Arquivo para updates sobre 'Estilo e Comportamento'

Cortando os fios dos aparelhos domésticos

Um consórcio batizado de Wireless Home Digital Interface, formado por gigantes como Sony, Sharp, Motorola e Hitachi, vai colocar, ainda neste ano, uma nova tecnologia no mercado: um chip que permite que os eletrônicos domésticos como aparelhos de som, DVDs e TVs troquem informações sem fio.

A tecnologia de transmissão de vídeo em alta definição foi desenvolvida pela empresa israelense Amimon.

Por Gustavo Villas Boas via Folha Online

Embalagem: a dos produtos e a sua!

embalagens.jpg O caderno Vitrine da Folha de S. Paulo de ontem trouxe uma interessante discussão sobre embalagem. Mostra toda a transformação que o conceito de embalagem vem obtendo nos últimos tempos e o quanto hoje os seguintes aspectos são fundamentais: durabilidade (sim, você vai voltar a e levar a “garrafa” ao supermercado); utilidade (a tal da Gropack permite que os fungos e vegetais ainda cresçam no ponto de venda); retrô (sim, apesar de avançar a passos largos o ser humano também quer conexões com seu passado); e simplicidade (pouca cor, um aspecto de papel craft pode ajudar os produtos a se diferenciarem numa gôndola excessivamente colorida…).

Além disso, as sacolinhas já fizeram a cabeça dos formadores de opinião e devem se espalhar entre todas as classes, isso mesmo, quem já achou ridículo aquela sacolinha da avó fazer feira vai descobrir que certa mesmo era a vovó…

Tudo isso porque as pessoas começam a perceber que além da embalagem, o conteúdo dos produtos é fundamental. O mesmo vai valer para as pessoas. De nada vai adiantar você contratar um personal stylist, por mais criativos que esses possam ser, daqui a pouco vai estar todo mundo igual, não mais como nos tempos de IBM, mas variando entre 4 ou 5 modelitos. Invista no conteúdo, não só na embalagem. No produto da “firma” da qual é responsável e principalmente no seu caso.

Uma conversa com o RH

A ascensão da geração Y

Eu sou da geração X, então possivelmente não entendo muito a geração Y. Mas estamos dando um estudo do Iese (espanhol) na edição setembro-outubro de HSM Management para tentar explicar como é essa geração Y, de nascidos nos anos 80 e 90 que estão ampliando seu espaço no mercado de trabalho agora, e como se faz para motivá-la, retê-la, gerenciá-la. Queria adiantar aqui duas observações do estudo:

  1. Pessoas Y não aprenderam a desfrutar um livro, porque acham que podem obter a mesma informação em minutos, com um clique. Por isso, constituem uma geração de resultados, não de processos. E uma geração do curto prazo, já que cresceram vendo as novidades morrerem em pouco tempo. Alguns especialistas afirmam que essa geração desenvolveu mais o hemisfério direito do cérebro por causa dos estímulos da internet e dos videogames (atividades como a leitura exigem o uso do esquerdo). 
  2. Não adianta oferecer a esse pessoal desafios do tipo “Aqui você vai aprender muito, terá a oportunidade de conhecer diversos departamentos, poderá viajar…”. É um mau começo. A resposta óbvia de um Y será: “Olhe, diga o que eu tenho de fazer (objetivo) e não queira saber como vou fazer (o procedimento é coisa minha e não agrega valor); respeite minha vida (o que não tem a ver com trabalho: vida são gostos, amigos, estar sempre atualizado etc.) e me informe quanto vou ganhar”. E é bem possível que o chefe da geração X fique sem argumentos (ou irritado) diante de tal resposta. (Não sei se a resposta vem com biquinho como no avatar que ilustra este post; escolhi o avatar só porque é bonitinho, sem outras intenções, ok?)

Não percam o filme “Estômago”

Fui ver ontem, no cinema Gemini, em São Paulo, o filme Estômago. Estou para assistir faz um tempo, mas é difícil se manter updated com filho pequeno. Fora que muitas vezes eu acabo indo no filme (americano ou do Daniel Filho) do shopping mais próximo pela comodidade da coisa. De qualquer modo, desconfio que muita gente ainda não viu Estômago, então queria recomendá-lo. Se eu falar que é a história de um cozinheiro nordestino que vem para São Paulo e acaba na cadeia, talvez muita gente torça o nariz, achando que é aquele cinema “denúncia social” de sempre. Mas se eu falar que é uma versão brasileira superdiferenciada (e com humor!) de filmes “gastronômicos” como “A Festa de Babette”, “Comer Beber Viver”, ”Como Água para Chocolate” etc., vocês vão ver, não vão?
Vão, sim! E, além de o filme valer a pena como arte e como entrenimento (e de mostrar que tem, sim, quem escreva bons diálogos no Brasil), ele pode valer a pena também para o mundo da gestão, por 5 motivos:

  1.  Ele mostra as sutilezas da ascensão de poder, o que não é muito diferente nas empresas se você entender as entrelinhas.
  2. Ele mostra como paixão muda todas as perspectivas, explicando muito do que acontece e deixa de acontecer nas empresas.
  3. Ele mostra a gigantesca importância dos detalhes. Em tudo. (Esse comentário não posso explicar, mas será facilmente entendido por quem vir o filme.)
  4. Ele mostra que não adianta tentar entregar ao cliente o que ele não sabe que quer. Precisa fazê-lo querer primeiro. (Cena do carpaccio.)
  5. Ele dá insights bacanas sobre o Brasil. Não precisamos disso para entender os consumidores e saber chegar até eles, oras bolas?

Ou então desencanem e curtam o filme pelo filme. Tem uma coisa muito legal que eu acabei de descobrir. O argumento e o (co-)roteiro (e também o livro que inspirou o filme) são do Lusa Silvestre, que é blogueiro do blog-irmão Update or Die! Que honra, Lusa, parabéns! Já sou sua fã! 

Corrupção x Transparência. Quanto custa? Quem paga?

Meu filho Marcelo decidiu mudar para Alaska recentemente e eu fui visitá-lo. Tem 23 anos, é o caçula e eu sou pai coruja e morro de curiosidade… Por isso enfrentei uma viajem super longa e cansativa e fui. Mas acabei descobrindo uma terra abençoada pela natureza (pelo menos em julho, o pico do verão). As pessoas são ótimas e generosas. O hotel onde Marcelo trabalha me deu uma semana de hospitalidade sem cobrar um tostão. É claro que eu fiquei encantado!Alaska tem um equilíbrio invejável, é o 50º estado norte-americano, com território enorme e população pequena, incluindo ursos e alces nas ruas. A segurança publica é do primeiro mundo. Tem contrastes, como muitos lugares. Porém … a corrupção política em Alaska é enorme! A corrupção ocupa paginas inteiras dos principais jornais e os principais políticos caem em três categorias:

(1) sentenciados e cumprindo penas federais,
(2) indiciados aguardando sentenças
(3) formalmente investigados pelo FBI, e perto do indiciamento.

Idem para muitos executivos ou sócios de empresas da região.

Durante a recente visita ao Alaska, minhas comparações com o Brasil eram freqüentes, para não dizer que não saiam da minha cabeça.

Conclui que a tolerância da população com a corrupção leva a valores tortos na cidadania. Ou seja, valores condenam ou incentivam a própria corrupção. O Alaska só escapa da pobreza por três razões: tem vasta riqueza natural, tem população muito pequena (menos de 700 mil habitantes no estado, que ocupa território igual a um terço do Brasil). Porem, é o 51º estado dos EUA, e tem fiscalização do FBI. Se Alaska fosse uma nação independente, seria pobre, como é Porto Rico que por referendo popular, decidiu não ser o 52º estado norte-americano.

O “Estado” brasileiro é nosso. Nos pagamos a conta da por sua eficiência ou inaptidão.

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Dando vida aos dados

A BBC iniciou uma série chamada “Britain from Above“. Usando imagens de satélite e dados de GPS, a série mostra os caminhos percorridos por taxis, aviões, barcos e pela informação que passa pela rede de telefonia.

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Creative Commons e a “cultura do compartilhamento”

Para assistir ao vídeo com legendas em português, é só escolher a opção no player.

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Retrovisor, cisne negro, Taleb e o peru

A Raquel Costa, da Digital Happenings Interactive, escreveu no blog dela sobre a “síndrome do retrovisor”, de pessoas que ficam presas no passado, inspirada num bate-bola com o Jorge Carvalho em cima do post do Mintzberg. Aproveitando a deixa, Nicholas Nassim Taleb, o do “cisne negro”, que vem à ExpoManagement agora em novembro, também fala muito disso, mas ele acha que o grande perigo dessa limitação está em não saber lidar com os “cisnes negros”. Em seu livro A Lógica dos Cisnes Negros Taleb chama de “cisnes negros” os acontecimentos que atendem às seguintes condições:   

  1. Estão fora do âmbito das expectativas normais, porque nada no passado indica de forma convincente essa possibilidade.
  2. Produzem forte impacto. 
  3. Apesar de serem imprevisíveis e inesperados, a natureza humana tece, a posteriori, explicações sobre sua ocorrência, tornando-os compreensíveis e prescindíveis em retrospectiva. 

Taleb diz que o problema do cisne negro é o “problema de indução”  e pode ser formulado assim: como podemos, de forma lógica, partir do particular para chegar a conclusões gerais? Como podemos conhecer o futuro com o conhecimento do passado? Como podemos descobrir as propriedades do desconhecido (infinito) baseando-nos no conhecido (finito)?
E ele ilustra com uma metáfora brilhante. Imagine um peru que é alimentado diariamente. Cada vez que come, ele reafirma sua crença em que receberá alimento da mão de membros amigáveis da raça humana em todos os dias de sua vida. Só que, na véspera do Natal, algo inesperado ocorre.  O passado foi totalmente irrelevante para o peru.

Gente conversando com gente

The Conversation (The art of listening, learning and sharing) é um mapa criado por Brian Solis do Blog PR 2.0 e que categoriza os principais representantes do Social Media, ou gente falando com gente. Mais do que sites, são canais entre mortais. Não é empresa falando com gente, não é jornalista falando com gente. Não estamos neste mapa, mas definitivamente estamos nesta foto. Estabelecer conversas turbinadas por tecnologia e com abrangência mundial é definitivamente uma das mais eficientes formas de compartilhar conhecimento e experiências e, claro, persuadir, como a velha e boa propaganda costumava fazer com mais propriedade. Clique na imagem para ampliar. Brian aproveita para recomendar a leitura do e-book gratuito The Essential Guide to Social Media. E, por que não, aproveite para rever o video do divórcio entre anunciante e consumidor expandindo o post.

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Plus dangereux: la blanche colombienne

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Vou tentar fazer agora, antes de uma semaninha de férias, um post misturando Daniel Filho com Ingrid Betancourt, a propósito de “A Alma Imoral”. E com trilha sonora, imitando o Wagner. Se eu não me perder, acho que vai ter algum nexo…
Acabei de recomendar a peça A Alma Imoral, que me chamou a atenção para a importância estratégica da traição à tradição, da imoralidade que desafia a moral vigente. O que o Daniel Filho fez, como mostrou o post do Marcelo Melo, foi exatamente isso, pois abrir mão do poder é trair a tradição. E hoje ele tem outro tipo de poder, no cinema, que, para mim, é potencialmente mais poderoso (até porque aquele poder que ele tinha, convenhamos, diluiu-se com o advento da TV a cabo e o aumento da concorrência na TV aberta).  Outro caso é o da Ingrid Betancourt, refém das Farc por seis anos e recém-libertada, numa das histórias mais emocionantes dos últimos tempos. Ela foi falar que a outra refém Clara Rojas quis afogar no rio o filho nascido na selva (fruto de um caso com um guerrilheiro) e que ela, Ingrid, é que a teria impedido de matá-lo. Isso não se diz, claro, mesmo que seja verdade, por solidariedade ao desespero da outra, porque o menino vai escutar etc. Clara veio a público desmentir, que é o que ela tinha de fazer mesmo e a coisa toda pegou mal. Assim como, para mim, pegou mal a Ingrid  logo falar que continuava querendo ser presidente da Colômbia. Saiu do cativeiro, espera-se que continue com atitude de vítima, afinal de contas! Mas isso é a tradição.
Assim como o Daniel traiu o poder, acho que a Ingrid está traindo as vítimas, o estatuto delas. Sei lá, desconfio que ainda vem muita coisa por aí dessa mulher, que parece ser a verdadeira “dangereux blanche colombienne”, da deliciosa música da primeira-dama Carla Bruni, que eu cantarolo o dia inteiro. Até a volta!

Alma, imoralidade, gestão, empresas

4.jpgEste título não é um exercício de livre associação de palavras (mas bem que poderia ser). Fui assistir à peça “A Alma Imoral”, em cartaz em São Paulo no teatro Eva Herz (da Livraria Cultura) até setembro. É um monólogo da atriz carioca Clarice Niskier, baseado no livro homônimo do rabino carioca Nilton Bonder. Em primeiro lugar, recomendo fortemente a peça ou o livro, ou, se for possível, os dois (o livro é  fino). É um emaranhado de reflexões na fronteira do teológico com o filosófico-psicológico e tem grande poder de mexer com as pessoas, físicas e jurídicas. A peça/o livro “reposicionam” os conceitos milenares da nossa civilização ocidental (judaico-cristã), como diz o site da peça, numa época particularmente importante, em que o corpo está sendo redescoberto. Fala da necessidade de trair as tradições para sobreviver, dilema que estamos vivendo a todo momento hoje na vida pessoal e profissional. Nesse contexto, o imoral é bom. Eu gostei de muitos momentos, cito alguns aqui:

  •  O Mar Vermelho não se abriu para o povo judaico passar. Segundo o Midrash (comentário alegórico dos rabinos), um dos homens do grupo, Nachson ben Aminadav, começou a marchar e, quando estava com água pelo nariz, Deus se impressionou com sua coragem e fez o mar abrir.
  • Não foi Deus exatamente que mandou Abraão matar o próprio filho, como também não foi Deus que o liberou da missão. Naquela região havia a tradição do sacrifício do primogênito (Deus era a tradição) e Abraão resolveu trair a tradição atribuindo isso a um desígnio divino e criando nova tradição (Deus foi a traição). Abraão foi imoral, pois legitimou uma nova moral, , necessária à sobrevivência e evolução da espécie humana (ou pelo menos dos judeus).
  • Assim foi a imoralidade de Eva no paraíso, que oferecendo a maçã a Adão criou uma nova moral também, necessária à sobrevivência e evolução da espécie humana. E segundo o rabino (não sou eu que digo), as mulheres (algumas, pelo menos) continuam hoje plantando essa semente de imoralidade tão necessária a todos.

Tem um trecho que resume isso de um modo super interessante: fala que a preservação da lei é obtida, muitas vezes, pelo rompimento da lei. Ou seja, preserva-se o espírito da lei desobedecendo-a. Tudo a ver com este momento extraordinário que vivemos, que pede rupturas e inovações em nossas vidas pessoais e nas empresas, não? Ah, a atriz fala de um empresário caxias que não tirava férias havia anos e que, depois da peça, resolveu passar a tirá-las –esta seria sua pequena imoralidade. (Acho que cada um comete a imoralidade que aguenta cometer.)

A cadeira, o poder, Daniel Filho e você …

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A revista Poder de julho traz uma interessante entrevista com Daniel Filho. Sim, para quem não se lembra, ele não é apenas um diretor de filmes e séries, já foi o todo poderoso da Central Globo de Produção. Além de muito dinheiro, tinha prestígio e era invejado, ou seja, dinheiro, poder e mulheres, muito do que um homem sonha. E o que ele fez? Abandonou tudo isso e hoje é capaz de falar verdadeiramente sobre o poder, reflita antes que esse poder te corrompa…

DF: Tem várias formas de poder. O primeiro, que considero, é o poder de fazer. A liberdade de poder fazer vem antes do poder mandar ou poder dominar. Quando você, por acaso, se vê num caminho, como me aconteceu, numa posição de poder, ele é embriagador, realmente tonteia, porque eu não sei quais são as pessoas preparadas para ele. É uma droga no sentido de entorpecer. E violenta.
Poder: O poder vicia?
DF: O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Então você fica num processo que pode viciar, sim. […] em determinado momento alguma coisa de lucidez aconteceu, era querido e amado por eles, e pedi demissão.
Na época, foi vista de uma forma muito estranha. […] Porque ninguém poderia imaginar, em são consciência, que eu chegasse a esse cargo e pedisse demissão. E para fazer o quê? Nada. Simplesmente sentia que a cadeira na qual me sentava era a do poder. Estava me confundindo com ela. Queria saber que era eu e qual o significado dela. Mas sabia que a cadeira era mais forte do que eu, disso tinha consciência.
Poder: Com que idade você estava?
DF: Tinha 53 anos e disse para mim: “ainda tenho tempo de rever minha vida e de me recolocar”. E foi uma experiência maravilhosa, porque ao sair da cadeira, você começa a tomar porrada. Não é a vida, é realmente a cadeira que tem o poder. Existem pessoas que têm o poder do dinheiro, são herdeiros, e com esse dinheiro ficarão ad eternum. Portanto, elas nunca irão vivenciar o barato que tive, que é tremendo: você pode se jogar nessa montanha-russa, se jogar nesse bungee jump. E pode ser que, nesse pulo, a corda arrebente, você se quebre ou morra ou, então, bata no fundo e volte.
Poder: Foi difícil?
DF: Foi difícil, sabia que ia tomar uma porrada, mas não que tomasse uma tão grande.
Poder: Por que?
DF: Porque você é totalmente abandonado, fica sozinho, some tudo à sua volta, tudo que era fácil deixa de ser. As coisas passam a não acontecer mais. Mas, puxa vida, que bom que eu pude fazer isso, porque soube depois quem é o Daniel Filho, sem a cadeira, sem ser o diretor da Central Globo de Produção. E, por livre e espontânea vontade, disse: “Se der algum chabu aqui, tenho como me recuperar de alguma forma”. E dei a sorte de produzir, fora da Globo, um programa que foi um gol certeiro: Confissões de Adolescente. Pude ver que o padrão de qualidade não pertence à emissora. Pertence, sim, a cada um dos diretores que fazem, pertence a quem é um bom profissional. E agora sei que o poder que tenho me pertence. Ele é meu. Se tenho algum poder é porque uns têm e outros não.

Ser impiedoso, uma lição de Vicente Falconi

falconi.jpgHá umas expressões absolutamente geniais. Uma delas, para mim, é “cair a ficha”. Você tem lá aqueles problemas, sabe de velho quais são suas raízes, é capaz de recitá-las de trás para frente para o terapeuta, mas, mudar que é bom, neca. Aí, um belo dia, a ficha cai. No orelhão, a moeda entra no compartimento certo. Em nós, a questão sai da cabeça e vai para o corpo –ou vai do ego para o self, sei lá. (Nas empresas, integra a cultura?) E você muda.Outra expressão assim, na minha opinião, está na entrevista do Vicente Falconi na HSM Management de julho-agosto. Para começar, esse homem é impressionante: está por trás de quase todas as grandes revoluções de gestão do Brasil, no setor privado e público, e quase ninguém o conhece, discretíssimo. Bom, ele diz que os gestores têm de ser “impiedosos” e foi essa a expressão que me pegou. E que não sermos assim no Brasil é uma grande desvantagem competitiva. Reproduzo um trecho da entrevista:”As pessoas se esquecem de que uma empresa é um bem de um país –não interessa se o dono é estrangeiro ou nativo–, porque, ao pagar impostos, salários e benefícios, gera riqueza para esse país. Então, ela não pode ter condescendência [com funcionários de fraco desempenho] porque tem obrigação de construir algo de bom para o país. O funcionário não desempenhou uma vez, tem de ter uma nova oportunidade, geralmente dois anos. Se for necessário, dá-se treinamento. Mas, se a pessoa mostra não ter talento mesmo para aquela posição, deve ser afastada e, para o seu lugar, tem de ser promovida uma pessoa talentosa.” Caiu a ficha? Continue reading ‘Ser impiedoso, uma lição de Vicente Falconi’

Dois estilos brasileiros? Qual é o seu?

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O jornalista Elio Gaspari na sua coluna de hoje na Folha ousa criar dois padrões de empresário brasileiro, Dantas x Lemann. Observa que curiosamente que um está quase ofuscando o brilho do outro, mas pela razão errada. Para Gaspari Dantas ia muito bem até que numa encruzilhada escolheu o caminho errado e deu no que deu, no que todos sabemos (aliás, ou se é muito próximo, ou se sabe pouco, muito pouco). Já para Gaspari, Lemann representa a nova face do empresariado nacional, muito mais meritocrático, independente do setor público. Admiro Lemann, confesso que não gostaria de trabalhar em “tamanha meritocracia” e torço que Gaspari esteja certo, que os caminhos foram outros, que a construção desse império cervejeiro sobreviva a qualquer investigação, da polícia federal, do FBI, de quem quer que seja.

Também invejo Lemann, não só pela conta bancária, mas principalmente  por conseguir trabalhar com coisas que não lhe impactam emocionalmente, ou seja, é o maior cervejeiro do mundo, mas não degusta as cervejas que produz…

E você, que tipo de empresário é? Para qual tipo trabalha? Em tempos de discussão no judiciário, se a sua consciência não está tão tranquila, melhor não confiar tanto no habeas corpus…