
Pessoal,
um dia desses tive que ouvir de uma pessoa que gestão do conhecimento era algo muito abstrato. Na verdade, o que ele quiz dizer foi que ela não sabia gerenciar as pessoas e transformar o conhecimento delas em inovação, por essa razão, ele tentou desqualificar a gestão do conhecimento. Para mostrar e referendar o fato de que gestão do conhecimento não tem nada de abstrato, leiam o excelente artigo publicado pelo meu amigo e xará, Marcelo Mello, cujo título é exatamente esse :
Há quem pense que a Gestão do Conhecimento é um tema muito abstrato, sem o devido fundamento na realidade das empresas e que as pessoas que vem se dedicando ao seu estudo são sonhadores utópicos pouco afeitos ao enfrentamento dos reais problemas organizacionais. Há quem pense que o discurso que defende o compartilhamento de conhecimento e a colaboração como base para a construção de um novo modus operandi na complexa aldeia global não passa de “papo furado”. Há também aqueles que não entendem como alguém pode defender que um dos papéis dos gerentes é fomentar as conversas entre as pessoas como forma de aumentar a capacidade produtiva da organização. Há ainda os que vêem o empowerment e a abertura para a livre expressão de críticas e questionamentos por parte dos colaboradores, independentemente de posição hierárquica, como uma terrível ameaça ao poder que não foi conquistado, mas sim recebido de brinde junto com um cargo no topo na “cadeia alimentar” organizacional.
Enfim, há uma enorme diversidade de pontos de vista e muitas abordagens para todo e qualquer tema que venha a ser discutido, seja na baila da Administração ou em qualquer outra área do conhecimento, e é fantástico que assim seja. Da multiplicidade de opiniões, desde que respeitosamente expostas por meio do diálogo, é que podem surgir novas e mais efetivas interpretações da realidade e, por conseguinte, o aprimoramento de nossa capacidade de ação. E é exatamente esse o objetivo precípuo da Gestão do Conhecimento: a evolução de nossa capacidade de ação, a fim de nos dar condições de vivermos uma nova era, a era do conhecimento, repleta de complexos desafios e de perguntas para as quais não temos respostas prontas. Como bem colocou Albert Einstein, “os problemas significativos que enfrentamos não podem ser resolvidos pelo mesmo nível de pensamento que os criou”, ou seja, a crescente complexidade das situações que enfrentamos atualmente, quer seja no nível individual, quer seja no âmbito das diversas organizações de que fazemos parte, somente poderá ser efetivamente abarcada se conseguirmos desenvolver um novo portfólio de ações construído sobre novas e mais efetivas formas de interpretar o mundo.
É justamente aí que entram a Gestão do Conhecimento, as conversas e relacionamentos organizacionais e os novos paradigmas de gestão de pessoas, com seus conceitos, práticas e atitudes ainda em maturação, mas que já podem, e devem, ser discutidos e utilizados pelas organizações que desejam manter-se vivas no inóspito ambiente competitivo dos dias atuais. Para sobreviver e continuar a realizar sua missão, as organizações precisam aprender a aprender constantemente. Como afirma Arie de Geus, ex-Vice Presidente de Planejamento da Royal Dutch/Shell, “a capacidade de aprender mais rápido do que seus concorrentes pode ser a única vantagem competitiva sustentável”. É fundamental revisitar e reavaliar as premissas tradicionais de gestão alicerçadas no hoje inefetivo paradigma do “comando e controle” e buscar alternativas que se mostrem mais adequadas ao enfrentamento dos desafios dos quais não podemos fugir. Hoje, infinitamente mais importante do que controlar as pessoas, é propiciar a elas as condições necessárias para que desenvolvam todo o seu potencial e se sintam compelidas a empregar esse potencial em prol da organização.
Contudo, não é nada fácil para os gerentes abandonar o histórico papel de meros feitores e passar a atuar realmente como facilitadores, líderes e coachs, comprometidos em fazer florescer em cada colaborador o que ele tem de melhor e aptos a transformar um simples aglomerado de funcionários em uma verdadeira comunidade de trabalho que compartilha uma visão de futuro e que é capaz de aprender individual e coletivamente. Para isso, entre outros fatores, é necessário acreditar e investir em elementos que não são tangíveis: colaboração, comprometimento, conhecimento, aprendizagem, solicitude, respeito mútuo, sustentabilidade, etc. Tudo isso pode parecer muito etéreo para quem está acostumado apenas a planejar, organizar, executar e controlar, mas tenho convicção de que são essas as sólidas fundações sobre as quais se erguerão as empresas do século XXI.
Vivemos um tempo de transição, uma época de profundas mudanças que demanda uma completa revisão de nossos modelos mentais. Em momentos como esse, é natural que haja os que vêem na mudança uma ameaça ao seu status quo e a tudo o que já foi adquirido, mas há também os que enxergam a mudança como uma oportunidade de construção de uma nova realidade, mais adequada, mais justa e mais humana, uma oportunidade de contribuir para uma real melhoria de nossas empresas e de nossa sociedade. A estes últimos devemos nossa gratidão, pois se não fosse por eles, talvez ainda estivéssemos administrando nossas organizações preocupados apenas com tempos e movimentos e produzindo carros de qualquer cor, desde que fossem pretos.
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É isso aí.
Um abraço.
“Keep the Faith”