através do site http://www.tvpocos.com.br estou me especializando nesse tema de mídia rural e já enviei uma proposta para trabalhar na HSM com uma revista especializada no tema agronegócio, tão importante em nosso país, mas que ainda não conta com uma imprensa especializada. Seria basicamente como é a HSM Health.

    att

    Ulisses

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