Repostei aqui o texto sobre o Akinator, do Beto Toledo, por ser uma curiosidade divertida, é claro, mas também com uma segunda intenção, mais diretamente ligada ao management. O Akinator diz respeito a uma questão em que o Nassim Nicholas Taleb insistiu muito em sua palestra da ExpoManagement 2008, a última do evento, na quarta-feira passada: a imprevisibilidade de fatos que ele denomina “cisnes negros”. O Akinator é um sistema baseado na internet que “adivinha” o que a gente está pensando com base em perguntas e respostas lógicas, o que mostra que estatísticas e outras ferramentas matemáticas funcionam muito bem para certas coisas. Acontece que, por tudo isso, o Akinator nos transmite uma sensação de que é possível conhecer o desconhecido, perigosamente próxima à sensação de que é possível antecipar o desconhecido.
Só que experimente perguntar ao Akinator sobre uma pessoa que ainda não é celébre (embora possa vir a ser). Ele vai errar. E é exatamente isso que acontece conosco hoje. Como conseguimos, com a ajuda da matemática, elucidar uma série de questões, achamos às vezes que o futuro é apenas mais uma questão. Porém, na Expo, Taleb pareceu convencer a platéia de executivos de que o futuro é diferente, pelo menos no que se refere a cisnes negros.
Então, é para deixarmos de desenhar cenários de futuro? É para não ouvirmos mais os futurólogos? O que fazemos com a inevitável imprevisibilidade? Bem, eu, pelo menos, não entendi que o Taleb nos aconselhe a não pensar no futuro – até porque futuro também se cria, como dizia o grande Peter Drucker. O que o Taleb diz é que os cisnes negros vão aparecer, e que, em vez de temermos e lamentarmos suas consequências, podemos é nos preparar para enfrentá-las. Sim, isso é possível, segundo ele, mesmo sem termos a mínima idéia do que será o tal cisne negro. As chaves são nos concentrarmos em errar pouco e buscarmos cisnes negros positivos – no segundo caso, aumentando os riscos que corremos, mas limitando-os a uma parcela pequena do nosso negócio (não mais que 20% disse Taleb, num exemplo com uma carteira de investimentos). É uma receita a ser tentada, enfim.
Em tempo: garantiu Taleb na Expo que a crise financeira global atual não é um cisne negro. Era fato previsível, decorrência mais ou menos natural de uma série de acontecimentos. Para ele, um cisne negro foi, isto sim, a nacionalização de algumas instituições financeiras pelo governo G. W. Bush.
