Arquivo para updates sobre 'autodesenvolvimento'

Embalagem: a dos produtos e a sua!

embalagens.jpg O caderno Vitrine da Folha de S. Paulo de ontem trouxe uma interessante discussão sobre embalagem. Mostra toda a transformação que o conceito de embalagem vem obtendo nos últimos tempos e o quanto hoje os seguintes aspectos são fundamentais: durabilidade (sim, você vai voltar a e levar a “garrafa” ao supermercado); utilidade (a tal da Gropack permite que os fungos e vegetais ainda cresçam no ponto de venda); retrô (sim, apesar de avançar a passos largos o ser humano também quer conexões com seu passado); e simplicidade (pouca cor, um aspecto de papel craft pode ajudar os produtos a se diferenciarem numa gôndola excessivamente colorida…).

Além disso, as sacolinhas já fizeram a cabeça dos formadores de opinião e devem se espalhar entre todas as classes, isso mesmo, quem já achou ridículo aquela sacolinha da avó fazer feira vai descobrir que certa mesmo era a vovó…

Tudo isso porque as pessoas começam a perceber que além da embalagem, o conteúdo dos produtos é fundamental. O mesmo vai valer para as pessoas. De nada vai adiantar você contratar um personal stylist, por mais criativos que esses possam ser, daqui a pouco vai estar todo mundo igual, não mais como nos tempos de IBM, mas variando entre 4 ou 5 modelitos. Invista no conteúdo, não só na embalagem. No produto da “firma” da qual é responsável e principalmente no seu caso.

Não percam o filme “Estômago”

Fui ver ontem, no cinema Gemini, em São Paulo, o filme Estômago. Estou para assistir faz um tempo, mas é difícil se manter updated com filho pequeno. Fora que muitas vezes eu acabo indo no filme (americano ou do Daniel Filho) do shopping mais próximo pela comodidade da coisa. De qualquer modo, desconfio que muita gente ainda não viu Estômago, então queria recomendá-lo. Se eu falar que é a história de um cozinheiro nordestino que vem para São Paulo e acaba na cadeia, talvez muita gente torça o nariz, achando que é aquele cinema “denúncia social” de sempre. Mas se eu falar que é uma versão brasileira superdiferenciada (e com humor!) de filmes “gastronômicos” como “A Festa de Babette”, “Comer Beber Viver”, ”Como Água para Chocolate” etc., vocês vão ver, não vão?
Vão, sim! E, além de o filme valer a pena como arte e como entrenimento (e de mostrar que tem, sim, quem escreva bons diálogos no Brasil), ele pode valer a pena também para o mundo da gestão, por 5 motivos:

  1.  Ele mostra as sutilezas da ascensão de poder, o que não é muito diferente nas empresas se você entender as entrelinhas.
  2. Ele mostra como paixão muda todas as perspectivas, explicando muito do que acontece e deixa de acontecer nas empresas.
  3. Ele mostra a gigantesca importância dos detalhes. Em tudo. (Esse comentário não posso explicar, mas será facilmente entendido por quem vir o filme.)
  4. Ele mostra que não adianta tentar entregar ao cliente o que ele não sabe que quer. Precisa fazê-lo querer primeiro. (Cena do carpaccio.)
  5. Ele dá insights bacanas sobre o Brasil. Não precisamos disso para entender os consumidores e saber chegar até eles, oras bolas?

Ou então desencanem e curtam o filme pelo filme. Tem uma coisa muito legal que eu acabei de descobrir. O argumento e o (co-)roteiro (e também o livro que inspirou o filme) são do Lusa Silvestre, que é blogueiro do blog-irmão Update or Die! Que honra, Lusa, parabéns! Já sou sua fã! 

Retrovisor, cisne negro, Taleb e o peru

A Raquel Costa, da Digital Happenings Interactive, escreveu no blog dela sobre a “síndrome do retrovisor”, de pessoas que ficam presas no passado, inspirada num bate-bola com o Jorge Carvalho em cima do post do Mintzberg. Aproveitando a deixa, Nicholas Nassim Taleb, o do “cisne negro”, que vem à ExpoManagement agora em novembro, também fala muito disso, mas ele acha que o grande perigo dessa limitação está em não saber lidar com os “cisnes negros”. Em seu livro A Lógica dos Cisnes Negros Taleb chama de “cisnes negros” os acontecimentos que atendem às seguintes condições:   

  1. Estão fora do âmbito das expectativas normais, porque nada no passado indica de forma convincente essa possibilidade.
  2. Produzem forte impacto. 
  3. Apesar de serem imprevisíveis e inesperados, a natureza humana tece, a posteriori, explicações sobre sua ocorrência, tornando-os compreensíveis e prescindíveis em retrospectiva. 

Taleb diz que o problema do cisne negro é o “problema de indução”  e pode ser formulado assim: como podemos, de forma lógica, partir do particular para chegar a conclusões gerais? Como podemos conhecer o futuro com o conhecimento do passado? Como podemos descobrir as propriedades do desconhecido (infinito) baseando-nos no conhecido (finito)?
E ele ilustra com uma metáfora brilhante. Imagine um peru que é alimentado diariamente. Cada vez que come, ele reafirma sua crença em que receberá alimento da mão de membros amigáveis da raça humana em todos os dias de sua vida. Só que, na véspera do Natal, algo inesperado ocorre.  O passado foi totalmente irrelevante para o peru.

Gente conversando com gente

The Conversation (The art of listening, learning and sharing) é um mapa criado por Brian Solis do Blog PR 2.0 e que categoriza os principais representantes do Social Media, ou gente falando com gente. Mais do que sites, são canais entre mortais. Não é empresa falando com gente, não é jornalista falando com gente. Não estamos neste mapa, mas definitivamente estamos nesta foto. Estabelecer conversas turbinadas por tecnologia e com abrangência mundial é definitivamente uma das mais eficientes formas de compartilhar conhecimento e experiências e, claro, persuadir, como a velha e boa propaganda costumava fazer com mais propriedade. Clique na imagem para ampliar. Brian aproveita para recomendar a leitura do e-book gratuito The Essential Guide to Social Media. E, por que não, aproveite para rever o video do divórcio entre anunciante e consumidor expandindo o post.

[via]

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Quando usar cada modelo de decisão

encruzilhada-782140.jpgEmbora valha a pena ler o artigo inteiro do

Mintzberg, que até detalha um workshop para fazer os funcionários usarem os três modelos de decisão, vou adiantar aqui quando cada modelo funciona melhor, com seus pontos fortes e fracos:

  • “Primeiro pense” funciona melhor quando temos uma questão clara, dados confiáveis, o mundo estruturado, quando nossos pensamentos podem ser controlados e a disciplina aplicada, como em um sólido processo de produção.
  • “Primeiro veja” é necessário quando muitos elementos precisam ser combinados para se chegar a soluções criativas e o comprometimento com elas é fundamental, como no lançamento de um novo produto. A organização precisa fugir do convencional, estimular a comunicação através das fronteiras, furar bloqueios cerebrais e empenhar tanto o coração quanto a cabeça
  • “Primeiro faça” é preferível em situações inusitadas e confusas, em que as coisas precisam ser resolvidas. Normalmente, é o caso de um novo setor –ou de um antigo que tenha sido lançado no caos por uma nova tecnologia.

Decisões gerenciais e Mintzberg

3816mintzberg.jpgDez entre dez gestores acham que o melhor processo de tomada de decisão começa com definir o problema e segue com o diagnóstico das causas, a formulação das soluções possíveis e a escolha da melhor entre elas (completada por sua respectiva implementação). Quando não decidimos assim, sentimos culpa, é ou não é? Achamos que devíamos tê-lo feito. Mas eis que alguém de peso vem nos libertar dessa culpa. É Henry Mintzberg, o professor de gestão canadense que escreveu o excelente Safári de Estratégia, mas que também chacoalha o mercado com sua ousadia e suas polêmicas, como a de que os MBAs não valem grande coisa. Na HSM Management de julho-agosto, ele diz que o processo que eu descrevi é apenas um dos três modelos de tomada de decisão, o modelo lógico-racional, que ele chama de “Primeiro pense”. E ele sugere outros dois: “Primeiro veja” e o “Primeiro faça”. Mintzberg escreve: “Organizações saudáveis, assim como as pessoas saudáveis, são capazes de adotar os três modelos e, quando passam a usá-los,os executivos conseguem melhorar a qualidade de suas decisões”.

Alma, imoralidade, gestão, empresas

4.jpgEste título não é um exercício de livre associação de palavras (mas bem que poderia ser). Fui assistir à peça “A Alma Imoral”, em cartaz em São Paulo no teatro Eva Herz (da Livraria Cultura) até setembro. É um monólogo da atriz carioca Clarice Niskier, baseado no livro homônimo do rabino carioca Nilton Bonder. Em primeiro lugar, recomendo fortemente a peça ou o livro, ou, se for possível, os dois (o livro é  fino). É um emaranhado de reflexões na fronteira do teológico com o filosófico-psicológico e tem grande poder de mexer com as pessoas, físicas e jurídicas. A peça/o livro “reposicionam” os conceitos milenares da nossa civilização ocidental (judaico-cristã), como diz o site da peça, numa época particularmente importante, em que o corpo está sendo redescoberto. Fala da necessidade de trair as tradições para sobreviver, dilema que estamos vivendo a todo momento hoje na vida pessoal e profissional. Nesse contexto, o imoral é bom. Eu gostei de muitos momentos, cito alguns aqui:

  •  O Mar Vermelho não se abriu para o povo judaico passar. Segundo o Midrash (comentário alegórico dos rabinos), um dos homens do grupo, Nachson ben Aminadav, começou a marchar e, quando estava com água pelo nariz, Deus se impressionou com sua coragem e fez o mar abrir.
  • Não foi Deus exatamente que mandou Abraão matar o próprio filho, como também não foi Deus que o liberou da missão. Naquela região havia a tradição do sacrifício do primogênito (Deus era a tradição) e Abraão resolveu trair a tradição atribuindo isso a um desígnio divino e criando nova tradição (Deus foi a traição). Abraão foi imoral, pois legitimou uma nova moral, , necessária à sobrevivência e evolução da espécie humana (ou pelo menos dos judeus).
  • Assim foi a imoralidade de Eva no paraíso, que oferecendo a maçã a Adão criou uma nova moral também, necessária à sobrevivência e evolução da espécie humana. E segundo o rabino (não sou eu que digo), as mulheres (algumas, pelo menos) continuam hoje plantando essa semente de imoralidade tão necessária a todos.

Tem um trecho que resume isso de um modo super interessante: fala que a preservação da lei é obtida, muitas vezes, pelo rompimento da lei. Ou seja, preserva-se o espírito da lei desobedecendo-a. Tudo a ver com este momento extraordinário que vivemos, que pede rupturas e inovações em nossas vidas pessoais e nas empresas, não? Ah, a atriz fala de um empresário caxias que não tirava férias havia anos e que, depois da peça, resolveu passar a tirá-las –esta seria sua pequena imoralidade. (Acho que cada um comete a imoralidade que aguenta cometer.)

A cadeira, o poder, Daniel Filho e você …

cadeira-do-poder.jpg 

A revista Poder de julho traz uma interessante entrevista com Daniel Filho. Sim, para quem não se lembra, ele não é apenas um diretor de filmes e séries, já foi o todo poderoso da Central Globo de Produção. Além de muito dinheiro, tinha prestígio e era invejado, ou seja, dinheiro, poder e mulheres, muito do que um homem sonha. E o que ele fez? Abandonou tudo isso e hoje é capaz de falar verdadeiramente sobre o poder, reflita antes que esse poder te corrompa…

DF: Tem várias formas de poder. O primeiro, que considero, é o poder de fazer. A liberdade de poder fazer vem antes do poder mandar ou poder dominar. Quando você, por acaso, se vê num caminho, como me aconteceu, numa posição de poder, ele é embriagador, realmente tonteia, porque eu não sei quais são as pessoas preparadas para ele. É uma droga no sentido de entorpecer. E violenta.
Poder: O poder vicia?
DF: O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Então você fica num processo que pode viciar, sim. […] em determinado momento alguma coisa de lucidez aconteceu, era querido e amado por eles, e pedi demissão.
Na época, foi vista de uma forma muito estranha. […] Porque ninguém poderia imaginar, em são consciência, que eu chegasse a esse cargo e pedisse demissão. E para fazer o quê? Nada. Simplesmente sentia que a cadeira na qual me sentava era a do poder. Estava me confundindo com ela. Queria saber que era eu e qual o significado dela. Mas sabia que a cadeira era mais forte do que eu, disso tinha consciência.
Poder: Com que idade você estava?
DF: Tinha 53 anos e disse para mim: “ainda tenho tempo de rever minha vida e de me recolocar”. E foi uma experiência maravilhosa, porque ao sair da cadeira, você começa a tomar porrada. Não é a vida, é realmente a cadeira que tem o poder. Existem pessoas que têm o poder do dinheiro, são herdeiros, e com esse dinheiro ficarão ad eternum. Portanto, elas nunca irão vivenciar o barato que tive, que é tremendo: você pode se jogar nessa montanha-russa, se jogar nesse bungee jump. E pode ser que, nesse pulo, a corda arrebente, você se quebre ou morra ou, então, bata no fundo e volte.
Poder: Foi difícil?
DF: Foi difícil, sabia que ia tomar uma porrada, mas não que tomasse uma tão grande.
Poder: Por que?
DF: Porque você é totalmente abandonado, fica sozinho, some tudo à sua volta, tudo que era fácil deixa de ser. As coisas passam a não acontecer mais. Mas, puxa vida, que bom que eu pude fazer isso, porque soube depois quem é o Daniel Filho, sem a cadeira, sem ser o diretor da Central Globo de Produção. E, por livre e espontânea vontade, disse: “Se der algum chabu aqui, tenho como me recuperar de alguma forma”. E dei a sorte de produzir, fora da Globo, um programa que foi um gol certeiro: Confissões de Adolescente. Pude ver que o padrão de qualidade não pertence à emissora. Pertence, sim, a cada um dos diretores que fazem, pertence a quem é um bom profissional. E agora sei que o poder que tenho me pertence. Ele é meu. Se tenho algum poder é porque uns têm e outros não.

VGBL ou PGBL? Ainda a aposentadoria do Bill

aposentadoria.jpg Não deveria revelar, mas meu senso de blogueiro me impede de guardar esse segredo. Esse pequeno livrinho aí do lado foi a fonte de Bill Gates para conseguir se aposentar aos 52 anos de idade e partir para a tão falada segunda carreira. Isso, conseguindo reservar para si apenas 1% do patrimônio que amealhou. O restante fica para a fundação que criou com a mulher. O único problema é que está esgotado, já liguei na editora, talvez com esse post, eles imprimam mais.

Já que não é possível ler esse livro agora, sugiro a coluna de hoje da Ilustrada do João Pereira Coutinho. Traz muito menos dicas, é mais reflexiva e passa por uma série de pontos sobre o sistema capitalista, a vida no mundo corporativo e aposentadoria. Muita ironia, o jornalista não é do mundo corporativo, mas no final uma rendição ao trabalho de Bill Gates e ao surto de inveja que a aposentadoria dele causou em muitos de nós.

Se o mundo se divide entre seguidores do Bill x seguidores do Steve, a disputa ganhou desde ontem novas faces. Sim, eu também sou usuário do primeiro e mais admirador do segundo. O importante é que cada um deles está construindo o seu caminho. E eu? E você? Como vai ser o vídeo da nossa aposentadoria?

Os números do excesso de Informação

Post com trilha:

Estudo promovido pela Basex e destaque do Wall Street Journal e NY times: Information Overload. Foram instalados tracking softwares em 40 mil computadores e os resultados, finalmente quantitativos, são impressionantes.

  • US$ 650 Bilhões jogados no lixo por “produtividade desperdiçada” (vagabundagem tech)
  • 50 checagens de e-mail por dia, por pessoa
  • 77 papinhos no Messenger por dia, por pessoa
  • 40 sites por dia, por pessoa

Parece que finalmente os números começam a provar o que a gente constata olhando para o lado: muita gente ocupada, pouca gente produzindo de fato. Nada contra o ócio criativo, mas isso não tem nada a ver com e-mails, messenger, etc.

Barulhinho bom (pro português) - 2

portunido.jpgA crítica do Ruy Castro, por exemplo, é de que a reforma é cosmética  e vai custar caro. Outros acham que ela violenta as culturas locais, na linha das críticas à globalização (e o Brasil seria o grande “imperialista” do pedaço nesse caso, porque é, se não me engano, o que muda menos). Condenam ainda o fato de a unificação ser imposta como lei, de cima para baixo. De qualquer modo, queria destacar alguns pontos positivos dessa unificação:

  • Muita gente aqui no Brasil vai ouvir falar pela primeira vez em Cabo Verde, Angola, São Tomé… 
  • Isso vai chacoalhar um pouco o mundo dos gramáticos e revisores, que vivem uma guerra com os escritores, criticando quando estes se apropriam da língua e a reconstroem no dia-a-dia, e outra guerra com os linguistas, por estes enxergarem a língua como organismo vivo em vez de mumificado (peço perdão aos gramáticos e revisores que não pensam assim, mas eles são exceção).
  • É possível que aumente a escala  para editoras de livros de todos esses países, algo de que o mercado editorial desses países precisa muito.
  • A língua mais simples e una é bem mais fácil de ser aprendida por outros povos. Isso é essencial na globalização (outra vantagem competitiva, e das grandes, em relação a Rússia, Índia e China, os outros do BRIC).
  • Foi o Antônio Houaiss o grande defensor dessa reforma e esse era um cara admirável. Só por isso a unificação já merece respeito.
  • Havia duas opções, a meu ver: podia ser uma reforma  radical de uma vez – eliminando todos os acentos, por exemplo – ou um processo. Acho que vai ser processo, não deve parar por aí. E, se fosse radical, o ciclo natural de reação à mudança –aquele do choque, negação, raiva, negociação, tristeza e aceitação–  talvez fosse menos gerenciável.
  • Por fim, todo esse barulho em torno da língua lhe dá vida, faz com que os pessoas se concentrem nela um pouco. Que discutam e polemizem! É um barulhinho bom! 
  • Barulhinho bom (pro português) - 1

    paisesportuguesa.jpgA partir de janeiro de 2009 teremos, teoricamente, de mudar um pouco o jeito de escrever aqui no blog, na nossa revista ou nos relatórios das suas empresas. Vai entrar em vigor a unificação da língua portuguesa, em que o Brasil e mais 7 países (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor) vão passar a escrever igual e cada um se adaptará um pouco nesse processo. Lembrando algumas mudanças, que já estão sendo divulgadas por aí: 

    •  O trema desaparece de vez. Já vai tarde.
    •  Incorporamos k, w e  y no alfabeto. Antes tarde…
    • Tiramos o acento circunflexo do voo que eles veem, o acento agudo da ideia e da jiboia (e afins),  o acento diferencial de para (verbo) e para (preposição). Acho que quanto menos acentos, melhor. No inglês, eles usam you sem explicar se é você ou vocês,  e assim mesmo acabamos entendendo pelo contexto, não é?
    • Aceita-se a dupla grafia para algumas conjugações verbais em que a forma do passado e a do presente são idênticas. Como em “louvamos”. Agora, para escrever isso no passado, você pode acentuar: “louvámos”. Pode, mas não precisa. Eu não vou.
    • O hífen é que vai dar trabalho mesmo, mas eu acho a regra fácil. Quando se duplica a mesma vogal (no fim da primeira palavra e no início da segunda), hifeniza-se, enfatizando que se fala a vogal duas vezes: micro-ondas, em vez de microondas. E quando o som é de consoante dobrada na junção das palavras (como contra-regra, com som de RR), escreve-se como se fala: contrarregra –bem mais instintivo!

    Acontece que só isso, que muda 0,45% das palavras escritas no Brasil, está gerando um barulho danado, e de gente graúda, do prêmio Nobel José Saramago a Ruy Castro. Acompanhem no próximo post

    Filme cabeça. Para ficar na cabeça

    questao-humana.jpg

    No filme do diretor Nicolas Klotz , A questão humana, um executivo de RH que até então se orgulhava da participação no enxugamento da empresa recebe uma missão quase secreta: checar a sanidade mental do presidente.

    Isso poderia ter sido explorado de várias maneiras. Mas o filme é francês, a empresa é uma multinacional alemã com importante atuação na França e ele ganhou o prêmio de crítica da Mostra de São Paulo de 2007. O que isso quer dizer? Que está longe dos enredos caminho do sucesso, ou queda e recuperação dos heróis do cinema americano. Vale assistir? Só para os mais acostumados a cinema europeu. Se você só gosta de Hollywood, não perca seu tempo, mas também não desconsidere que quem vos fala acha uma perda de tempo se concentrar nos filmes de Hollywood, por uma questão muito simples. A vida fora do escurinho do cinema é um pouco mais complexa e menos conto de fadas do que geralmente lá relatados.

    O filme mostra algumas cenas dos executivos participando de festas raves, mas o que mais ele mostra é não só o jogo de poder numa corporação, mas também como os executivos, por mais poderosos que sejam, não estão imunes as lembranças e outras questões da condição humana. A comparação é propositalmente forte: os critérios de seleção e treinamentos de superação de limites dos Rhs são aproximados de práticas nazistas. O diretor vai mostrando o drama do narrador e vai passando para o expectador o incômodo de uma resposta muito utilizada no dia-a-dia corporativo: “eu estava apenas cumprindo ordens”. Klotz mostra que era essa a desculpa dos oficiais da SS Nazista. Só para quem tem estômago.

    Goswami, Deus e nossos paradigmas

    Escrevi sobre física quântica aqui há algum tempo, confesso que o assunto me fascina. Pois um dos ícones da física quântica, Amit Goswami, esteve no Brasil semana passada para a Conferência Internacional Ethos 2008 (já tinha sido entrevistado no programa Roda Viva em 2004). No livro “O Universo Autoconsciente”, Goswami diz que, se os estudos atuais nessa área se desenvolverem, logo no início do terceiro milênio Deus será objeto de ciência e não mais de religião (mas não é um Deus parecido com um imperador). Imaginem como isso pode mudar totalmente os paradigmas! Queria trazer aqui algumas idéias desse físico :

    •  Nem o mundo está determinado (como sugerem as religiões), uma vez que a física quântica descobriu o princípio da incerteza e a onda de possibilidades, nem existe o livre-arbítrio de que tanto se fala por aí, pois experimentos já cansaram de provar que estamos condicionados demais para isso.
    • Deus é uma espécie de consciência cósmica.  Há movimentos descontínuos no mundo para os quais não existe explicação matemática ou lógica, mas, mesmo assim, tudo é totalmente objetivo, não arbitrário. Daí a idéia da existência de Deus e de que Ele age de forma objetiva, bem definida.  
    • Estamos começando a entender a natureza (e a importância) da criatividade. Einstein disse “Não descobri a Teoria da Relatividade apenas com o pensamento racional”, porque ele já sabia que a criatividade era importante. Agora, quase cem anos de pesquisas sobre criatividade estão mostrando que os cientistas também dependem da intuição. 
    •  Galileu definiu os dois princípios da ciência: ela deve ser verificável e deve ser útil. O último princípio é o mais importante, mas alguns parecem achar que é o menos importante. Assim, é importantíssimo o efeito placebo, por exemplo, e toda a medicina mental, que faz a mente influir no corpo. Deepak Chopra começou a fazer uma revolução nesse sentido, com seu livro “Cura Quântica”, há dez anos. 
    • Nossa sociedade está em grande perigo nestes tempos, porque os indivíduos se tornaram objetos. As pessoas perseguem o sentido no mundo material e não há lugar para o sentido na matéria. E a transformação de indivíduos (sem sentido) em objetos significa sua permanência apenas como possibilidades. 

    Para um pouco mais dessa loucura, clique na transcrição integral do Roda Viva (de 2004).

    Petrobras, sexta maior

    logo_petrobras2.jpegGente, sei que elogio em boca própria é vitupério, como dizia minha avó, mas não estou me aguentando. Na verdade, nem é boca própria nesse caso, porque não tenho nada a ver com a área de eventos da HSM; trabalho só para a revista. (E também não precisamos cultivar nem a cultura winner dos americanos nem a loser tão brasileira…)
    Então: vocês viram a notícia de que a Petrobras passou a ser a sexta empresa de maior valor de mercado do mundo? Se não, vejam aqui. Pois a Petrobras é uma das empresas que mais manda gestores aos eventos da HSM, se não for A que mais manda. Toda vez eu observo isso. E eles são aplicadíssimos, anotam tudo, ficam discutindo as questões no coffee-break, no almoço… Os caras são muito focados em gestão. (É como na época que o Lair Ribeiro virou um super best-seller, nos anos 90. Eu trabalhava na Exame –ou Gazeta Mercantil, não lembro– e o via direto nos eventos da HSM, anotando tudinho.) Este post podia se chamar “mensuração de resultados”…