Arquivo para updates sobre 'executivos'

Os prós e contras de fazer carreira internacional

Após promover uma reviravolta na subsidiária brasileira da Reckitt Benckiser, dona de marcas líderes como Veja e Bom Ar, o executivo Carlos Trostli se viu numa encruzilhada. No final de 2007, o alto escalão da multinacional o queria na sede da companhia, em Londres. Sua missão: comandar a unidade de negócios do produto Vanish no mundo.

Na época, o executivo já respondia pelos negócios na América do Sul. Então, dar um passo bem mais alto, direto para a matriz, seria o ápice em sua carreira, certo? Errado. Trostli disse não. O que, segundo entrevista dada à revista Isto é Dinheiro, em fevereiro passado, “Representou uma decisão dificílima. Mas não teve jeito”.

Histórias como essa se repetem quase que diariamente na vida de muitos profissionais. E a grande dúvida que paira no ar é: vale a pena fazer de fato carreira internacional? Esta é uma questão que precisa ser muito bem pensada e discutida com a família. É claro que você abre os horizontes, aprende a lidar com outras culturas e cria um diferencial competitivo.

Ganhar uma experiência ímpar que o destacará entre seus colegas, sem dúvida, pode levá-lo a posições de destaque. Além de imprimir uma trajetória de sucesso, inigualável. Sobretudo na era da globalização. No entanto, aceitar uma proposta para atuar fora do país exige cuidado e atenção.

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A dura solidão do poder

Todos nós, que somos ou fomos presidentes de empresas, sabemos muito bem que a solidão do poder realmente existe. Bem lá escondida em meio às mordomias e ao universo de “glamour” que o cargo proporciona. Confesso que muitas vezes fica difícil reconhecê-la, sobretudo quando confundimos o que somos com o que representamos dentro de uma companhia.

De fato, a solidão do poder é um paradoxo. Na verdade, nunca estamos sós. Sempre existe uma fila de pessoas exigindo nossa opinião, diretrizes e conselhos. Um mundo maravilhoso que inebria. Mas que, por vezes, mascara a eterna solidão, percebida quando todos vão embora e você é o único a permanecer na organização – sim, o expediente de um CEO não tem hora para acabar.

É nesse momento que as angústias, os dilemas e os temores na tomada de decisão aparecem. Não há com quem desabafar ou dividir problemas. Muitas situações sequer podem sair da sua sala, porque precisam estar veladas. Outras são incompreendidas por aqueles que te rodeiam. É aqui que você se sente desprotegido, vulnerável. Se dá conta de que tudo ao seu redor desaparece. Poucos admitem, mas a solidão é inerente ao poder. A outra face da moeda. O lado perverso e doloroso de quem está no topo, que contrapõe prestígio, influência, carisma, liderança, autoridade. Como disse o ex-presidente da Reckitt Benckiser, Carlos Trostli, em recente entrevista à revista Executivo de Valor, “ser presidente de empresa é viver como um alpinista em grandes altitudes: é solitário, frio e o ar fica cada vez mais rarefeito”.

Um quadro sombrio, mas que não abre espaço para fraquezas. O CEO é o maestro da orquestra. Portanto, não é difícil imaginar o labirinto em que vive. Minha experiência é prova viva desse cenário. Não tem jeito. A solidão é e sempre será fiel companheira de quem está no poder e, portanto, com a vida dos subordinados nas mãos, a solidão tende a tirar o sono de muito presidente.

Ainda que afete mais intensamente aqueles com maior sensibilidade, o abismo entre o universo do alto escalão e dos subordinados assusta mesmo quem tira de letra as adversidades do mundo corporativo. Esse é um grande desafio. Sobretudo quando a solidão é imposta pela estratégia da empresa, já que os planos dos acionistas, em boa parte dos casos, são confidenciais e estratégicos. Aí é que o CEO se vê em xeque por não poder compartilhar as decisões com seu time. E isto é muito doloroso para o presidente que valoriza o capital humano. Mas, se você chegou lá, é porque tem talento, carisma e muita paciência. É um medalhista olímpico.

Bem-Vindo, Marcelo Mariaca

mariaca.jpgNosso mais novo updater é Marcelo Mariaca , Presidente da Mariaca, consultoria especializada no Recrutamento, Transição de Carreiras e Coaching de executivos e conselheiros.

Durante 20 anos, Marcelo ocupou posições de direção em bancos e indústrias. Foi Diretor Vice-Presidente da DuPont por 12 anos nos cargos de Diretor Financeiro e posteriormente Vice Presidente das diversas unidades de negócios. Antes da DuPont, foi Presidente da Black & Decker do Brasil.

Marcelo participou de conselhos, incluindo Unibanco-BIB, Semco, Norcon-DuPont, Tintas Renner e o Conselho Nacional do Exército da Salvação no Brasil.  Foi Chairman do Conselho da Chapel American School e foi eleito Diretor do AMCHAM e membro do Conselho do IQE - Instituto Qualidade no Ensino.

Marcelo, é muito bom ter você conosco!

O briefing

Pois é, nem sempre flui bem o processo de “co-criação” entre clientes e fornecedores… (A dica foi da Eliana e do Vítor, brigs!).PS: Acabei de ver que esse vídeo já apareceu no Update or Die no dia 20 de julho e disparou uma enxurrada de comments. Moral da história: falar de corda em casa de enforcado é diferente de falar de corda em casa de enforcador…

Quando usar cada modelo de decisão

encruzilhada-782140.jpgEmbora valha a pena ler o artigo inteiro do

Mintzberg, que até detalha um workshop para fazer os funcionários usarem os três modelos de decisão, vou adiantar aqui quando cada modelo funciona melhor, com seus pontos fortes e fracos:

  • “Primeiro pense” funciona melhor quando temos uma questão clara, dados confiáveis, o mundo estruturado, quando nossos pensamentos podem ser controlados e a disciplina aplicada, como em um sólido processo de produção.
  • “Primeiro veja” é necessário quando muitos elementos precisam ser combinados para se chegar a soluções criativas e o comprometimento com elas é fundamental, como no lançamento de um novo produto. A organização precisa fugir do convencional, estimular a comunicação através das fronteiras, furar bloqueios cerebrais e empenhar tanto o coração quanto a cabeça
  • “Primeiro faça” é preferível em situações inusitadas e confusas, em que as coisas precisam ser resolvidas. Normalmente, é o caso de um novo setor –ou de um antigo que tenha sido lançado no caos por uma nova tecnologia.

Decisões gerenciais e Mintzberg

3816mintzberg.jpgDez entre dez gestores acham que o melhor processo de tomada de decisão começa com definir o problema e segue com o diagnóstico das causas, a formulação das soluções possíveis e a escolha da melhor entre elas (completada por sua respectiva implementação). Quando não decidimos assim, sentimos culpa, é ou não é? Achamos que devíamos tê-lo feito. Mas eis que alguém de peso vem nos libertar dessa culpa. É Henry Mintzberg, o professor de gestão canadense que escreveu o excelente Safári de Estratégia, mas que também chacoalha o mercado com sua ousadia e suas polêmicas, como a de que os MBAs não valem grande coisa. Na HSM Management de julho-agosto, ele diz que o processo que eu descrevi é apenas um dos três modelos de tomada de decisão, o modelo lógico-racional, que ele chama de “Primeiro pense”. E ele sugere outros dois: “Primeiro veja” e o “Primeiro faça”. Mintzberg escreve: “Organizações saudáveis, assim como as pessoas saudáveis, são capazes de adotar os três modelos e, quando passam a usá-los,os executivos conseguem melhorar a qualidade de suas decisões”.

Uma conversa com Marc Andreessen

Durante a Web 2.0 Expo 2008 em San Francisco, uma das entrevistas mais interessantes foi entre John Battelle e Marc Andreerssen (vídeo abaixo). Andreessen foi um dos empreendedores pioneiros da Internet com a Netscape, passando pela Opsware e agora com o Ning. As suas duas primeiras empresas foram vendidas por mais de 1 bilhão de dolares, tarefa nada fácil para um empreendedor de Internet. O Ning, plataforma para criação de redes sociais, adicionanda 500 novos grupos por dia e dobra de tamanho a cada 137 dias.

Uma nação. Sob pressão. Endividada

Um dos filmes selecionados para o festival de Sundance 2008 é o I.O.U.S.A. O filme bancado pelo bilionário Peter Peterson, co-fundador do Blackstone Group, examina o rápido crescimento da dívida interna dos Estados Unidos e as consequências para os país e para a sua população.

CEO por temporada: será esta a nova tendência nas empresas?

A demissão de CEOs nas 2,5 mil maiores empresas de capital aberto no mundo já não está mais tão associada aos maus resultados obtidos no curto prazo. Foi o que constatou recente pesquisa realizada pela Booz & Company. Apenas 17,6% dos presidentes na Europa tiveram que deixar seus cargos por ter um desempenho insatisfatório, enquanto nos Estados Unidos este número não ultrapassou a casa dos 15% em 2007. Apesar da boa notícia, o tempo de permanência dos CEOs em seus cargos continua caindo. Ainda tenho visto uma alta rotatividade no alto escalão.

Os dados do estudo retratam um fenômeno que todas as organizações vêm enfrentando ultimamente: a falta de talentos. Sem dúvida, as companhias sentem uma enorme dificuldade em achar substitutos preparados para assumir o posto de número um. No entanto, não podemos fechar os olhos para uma realidade que bate à porta dos CEOs, em que se observa uma mudança radical de paradigmas. Arrisco até afirmar que os presidentes hoje passaram a ser contratados apenas para uma temporada. Eles chegam, executam o que o acionista deseja, ganham muito dinheiro rapidamente e depois partem para novos desafios.  Realidade dura de digerir? Reconheço que sim, mas por trás do fenômeno da rotatividade, enxergo uma necessidade das companhias em ter líderes com perfis distintos para cada um de seus momentos. Se a empresa está crescendo e planeja um IPO (na sigla em inglês para oferta pública inicial), ela vai atrás de um presidente firme, arrojado, agressivo, um verdadeiro trator, capaz de promover mudanças – nem que para isso seja preciso cortar parte de seu quadro de funcionários. Passada essa fase, quando a empresa busca manter sua estratégia, troca imediatamente o comando por um líder mais equilibrado, ponderado, com um estilo apropriado para a maré de ondas calmas.  Entre tantos exemplos, o mais recente cito o do ex-presidente da Medial Saúde, Luiz Kauffmann. Contratado em 2006 para arrumar a casa e deixá-la pronta frente aos planos de abertura de capital da operadora de planos de saúde, deixou seu posto há 15 dias. Todos nós que somos ou fomos presidentes de empresas concordamos que não é fácil sobreviver a essas transformações vividas nas últimas três décadas. Herdamos de nossos pais o exemplo de crescer, trabalhar e se aposentar na mesma companhia. Quem de nós nunca ouviu a famosa frase “vestir a camisa da empresa”? Assim era a geração dos anos 70 que passou a sentir o gosto amargo da demissão como um fato mais comum e corriqueiro do que se imaginava.

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Que exemplo de líderes teremos após Dantas?

Nas últimas semanas, os escândalos envolvendo o “banqueiro” Daniel Dantas têm sido o assunto mais comentado no país. E continua presente ao ganhar a cada dia um capítulo novo no noticiário nacional. Não quero aqui entrar no mérito sobre a polêmica atuação da Polícia Federal ou de suas idas e vindas na prisão. Entretanto, não poderia deixar passar ileso o fato de que há muito tempo Dantas transformou-se em protagonista de incontáveis episódios – desde as privatizações no governo FHC até o mensalão na gestão de Lula – que colocam em dúvida a imagem ética dos empresários brasileiros.

Queria entender como Dantas, suspeito agora de ilegalidade na venda de ações da Brasil Telecom para o grupo Oi Telemar, chegou a despontar como personalidade do mundo empresarial. Sobretudo, quando especulou-se por diversas vezes na mídia, que suas empreitadas aconteceram em meio a privilégios públicos. Mas me questiono: será este o exemplo que queremos dar a nova geração de jovens, a qual não só estará à frente das organizações nos próximos anos, mas será responsável por construir o futuro de nossa nação?

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Parceiros da Educação

parceiros.jpg “Parceiros da Educação” é um programa que acredita na capacidade empreendedora como força de transformação da realidade. A iniciativa busca trazer colaboradores do mundo dos negócios para adotar escolas públicas e melhorá-las. Alguns nomes de peso já fazem parte do projeto como: Nizan Guanaes, Ana Maria Diniz, Antonio Bonchristiano, Jair Riberio, Fundação Lemann, entre outros. A idéia não é só ajudar financeiramente mas também trazer as práticas de gestão, aprendidas pelos parceiros em suas vidas profissionais, para cada escola trabalhada. Hoje já são 64 escolas”adotadas”, a meta para 2008 é de chegar a 100 escolas.

Mais informações no telefone (011-3708-9172) ou no e-mail (contato@parceirosdaeducacao.org.br)

Aceitar convite para atuar em conselhos exige cautela

Atuar em conselhos de administração virou objeto de desejo de quase todos ex-presidentes e executivos do alto escalão que se aposentaram. E não sem razão. Diante da profissionalização na gestão de empresas no Brasil, os conselhos ganharam força. Principalmente aqueles formados por membros independentes, sem qualquer vínculo com a organização, criando inúmeras oportunidades para profissionais experientes e com enorme bagagem no mundo corporativo.

O problema que vejo, no entanto, é a avidez com que esses profissionais vêm aceitando convites. Muitos sequer fazem uma pré-avaliação rigorosa dos desafios que encontrarão pela frente. Raros são aqueles que pesam na balança os riscos e as obrigações legais que assumem no momento em que passam a ocupar assento no “board”. Além de serem mais exigidos pelos acionistas, que cobram uma forte atuação nas estratégias da companhia, os conselheiros possuem a mesma responsabilidade civil dos administradores.

É em meio a essa maré desenfreada de oportunidades que ressalto a necessidade de se ter cautela, muita cautela. Não é redundância falar que todo cuidado é pouco na hora de agarrar a chance de fazer parte de um “board”. Reconheço que à primeira vista, qualquer um fica deslumbrado ao ser chamado para exercer uma atividade que hoje dá poder e status.  Mas quero lembrar que com a revolução da governança corporativa, após a quebra da Enron, o papel dos conselheiros mudou radicalmente.

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Novo marco sucessório em TI com o fim da era Gates

Na última semana, o mundo inteiro acompanhou o fundador da Microsoft, Bill Gates, 52 anos, tirar o time de campo da maior empresa de softwares do mundo, a qual esteve à frente por três décadas. Figura controversa, Gates, ao se aposentar, sai de cena no momento em que a gigante luta com todas as forças para desbancar um concorrente de peso, o Google. Apesar do futuro da Microsoft ser o assunto mais comentado em conversas informais e reuniões no meio executivo, o que muitos ainda não acordaram é para uma mudança histórica vivida pelo setor de tecnologia da informação (TI).

Está chegando ao fim a era dos fundadores de grandes impérios, nascidos nos anos 70 e 80, no comando dos negócios. Movimento que tem Gates como um de seus precursores. Antes de entregar o cargo de CEO ao sócio Steve Ballmer, em 2000, outros exemplos deram início a esse cenário de transformações. Na mesma época, John Warnock e Charles Geschke, fundadores da Adobe Systems, passaram igualmente a função de CEO para Bruce Chizen. Enquanto em 2006, assistimos a renúncia de Scott McNealy à presidência da Sun Microsystems, companhia fundada por ele há 22 anos.

Todos esses casos representaram um importante marco nos processos sucessórios envolvendo as grandes empresas de TI. Principalmente, porque alguns de seus líderes transformaram-se em “celebridades” do mundo corporativo. Uma análise feita pelo professor de estudos jurídicos e de ética nos negócios da Universidade de Wharton, Kevin Werbach, retrata bem os fatores de sucesso das transições já realizadas e que servem de paradigmas aos pioneiros sobreviventes.

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Bill Gates: Looking back, moving ahead

A Microsoft fez um vídeo-tributo para a despedida de Bill Gates. Confira abaixo:

Parte 1

Parte 2

O difícil preço de ser um CEO

Chegar ao topo em uma organização é o sonho de quase todo executivo. Muitos, desde cedo, traçam como meta de carreira e, até de vida, ocupar o posto de número um. Seduzidos, é claro, pelo status que o cargo de CEO proporciona, além das incontáveis recompensas pessoais e profissionais. O que a maioria não se dá conta é do alto preço que terão de pagar. Se por um lado passam a conhecer diferentes pessoas e vários lugares do mundo, ganham muito dinheiro, vivem cercados por gente influente, por outro há um lado nada glamoroso.

Estar no poder exige sacrifícios e dedicação integral à companhia. Não raro um presidente fica 14, 16 horas por dia fora de casa. São reuniões atrás de reuniões, viagens internacionais, compromissos intermináveis. Vida pessoal? Nem pensar. Ainda mais agora que acabaram as fronteiras entre casa e escritório. As novas tecnologias permitem que o executivo seja encontrado a qualquer hora, inclusive nas férias e nos feriados. Basta ter um BlackBerry –celular que virou febre no ambiente corporativo – e pronto. Os e-mails e o próprio executivo podem ser acessados 24 horas.

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